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Orientação a objetos em geral, independente da linguagem e do quanto ela adere ao conceito teórica, traz os mesmos benefícios, sendo os principais relacionados à organização do código e facilidade de manutenção e extensão.

Não entrarei em detalhes, pois você pode encontrar muito material por aqui, por exemplo esta pergunta.

Seu projeto

Falando especificamente sobre seu projeto, vamos analisar superficialmente alguns desafios que você pode enfrentar por não ter usado OO.

Reuso de código

Como se faz reuso sem OO? Funções. E como você faz para adicionar variações? Parâmetros.

O problema disso é que no decorrer do tempo você precisa alterar os parâmetros. Não é incomum em códigos PHP encontrar métodos com 10 parâmetros, alguns opcionais, outros desnecessários. E se você precisar remover uma parâmetro, vai ter que sair varrendo o código procurando pelas chamadas.

Ao usar objetos, você pode ter alguns métodos para definir as propriedades e, dessa forma, fica mais fácil saber qual valor está sendo coloca aonde.

Além disso, você pode criar várias instâncias com valores diferentes, alterando o comportamento da classe.

Entidades

Provavelmente você deve ter algumas entidades que salva num banco de dados.

Sem orientação a objetos, não é incomum se usar um conjunto definido de variáveis ou mesmo um mapa ou array para armazenar tais estruturas de dados.

A não ser que seu sistema seja muito trivial, você deve ter encontrado alguns problemas enquanto criava rotinas para recuperar, inserir ou alterar dados. Ora você esquece quais os atributos um mapa carrega, ora você precisa passar um monte de valores por parâmetro, etc. Adicionar um campo pode virar um pesadelo mais para frente.

Objetos que representam entidades são muito mais fáceis de trabalhar e passar valores para as várias rotinas do sistema. Além do mais eles podem encapsular certas operações que outrora você precisa espalhar em vários lugares da aplicação, tal como validar os dados.

Usando o exemplo de validação, é claro que você pode criar uma rotina validar_usuario(), mas quem garante que ela vai ser chamada sempre que necessário? E se houver vários locais onde uma entidade pode ser inserida ou alterada?

Por outro lado, um objeto pode ter certas validações diretamente no construtor, ou então a rotina que insere dados no banco de dados pode chamar $entidade->validar() sempre antes de realmente executar o INSERT.

Fluxo de chamadas de funções

Talvez em algum momento você tem algum tipo de lógica onde precisa chamar um conjunto de funções em sequência, caso contrário o código não funciona.

É uma fonte clássica de problemas do PHP você ter alguma função que falha porque você esqueceu de chamar outra antes e, dessa forma, caso você teste todo o código e encontre o problema você tem ainda que pesquisar para descobrir quais os requisitos para a função. Se o problema permanecer oculto aos testes, pode estourar em produção.

Com classes, a exemplo do PDO, você pode facilmente compor funcionalidades e armazenar o estado nos objetos de forma que não seja necessário depender de chamadas anteriores. Um exemplo simples é uma classe que usa o construtor para inicializar valores ao invés de ter alguma função iniciar_valores ou algo parecido, como é comum em várias linguagens procedurais.

Variáveis globais

Posso imaginar que no seu sistema você tenha um punhado de variáveis globais para trocar informações entre as funções. Se não tiver, parabéns, mas esta não é a regra.

O problema com variáveis compartilhadas e que você incorre no grande risco de que um trecho de código interfira com outros inadvertidamente.

Exemplo prático

Imagine uma função que tem um contador interno. Você usa ela para contar o tempo de resposta de um determinado relatório. Exemplo:

iniciar_timer();
gerar_relatorio();
finalizar_timer();

No entanto, após algum tempo, alguém sente a necessidade de verificar o tempo de duração da consulta SQL. Então ela faz isto:

function gerar_relatorio() {
    iniciar_timer();
    $resultado = executar_query();
    finalizar_timer();
    gerar_pdf($resultado);
}  

O que acontece aqui? Dependendo de como o timer é implementado você pode ter simplesmente valores incorretos sem perceber ou pode ter erros de execução.

Claro que isso pode ser resolvido de forma procedural retornando algum valor de controle no método iniciar_timer(), mas então é mais algo que você precisa avisar e ensinar a todos os desenvolvedores.

A vantagem de usar classes é que você consegue não só encapsular os valores, mas a interface (métodos) de uma classe, desde que bem pensados, tornam o uso óbvio.

Imagina uma classe com a seguinte interface:

class Timer {
    __constructor() {...}
    stop() {...}
    getTime() {...}
}

O uso é praticamente óbvio:

$t = new Timer();
gerar_relatorio();
$t->stop();

E agora cada objeto tem valores independentes.

Considerações

Não só em bibliotecas ou frameworks, o uso de Orientação a Objetos é bem-vindo em qualquer funcionalidade do seu programa, principalmente quando você almeja reuso e comunicação entre diferentes partes do código.

Lugares onde em geral OO não é necessária ou é usada apenas indiretamente incluem:

  • Template, por exemplo, templates HTML do Wordpress onde você mistura lógica de controle com código HTML. Mesmo em outras linguagens isso vale. Embora objetos auxiliares (helpers) sejam usados, um template de texto é intrinsicamente procedural em sua natureza.
  • Funções sem estado (stateless) não armazenam nem compartilham variáveis, nem possuem pré-requisitos. Por exemplo, mesmo numa linguagem puramente OO, uma rotina para converter um inteiro em texto não precisa necessariamente estar em um objeto. O Java, por exemplo, usa método estáticos para esses casos.

Em minha resposta, cobri apenas alguns aspectos que podem influenciar no desenvolvimento de sistemas além de um exemplo trivial ou acadêmico.

Se você pretende levar o sistema adiante e evoluir as funcionalidades, Orientação a Objetos pode ser a diferença entre você achar que vale ou não a pena o esforço.

Claro que existem vários fatores, mas não é à toa que vários projetos de código livre morrem por falta de manutenção devido à má estruturação, pois ninguém consegue ou tem coragem de mexer.