6

No caso abaixo, por exemplo:

int *pnum;
void main(){
  int num = 10;
  pnum = #
}

O que aconteceria se eu tentasse acessar o valor apontado do ponteiro fora da função main ?

5

Vamos colocar um código real para ver o que acontece:

#include <stdio.h>
int *pnum;
void teste() {
    printf("%d\n", *pnum);
}
void teste2() {
    int num = 20;
    pnum = &num;
}
void teste3() {
    int num = 30;
    num++;
}
int main() {
    int num = 10;
    pnum = &num;
    teste();
    teste2();
    teste3();
    teste();
    return 0;
}

Veja funcionando no ideone.

O problema não é a variável ser global. É ela apontar para uma variável local. O código só deveria ter um ponteiro apontando para um endereço local (stack) ou no heap. O que acontece se não respeitar isto?

Códigos assim podem apontar para valores arbitrário, para endereços que não possuem dados garantidos.

Quando chamamos a função teste(), ela executa normalmente e pega o valor correto, afinal o endereço do ponteiro é uma área da pilha que está preservada. O stack frame da função Main() não desaparece quando chama outra função. Pelo contrário, um é empilhado no outro.

Note que a linguagem não garante isto. Mas é assim que costuma funcionar. O risco é seu. Se soube o que está fazendo, vai dar tudo certo.

Aí chamamos teste2() que muda o valor do ponteiro. Agora ele aponta para a variável local desta função e não mais para a função Main(). Esta variável tem outro valor. Até aí tudo bem.

Agora chamamos teste3(). Note que criamos uma variável local com novo valor. Mas não mudamos o ponteiro para apontar para esta variável. Ele vai continuar apontando para a variável local de teste2(), certo?

Mas como isto é possível se aquela variável não existe mais? Bem, o endereço de memória continua lá, está apontando pra ele. O que acontece agora?

Chamamos o teste() que imprime o valor da variável local de teste3() que nunca foi referenciado pelo ponteiro pnum. Por que isto ocorre?

Porque no fim da função teste2() o seu conteúdo é desempilhado. Não é apagado, mas fica livre para uso. Com a chamada da teste3(), é empilhado no mesmo lugar onde tinha os dados da teste2(). Por coincidência o valor da variável local de teste3() foi colocado no mesmo lugar onde estava a variável local de teste2(). Mas foi só uma coincidência. Deu sorte, podia ser pior.

Quando você vai subindo a pilha dá até para prever que valores estarão na pilha, mas quando você desce da pilha, qualquer valor que tenha lá deve ser considerado lixo e não deve ser acessado. A linguagem não impede.

Os dois motivos para existir o heap são: ter dados muito grandes que poderiam estourar a pilha ou justamente poder ter dados "vivos" criados por uma função mais alta sendo acessados por funções mais baixas em endereço "garantido".

3

Sim, como o ponteiro aponta para o endereço da memória é possível modificar as variáveis locais através de um ponteiro global ou simplesmente passando o endereço da sua variável local para um ponteiro como parâmetro para uma função f(&ponteiro) ou para um ponteiro global int * pGlobal;, veja um exemplo abaixo:

#include <stdio.h>

int * pGlobal;

void foo(void)
{
    *pGlobal = 100;
}

int main(void)
{
    int num = 15;

    pGlobal = &num;

    printf("\n%d", *pGlobal);
    printf("\n%d", num);

    *pGlobal = 5;

    printf("\n%d", *pGlobal);
    printf("\n%d", num);

    foo();

    printf("\n%d", *pGlobal);
    printf("\n%d", num);

    return 0;
}

Acessando e modificando a variável declarada na função main:

void foo(void)
{
    *pGlobal = 100;
}

Veja funcionando no Ideone.

Veja mais sobre ponteiros aqui nesta pergunta.

2

A memória pode ser dividida em duas áreas: pilha (stack) e monte (heap). Memória alocada por meio de malloc e desalocada com free é a memória que está no monte. Já as variáveis locais estão na pilha.

A implementação exata da pilha depende de detalhes como o compilador usado, o sistema operacional, o conjunto de instruções do processador e detalhes da arquitetura da sua máquina.

Entretanto, apesar das diferenças, a estrutura da pilha na memória tem estruturas parecidas. Ela é chamada de pilha porque as chamadas de funções (stack frame) são empilhadas umas sobre as outras nesta região da memória. Dentro de cada chamada de função, também são empilhadas as variáveis locais e também uma coisa chamada de endereço de retorno, que é a posição na qual a execução da função deve prosseguir quando a função invocada a seguir terminar.

Desta forma se tivermos um caso aonde a função main() chama a() que por sua vez chama b(), a pilha ficará mais ou menos como o abaixo. Note que o começo da pilha está no endereço 4072 e que cada variável ocupa uma porção da memória da pilha, cada qual com o seu tamanho:

+---------------------------------------+
+ 4072-4075: variável local 1 do main() +
+ 4076-4079: variável local 2 do main() + <--- Stack frame do main()
+ 4080-4087: endereço de retorno        +
+---------------------------------------+
+ 4088-4089: variável local 1 de a()    +
+ 4090-4093: variável local 2 de a()    +
+ 4094-4095: variável local 3 de a()    + <--- Stack frame do a()
+ 4096-4099: variável local 4 de a()    +
+ 4100-4107: endereço de retorno        +
+---------------------------------------+
+ 4108-4109: variável local 1 de b()    +
+ 4110-4119: variável local 2 de b()    + <--- Stack frame do b()
+ 4120-4127: variável local 3 de b()    +
+ 4128-4135: variável local 4 de b()    +
+---------------------------------------+
+ 4128-9999: Espaço livre na pilha....  +
+---------------------------------------+

Vamos supor que b() retorne o endereço da sua variável local 3 (4120) para a(). Desta forma, após b() retornar, a pilha fica assim:

+---------------------------------------+
+ 4072-4075: variável local 1 do main() +
+ 4076-4079: variável local 2 do main() + <--- Stack frame do main()
+ 4080-4087: endereço de retorno        +
+---------------------------------------+
+ 4088-4089: variável local 1 de a()    +
+ 4090-4093: variável local 2 de a()    + <--- Stack frame do a()
+ 4094-4095: variável local 3 de a()    +
+ 4096-4099: variável local 4 de a()    +
+---------------------------------------+
+ 4100-9999: Espaço livre na pilha....  +
+---------------------------------------+

Neste ponto, o endereço que b() retornou (4110) é um endereço não utilizado na pilha, e portanto se a() utilizar este endereço para algo, poderá causar uma falha de segmentação, corromper a memória, ou ler lixo na memória que b() tiver deixado para trás. Mas independente do caso, isso é comportamento indefinido.

A coisa fica engraçada, se a() chamar c(int *) passando este endereço obtido de b como parâmetro, e supondo que o tamanho do ponteiro seja de 8 bytes:

+---------------------------------------+
+ 4072-4075: variável local 1 do main() +
+ 4076-4079: variável local 2 do main() + <--- Stack frame do main()
+ 4080-4087: endereço de retorno        +
+---------------------------------------+
+ 4088-4089: variável local 1 de a()    +
+ 4090-4093: variável local 2 de a()    +
+ 4094-4095: variável local 3 de a()    + <--- Stack frame do a()
+ 4096-4099: variável local 4 de a()    +
+ 4100-4107: endereço de retorno        +
+---------------------------------------+
+ 4108-4115: parâmetro 1 de c()         +
+ 4116-4123: variável local 1 de c()    + <--- Stack frame do c()
+ 4124-4169: variável local 2 de c()    +
+---------------------------------------+
+ 4170-9999: Espaço livre na pilha....  +
+---------------------------------------+

Observe que neste caso o endereço 4120 vai cair no meio de uma variável de c(). Aliás, pior que isso, metade em cada uma das variáveis. Quando c() tentar alterar o valor contido neste endereço, estará corrompendo as suas próprias variáveis. Desnecessário dizer que o resultado disso provavelmente é catastrófico.

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