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O que são e como funcionam os códigos corretores de erros (error-correcting code)? Já vi esse conceito por exemplo no QR Code (em que um código parcialmente danificado e/ou imperfeitamente capturado ainda é legível) e também ouvi dizer que são usados em sondas espaciais, ao transmitir dados em longas distâncias com bastante interferência no sinal. Gostaria de saber mais sobre o conceito, e como/onde aplicá-lo:

(Esclarecimento: me refiro somente aos códigos, não a protocolos completos. A exemplo do QR Code, uma vez impresso ele não pode ser "reenviado", de modo que qualquer capacidade de correção precisa estar presente no código em si.)

  • Quais os princípios por trás da técnica? Se for algo muito extenso, fico satisfeito com apenas uma introdução seguida de algumas referências.

  • Quais as limitações? Voltando ao exemplo do QR Code, vi que é possível configurá-lo para tolerar até 30% de erro. Há algum ponto a partir do qual os códigos se tornam excessivamente longos (tendendo pro infinito, é claro[1]), qual a melhor taxa que se pode esperar na prática? E esses códigos corrigem erros em posições arbitrárias nos dados (ex.: início, meio, fim, 1 bit a cada 8, qualquer combinação das anteriores, etc) ou só alguns tipos de erro específicos? É possível o código "corrigir" pra algo diferente dos dados originais?

  • Em que cenários isso é usado na prática? Existem bibliotecas prontas pra fazer isso, ou é preciso implementar à mão, caso a caso (dependendo das particularidades de cada aplicação)?

    • Esclarecendo: não estou pedindo uma "lista de casos", apenas saber em linhas gerais se vale a pena usar esse tipo de coisa no dia-a-dia, ou só em circunstâncias excepcionais (noto que na prática se é erro de comunicação, retransmite, se é erro de armazenamento, usa-se backups; não vejo esse tipo de coisa sendo muito discutido, nem mesmo mencionado).

Obs.: já estou familiarizado com códigos detectores de erros (como paridade, checksums, hashes, MACs, etc), estou interessado em códigos que permitam recuperar os dados originais mesmo na presença de algum grau de erro nos mesmos. Naturalmente, para se corrigir um erro primeiro é preciso detectá-lo, mas meu senso comum diz que os mecanismos tradicionais citados acima não são suficientes - afinal, a própria tag de verificação também pode ser transmitida com erros...


[1]: Quando digo "tendendo pro infinito" me refiro ao fato de que é impossível se corrigir um código 100% errado, a menos que ele seja infinito. Minha dúvida é se ao aumentar o nível de tolerância a erros, se o tamanho do código cresce a uma taxa elevada (ex.: quadrática, exponencial...) ou a uma taxa mais baixa (ex.: linear, logarítmica) - permitindo por exemplo atingir tolerâncias de 90% ou mais.

  • Já conseguiu esclarecer sua dúvida? – gato 10/06/16 às 20:23
  • @drmcarvalho Já faz um tempo que fiz essa pergunta, e acabei me esquecendo do assunto hehe! Na verdade já tive algum contato com a parte teórica (embora continue com certa dificuldade de entendê-la), mas estou completamente perdido com a parte prática. Vou dar um "bump" na pergunta, de repente alguém que manja mais do assunto se manifesta... – mgibsonbr 10/06/16 às 21:44
  • Eu escrevi meu próprio codificador de QR, mas dava vontade de chorar ao ler a documentação. Para a parte polinomial eu fui cortando caminho em tudo quanto é lugar que deu (usando tabelas pré calculadas, e simplificando em alguns casos com array para indexar as potências). Eu sabia que eles tinham complicado na geração para simplificar a leitura, mas exageraram :) - Espero que alguém trate do assunto nas respostas, agora que tem o bounty, pois apesar de ser um treco chato de implementar, é bem rico em detalhes. – Bacco 10/06/16 às 21:56
  • 2
    Sobre a última pergunta, em geral essas técnicas são usadas quando o canal de comunicação é ruidoso (ondas de rádio, imagens de código de barra, etc). Para canais não ruidosos (como uma conexão de rede) normalmente não tem problema fazer um checksum simples e reenviar os dados se tiver problema. BTW a página da wkipédia sobre Forward Error Correction tem mais detalhes do que a que está linkada na pergunta. – hugomg 10/06/16 às 22:04
  • MelGibsonbr, kkk, o Computer Network do Tanenbaum, aborda esse assunto no cap 3, se é que entendi bem sua pergunta...É bem interessante, mas não estou apto a explicar... Aliás, vou ficar ligadão, pra ver se alguém se habilita, pq é mais matemática binária do que código de alto nível... Dá pra fazer uma idéia-en.wikipedia.org/wiki/Cyclic_redundancy_check – MagicHat 10/06/16 às 22:06
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+75

¯\_(ツ)_/¯

Detecção e correção de erro (Error detection and correction)

  • O que são e como funcionam os códigos corretores de erros ?

Definição

São técnicas que permitem a entrega de dados de modo mais confiável através dos canais de comunicação.

Introdução

Detecção e Correção, são termos que caminham juntos sendo impossível a aplicação do segundo sem a eficácia do primeiro.

Os canais de comunicação no nível físico de modo geral são suscetíveis a sensíveis falhas, causando muitas vezes a perda ou fragmentação de dados.

"Funcionamento, quais os princípios por trás da técnica, é possível o código "corrigir" pra algo diferente dos dados originais ?"

Existem 2 métodos mais conhecidos para correção de erros:

  1. Solicitação de repetição automática (ARQ - Automatic repeat request):

    Utiliza "acknowledgements" (confirmações através de mensagens enviadas pelo receptor indicando que recebeu corretamente um quadro de dados ou pacote ) e "timesout" (períodos de tempo que antecedem uma confirmação de recebimento) de modo a realizar uma transmissão de dados confiável. Caso o emissor não receba uma confirmação do receptor antes que o "timeout" complete seu ciclo, o pacote é retransmitido até a origem receber uma confirmação ou ultrapassar um número pré-definido de tentativas.

acknowledgements

ACK

timeout

Timeout

Existem 3 protocolos principais que utilizam o método ARQ.

Todos tem base no Sliding window protocol.

2- O segundo método é o Forward error correction (Avançado corretor de erro):

O remetente codifica o código de forma redundante usando um código de correção de erros(ECC), através da redundância adicionada ao código o receptor recupera os dados originais, em geral os dados reconstruídos são considerados "os mais prováveis" dados originais. A base para esse método, são os trabalhos de Richar Hamming, autor do código de Hamming e código Hamming(7,4).

Os 2 principais métodos (ARQ e FEC) quando combinados corrigem pequenos erros e evitam a retransmissão e os principais erros são corrigidos através de 1 pedido de retransmissão : esse processo é chamado de (HARQ) hybrid automatic repeat request.

Os principais princípios que fazem parte da base para a aplicação são:

A explicação da lógica utilizada vai além do escopo dessa resposta, mas verificando os links, ou fazendo uma pesquisa aprofundada sobre as nomeações acima pode-se encontrar o total esclarecimento do funcionamento.

  • "Quais as limitações, qual a melhor taxa que se pode esperar na prática?"

Hoje em dia, devido ao avanço na confecção dos meios físicos, a tolerância em alguns meios é perto de 0 (fibra ótica), e pode ser conquistado em alguns laboratórios especiais. No entanto a diversidade de meios, nos faz considerar por exemplo as transmissões via rádio que dependem de um ambiente controlado, o que não é possível no dia dia, pois chuvas, ventos, topologia e outros detalhes naturais ou não, interferem diretamente na comunicação. Para quadros codificados pelo CCSDS código Reed-Solomon , menos de 1 em 40.000 quadros errados podem escapar da detecção.

  • "Há algum ponto a partir do qual os códigos se tornam excessivamente
    longos (tendendo pro infinito, é claro)?"

Em tese, a teoria do algorítimo, afirma ser uma sequência finita de instruções. Os algorítimos de detecção e correção, são relativamente curtos, pois atuam sobre partes de tamanho definido (pacotes). No entanto, essa asserção é aplicada aos meios comerciais simples, e levando em consideração a criptografia militar, sondas espaciais e outras aplicações, creio que realmente podem tender pro "infinito", ou algumas milhões de linhas... Apesar que o uso da lógica serve exatamente para inibir está ideia, eu acho...

  • "E esses códigos corrigem erros em posições arbitrárias nos dados (ex.: início, meio, fim, 1 bit a cada 8, qualquer combinação das anteriores, etc) ou só alguns tipos de erro específicos?"

Eles atuam sobre partes pré-determinadas dos pacotes, ou seja, sim, a arbitrariedade no caso não é o começo, meio ou fim, mas o erro detectado em si.

O Comité Consultivo para Sistemas Espaciais de Dados ( CCSDS ) define o protocolo utilizado para a transmissão de dados de instrumentos de nave espacial através do canal do espaço profundo. Segundo este padrão, uma imagem ou outros dados enviados a partir de um instrumento de nave espacial é transmitida utilizando um ou mais pacotes, variando de 7 a 65.542 bytes, incluindo o cabeçalho do pacote. Esses por sua vez são transmitidos através de quadros de até 2048 bytes.

  • "Em que cenários isso é usado na prática?"

    • Internet

    • Telecomunicações no espaço profundo

    • Radiodifusão via satélite

    • Armazenamento de dados

    • Memória com correção de erro

  • "Existem bibliotecas prontas pra fazer isso, ou é preciso implementar à mão, caso a caso (dependendo das particularidades de cada aplicação)?"

O conjunto de códigos e protocolos utilizados para a construção de progrmas direcionados a essas tarefas é denominado Protocolos elementares de enlace de dados. E o código do protocolo é por sua vez um conjunto de classes.

Algumas definições utilizadas nos protocolos apresentados são armazenadas no arquivo protocol.h

#define MAX_PKT 1024  // Packet size in bytes
typedef enum {false,true} boolean;
typedef unsigned int seq_nr // seq or ack numbers
typedef struct {unsigned char data[MAX_PKT];} packet
typedef enum {data, ack,nak} frame_kind

typedef struct{
  frame_kind kind;
  seq_nr seq;
  seq_nr ack;
  packet info;
} frame;

void waif_for_event(event_type *event);
void from_network_layer(packet *p);
void to_network_layer(packet *p);
void from_physical_layer(frame *r);
void to_physical_layer(frame *s);
void start_timer(seq_nr k);
void stop_timer(seq_nr k);
void start_ack_timer(void);
void stop_ack_timer(void);
void enable_network_layer(void);
void disalbe_network_layer(void);
insira o código aqui
#define inc(k) if(k<MAX_SEQ) k++; else k=0

Exemplos de protocolos e códigos

Pipelining e recuperação de erros. Efeito de um erro quando (a) o tamanho da janela receptora é igual a 1 e quando (b) o tamanho da janela receptora é grande

Pipe

Nota sobre esclarecimento:

Na pratica esses protocolos são utilizados de forma embutida nos hardwares responsáveis pela transmissão e recepção dos dados, e são abstraídos das camadas mais próximas do usuário final, por isso passa desapercebido.

Agradecimento especial a Tanenbaum

  • Desculpe não ter respondido antes, mas deixei meu último comentário pouco antes de dormir e não pude responder apropriadamente. Por favor não leve pro lado pessoal. Vamos lá: 1) Lamento se minha pergunta não foi clara. Me referia especificamente ao forward error correction, tal como linkado pra Wikipedia, e não tenho interesse [nessa pergunta específica] em ARQ. Comentei "noto que na prática se é erro de comunicação, retransmite" e achei que tinha deixado claro que a pergunta não era sobre esse tipo de técnica. Vou tentar me comunicar melhor da próxima vez. – mgibsonbr 11/06/16 às 17:25
  • 2) Sua resposta original - citando e explicando a distância de Hamming e coisas assim - de fato foi muito relevante e direto no ponto que eu queria. Mas ainda assim, era cópia de conteúdo protegido, e isso é sério. Deixei aquele comentário justamente pra te dar a oportunidade de corrigir o problema você mesmo, antes de notificar à moderação, mas dado o momento que isso aconteceu (1:30 da madrugada no meu fuso horário) não tive como elaborar mais. Agradeço o esforço de pesquisa, e acho que o material citado é uma excelente referência (como link, não como cópia). – mgibsonbr 11/06/16 às 17:34
  • 1
    "Didática" é só uma das qualidades que uma resposta por ter, não necessariamente a melhor. Um manual de operações não é didático, um tutorial sim. Às vezes você precisa de um, às vezes de outro. Dito isso, vou parar por aqui, antes que isso se transforme num bate-boca... – mgibsonbr 11/06/16 às 18:05
  • 3
    @MagicHat acho desnecessário comentários como este a explicar o que didática é depois de já ter sido referido o que falta na resposta. Se deres uma olhada às respostas do mgibsonbr vais vêr que são didáticas e bem explicativas. Acho que, neste caso, se ele comenta que faltam coisas na resposta é de aproveitar e aprender com isso. Não é todos os dias que temos alguém bem experiente a sugerir melhorias no que fazemos. É assim que nos melhoramos, com desafios. – Sergio 13/06/16 às 5:19
  • 1
    Agora que a poeira baixou, deixe-me tentar de novo: quando um usuário faz uma pergunta, é prerrogativa dele qual resposta aceitar, ou nenhuma, se não estiver satisfeito. Idem pra quem concede uma recompensa. Os votos, por outro lado, são um reflexo da comunidade, e se sua resposta está sendo bem recebida pela mesma - como a sua está - é isso que realmente importa, não a opinião de um usuário particular como eu. Por fim, citando a Central de Ajuda, 'se a sua motivação for “eu gostaria que outros me expliquem ______”, provavelmente está no lugar certo'. Se alguém se dispuser, ficarei agradecido. – mgibsonbr 13/06/16 às 23:30

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