4

Adaptado desta questão no stack overflow internacional, cuja resposta é da minha autoria.

O código seguinte foi dado numa aula. Testámos o código, mas não entendi bem como funciona. Como é que este código cria vários processos, e como é que eles interagem entre si?

-module(pingpong).
-compile(export_all).

start_pong() ->
    register(pong, spawn(pingpong,pong,[])).

pong() ->
    receive
        finished ->
            io:format("Pong finished ~n");
        {ping, Ping_Pid} ->
            io:format("i am the receiver ~n"),
        Ping_Pid ! pong,
        pong()
end.

start_ping(Pong_Node) ->
    spawn(pingpong, ping, [3, Pong_Node]).

ping(0, Pong_Node) ->
    {pong, Pong_Node} ! finished,
    io:format("Pong finished ~n");

ping(N, Pong_Node) ->
    {pong, Pong_Node} ! {ping, self()},
    receive
        pong ->
            io:format("i am the sender ~n")
    end,
    ping(N-1,Pong_Node).
4

Comecemos por ver as duas primeiras linhas.

-module(pingpong).
-compile(export_all).

A primeira é a declaração do módulo. O seu argumento é um átomo (uma palavra sem aspas, em letra minúscula) que representa o nome dado ao módulo. Adaptado de Learn You Some Erlang:

-module(Name).
Este é sempre o primeiro atributo (e primeira frase) de um ficheiro, e com bom motivo: é o nome do módulo atual, onde Name é um átomo. Este é o nome que irá usar para chamar funções a partir de outros módulos. As chamadas são feitas da forma M:F(A), onde M é o nome do módulo, F é a função, e A os argumentos desta.

A segunda frase diz ao compilador para tornar públicas todas as funções definidas no módulo, ou seja, toda a função F que escrever neste módulo poderá ser chamada a partir do exterior, com pingpong:F. Isto simplifica o processo de aprendizagem, mas, em geral, não é boa prática tornar todas as funções públicas. Em vez disso, enumere cada função que pretende exportar.


Vejamos agora as funções definidas.

start_pong() ->
    register(pong, spawn(pingpong,pong,[])).

Este é possivelmente o ponto de entrada para o seu código. Compile o módulo, e comece por chamar pingpong:start_pong(). na consola Erlang, numa instância da máquina virtual (um nodo). O que esta função faz é registar o nome pong como identificador para um novo processo que irá ser criado, com spawn.

Portanto, spawn cria processos Erlang. spawn é uma função built-in (BIF), e por isso não requer que se escreva o nome do módulo no prefixo. Os seus argumentos são spawn(Modulo, Funcao_Exportada, Lista_de_Argumentos), como visto na documentação.
Voltando a start_pong, o que ela realmente faz é criar um processo que correrá a função pong deste módulo, sem argumentos, e chamar a este processo pong.


pong() ->
    receive
        finished ->
            io:format("Pong finished ~n");
        {ping, Ping_Pid} ->
            io:format("i am the receiver ~n"),
            Ping_Pid ! pong,
            pong()
    end.

O novo processo de start_pong vai correr esta função. Todo o processo Erlang tem a sua própria caixa de correio. Os processos comunicam entre si deixando mensagens nas caixas de outros. As mensagens podem ser praticamente qualquer coisa, quaisquer dados.

O novo processo entra no bloco receive, que lhe diz para pesquisar mensagens na sua caixa de correio, ou para esperar até que haja alguma. Depois usa pattern matching para encontrar a ação correspondente à mensagem recebida. Se está habituado a linguagens imperativas comuns, pode ver isto quase como um switch.

Se o processo tiver uma mensagem composta pelo átomo finished, ele imprime "Pong finished" na consola e termina. Se o processo tiver uma mensagem que é um par composto pelo átomo ping e um identificador de processo (pid - todo o processo tem o seu), então irá executar o código restante desta função.

O Ping_Pid, começado por letra maiúscula, diz ao Erlang para guardar numa variável com este nome qualquer que seja o valor que vem no segundo elemento da mensagem. Neste caso, apenas esperamos um pid.
Quando entra neste caso, imprime "i am the receiver" e envia uma mensagem com o átomo pong para o processo identificado pelo Ping_Pid - é esta a utilidade do operador !. Por fim, a função chama-se recursivamente, para voltar a ir à caixa de correio.


A próxima coisa que escreverá na consola, provavelmente noutra instância da máquina virtual, será a chamada a start_ping.

start_ping(Pong_Node) ->
    spawn(pingpong, ping, [3, Pong_Node]).

Como visto antes, o que isto faz é criar um novo processo, que irá correr a função ping com argumentos 3 e Pong_Node, em que o segundo é o nodo onde o primeiro processo está a correr.

ping(0, Pong_Node) ->
    {pong, Pong_Node} ! finished,
    io:format("Pong finished ~n");

ping(N, Pong_Node) ->
    {pong, Pong_Node} ! {ping, self()},
    receive
        pong ->
            io:format("i am the sender ~n")
    end,
    ping(N-1,Pong_Node).

Esta função está definida em dois casos (repare que a primeira definição de ping termina com ;, em vez de . - isto diz ao Erlang que ainda há mais para completar a definição desta função).

A função é chamada com 3 como primeiro argumento. Como 3 não equivale a 0, o processo executa o segundo caso, com N como argumento.

Este processo envia o par {ping, self()} ao processo dado por {pong, Pong_Node}, que segue a síntaxe {nome_registado, nome_do_nodo}. A função self() é usada para obter o pid do processo atual. Depois disto, o processo espera resposta, e repete este ciclo, enquanto N for maior que zero.

Quando N chega a zero, o primeiro caso é executado, enviando finished ao {pong, Pong_Node}, e terminando execução.


Se achar esta explicação incompleta, pode também dar uma olhada no tutorial, que explica este mesmo programa.

Sua resposta

Ao clicar em “Publique sua resposta”, você concorda com os termos de serviço, política de privacidade e política de Cookies

Esta não é a resposta que você está procurando? Pesquise outras perguntas com a tag ou faça sua própria pergunta.