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exemplificando, tenho duas tabelas: cliente e contato.

A tabela contato contém a coluna telefone do cliente como chave primária, coluna fax e coluna e-mail.
A tabela cliente contém a coluna telefone do cliente como chave primária e chave estrangeira e a coluna nome.

+-------------------------------+      +--------------------------------------------+
| contato                       |      | cliente                                    |
+-------------------------------+      +--------------------------------------------+
| telefoneCliente (primary key) |      | telefoneCliente (primary key, foreign key) |
| fax                           |      | nome                                       |
| email                         |      |                                            |
+-------------------------------+      +--------------------------------------------+

Primeiro: isso pode acontecer sem criar inconsistência?
Segundo: há alguma maneira do valor de uma chave primária ser o mesmo valor de uma chave primária de outra tabela?

  • 1
    "há alguma maneira do valor de uma chave primária ser o mesmo valor de uma chave primária de outra tabela?" Se a chave primária de uma é também chave estrangeira na chave primária da outra, então é exatamente isso que vai acontecer; os valores vão necessariamente ser os mesmos (assumindo que para cada linha na tabela contato você acrescente depois uma linha na tabela cliente). – mgibsonbr 7/03/14 às 4:48
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Primeiramente, respostas às suas perguntas:

P: Isso pode acontecer sem criar inconsistência?

R: Na estrutura atual este modelo permite inconsistência de dados (um telefone sem Cliente, por exemplo).

P: há alguma maneira do valor de uma chave primária ser o mesmo valor de uma chave primária de outra tabela?

R: Sim, porém em casos muito específicos. Se você possui um identificador em duas tabelas com o mesmo valor, para todos os fins práticos você está identificando a mesma entidade; neste caso, porque não ter apenas uma tabela?

Vamos inicialmente analizar o seu modelo de dados. Se eu entendi corretamente, esta seria uma representação:

inserir a descrição da imagem aqui

De acordo com este modelo, um contato é identificado por um telefone, e este é utilizado para identificar exclusivamente um Cliente.

Problemas com este modelo:

  • O que acontece se um Cliente possuir 2 ou mais telefones?
  • O que acontece se um Cliente possuir email, mas não telefone?
  • O que acontece se 2 clientes compartilharem um mesmo número de telefone?

O seu modelo precisa ser abstrato o suficiente para cobrir o máximo de situações triviais. Um outro aspecto é a definição de chave primária: um valor (ou, alternativamente, valores) que não se repete e que identifica unicamente um registro na sua tabela. Nem telefone nem nome cobrem esta espeficação.

Passo 1: A criação de um campo ID para identificação exclusiva do registro.

inserir a descrição da imagem aqui

Crie um campo especificamente com inicialização única (um autocontador numérico ou GUID, por exemplo) que servirá como identificador exclusivo do registro. Crie um campo na sua tabela contato, Cliente_ID, e utilize-o como chave estrangeira.

Dessa maneira você permite homônimos (que possuirão IDs diferentes) e telefones repetidos, sem violar o seu modelo.

Mas ainda não está bom o suficiente.

Passo 2: Modelagem dos contatos por tipo

inserir a descrição da imagem aqui

Crie uma tabela, Contato_Tipo, e armazene lá todos os tipos de contato que você precisar. Por exemplo:

Contato_Tipo
ID  Descricao
1   Telefone
2   Fax
3   Email

Modifique sua tabela Contato para, ao invés de armazenar um valor de cada tipo, agora referencie o campo ID da tabela Contato_Tipo via a chave estrangeira Contato_Tipo_ID. Armazene um único valor lá, na coluna Valor.

Vamos simular um Cliente, Goku. Seu número de telefone é 555-4433, e seu email é goku@capsulecorp.com. Os valores nas tabelas seriam os seguintes:

Cliente
ID    Nome
1     Goku

Contato
ID    Cliente_ID    Contato_Tipo_ID   Valor
1     1             1                 555-4433
2     1             3                 goku@capsulecorp.com

Este modelo apresenta grandes vantagens em relação ao anterior. Ele permite 0-N valores de 0-N tipos para cada cliente; e quando a necessidade de acrescentar mais um tipo de contato aparecer (Link para perfil do StackOverflow, por exemplo), você não precisará alterar sua estrutura - apenas adicionar mais um registro à tabela Contato_Tipo.

  • Sim, mas no caso, eu gostaria de usar o próprio telefone como chave primária, se o cliente tiver mais de um telefone, acho que daria para usar como chave concatenada. – ptkato 7/03/14 às 4:54
  • Nada impede que você use o telefone. Entretanto, considere que você pode estar violando o escopo de entidade - uma entidade Telefone está identificando uma entidade Cliente. Não lhe soa estranho? – OnoSendai 7/03/14 às 4:55
  • 3
    @OnoSendai: Identificar um cliente pelo telefone não é necessáriamente errado (por exemplo, o Whatsapp faz exatamente isso). Por outro lado, isso só faz sentido se o cliente só puder ter um único telefone - colocar mais de um valor em uma única linha da tabela é pedir pra dar merda (por exemplo, se representarmos up par de telefones como "A|B" não vamos perceber que é o mesmo conjunto de "B|A" ou que é um telefone que também ocorre em "A") – hugomg 7/03/14 às 4:58
  • 1
    @Patrick: não entendo como o conceito de chave concatenada pode ser útil no problema descrito em sua pergunta. – user4552 7/03/14 às 13:54
  • 1
    @Patrick quanto à modificação do programa, a decisão de modelagem é obviamente sua - porém eu diria que é sempre melhor criar um modelo mais robusto no início que custe pouco esforço de manutenção futura do que um modelo simples que implica em refactoring radical. – OnoSendai 7/03/14 às 14:10
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Não tem problema a chave de uma tabela também ser uma chave estrangeira. Esses conceitos são independentes um do outro.

O conceito de chave e chave primária serve para restringir os valores entre linhas de uma tabela. Duas linhas de uma tabela não podem ter os mesmos valores nas colunas de uma chave.

Por outro lado, a chave extrangeira restringe os valores de uma coluna a apenas valores que existam na tabela referida.

No seu exemplo, a restrição de chave extrangeira significa que só podemos inserir clientes que tiveram seu telefone e fax inseridos na tabela de contatos. Além disso, a restrição de chave primária significa que não podemos ter dois clientes que compartilhem o mesmo telefone.

  • Então não há inconsistência? Quanto a criar uma chave concatenada/composta com uma chave estrangeira, é possível? – ptkato 7/03/14 às 4:47
  • Teoricamente, a chave referenciada pela restrição de chave estrangeira pode ser qualquer tipo de chave. No entanto, alguns bancos de dados, como o sqlite e o mysql podem não suportar todos os tipos de chave estrangeira nas configurações padrão. Consulte a documentação do BD que você estiver usando. – hugomg 7/03/14 às 4:53
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Os colegas já explicaram perfeitamente a questão, mas gostaria de somar com um exemplo prático que mostra como essa situação (chave estrangeira E primária) além de possível é muito útil.

Pensemos em uma tabela Produto, que receba produtos de diversas empresas. Ela pode sofrer com o fato de que produtos diferentes podem ter o mesmo id (cada empresa registrou o seus produtos com os seus ids). Updates, por exemplo, iriam bagunçar tudo. Para solucionar, podemos colocar o coluna idDaEmpresa no Produto, fazer dela uma chave primária E uma foreingkey para a tabela empresa. Produto.idDaEmpresa <--> Empresa.id

CREATE TABLE Produto (
id INTEGER NOT NULL,
descricao VARCHAR (255) NOT NULL,
idDaEmpresa INTEGER NOT NULL REFERENCES Empresa(id),
CONSTRAINT pkProduto PRIMARY KEY (id, idDaEmpresa)
)
  • "id" seria o código da outra empresa em uma tabela e "idDaEmpresa" seria o código da empresa em questão em outra tabela? – ptkato 8/03/14 às 0:45
  • i seria o código do produto, e idDaEmpresa seria o id da tabela empresa. A ideia é que poderíamos ter vários produtos com o mesmo id, mas nunca dois produtos com o mesmo id E o mesmo idDaEmpresa. – arturBernardo 8/03/14 às 18:05
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Concordo com os colegas que acima confirmaram que não há incoerência. É perfeitamente possível e lógico - e digo mais, deve-se pôr! Na dúvida sempre aplique a chave estrangeira.

Vejamos o exemplo de uma entidade usuário que se especializa em pessoa física ou pessoa jurídica. A chave primária da entidade usuário deve ser a mesma para as especializações. Não posso pôr outra chave e nem trabalhar com composição de chaves, pois permitiria a duplicidade de registros com a mesma chave da tabela usuários. Ex: se a chave da tabela usuarios fosse o cpf e houvesse chave composta nas especializações, como um id inteiro e auto incrementável e o próprio cpf, poderia haver população sem erros (pelo banco) do mesmo cpf em outras tuplas para ambas especializações, o que seria um erro lógico. Pois só existe um cpf para cada usuário.

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