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Já construí alguns sistemas e sites multilíngues, e nas ferramentas que conheci parece haver uma tendência a se utilizar a string no idioma original da aplicação (geralmente inglês) como chave para as respectivas traduções.

Por exemplo, num arquivo POT do gettext:

msgid "My name is %s.\n"
msgstr "Meu nome é %s.\n"

Dessa maneira, com o gettext, um código hipotético deveria ser alterado de

printf("My name is %s.\n", nome);

para

printf(_("My name is %s.\n"), nome);

O gettext tem até uma ferramenta que varre o código procurando chamadas da função _, e gera o arquivo POT no formato acima, faltando somente preencher o texto traduzido.

Tutoriais de outras ferramentas costumam induzir a práticas semelhantes. Porém o uso desse tipo de solução já me causou muitos problemas. Aqui no próprio Stack Overflow em Português, por exemplo. Toda vez que um texto qualquer é alterado no original em inglês, surge uma nova tradução pendente no Transifex, sem nenhuma referência à versão anterior do original ou da própria tradução. Isso causa muito trabalho duplicado, muita inconsistência, e potencialmente muito texto traduzido e não utilizado (por ter ficado defasado).

Me parece fazer mais sentido usar nomes mais significativos como chaves do dicionário, por exemplo "CloseLinkText" ou algo do tipo. Porém é muito raro ver alguém recomendar isso, ou mesmo ver softwares que usam esse tipo de chave.

Perguntas

  • Existe algum bom motivo que justifique a disseminação dessa prática de usar as strings em inglês como chaves?

  • Há alguma desvantagem grande, que eu estaria deixando de enxergar, em usar chaves que dêem um pouco mais de contexto sobre o que está sendo traduzido?

  • Em suma, por que tantos sistemas internacionalizados transformam o trabalho de tradução em um pesadelo? Não existe alternativa melhor?

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    "Me parece fazer mais sentido usar nomes mais significativos [...]". O que é mais significativo do que o próprio texto no idioma original? Do jeito que você sugere, você só criou uma "coluna" a mais (equivalente a um novo idioma a ser manipulado). Aliás, lembrar tais "chaves" quando é necessário reusar uma string é muito mais difícil do que lembrar o texto original (e se o contra-argumento for automatização com listas de escolha, bom, por que não exibindo o texto original?). :) – Luiz Vieira 18/05/15 às 21:58
  • Usar como chave o texto a traduzir leva a reutilização natural das frases já traduzidas. Os ficheiros PO e afins têm também "espaço" e costume de guardar mais contexto como comentário. Há tambem um grande volume de ferramentas que usam esses formatos (exemplo POedit, virtaal, translate-toolkit, omegat, etc), – JJoao 18/05/15 às 22:09
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    @LuizVieira Você tem razão ao dizer que o próprio texto é auto-explicativo, em geral ele é mesmo (às vezes, quando é uma palavra solta, fica complicado entender o contexto). Eu acho que ter um identificador imutável evitaria outros problemas, mas como pouca gente faz isso deve ter alguma desvantagem muito grande. Seu argumento ainda não me convenceu :) Quanto a reusar strings que sejam o próprio texto, isso também tem seus próprios problemas – por exemplo, "read" (lido) em certos contextos precisaria ser "lidos", em outros precisaria ser "ler", e por aí vai... – bfavaretto 18/05/15 às 22:10
  • É verdade, existem muitos problemas. Eu até acho que o pior não é a tradução, mas a localização propriamente dita (tamanho de texto em botões, por exemplo). De todas as formas, meu ponto é que o uso de chave não os resolveria. Esse seu exemplo é muito propício: ter chaves distintas para indicar singular e plural só é necessário se de fato a palavra ocorrer nos dois contextos. E o profissional responsável por fazer a localização vai precisar necessariamente considerar o contexto ao fazer a tradução (não somente o texto original, tampouco qualquer chave que você produza...) :) – Luiz Vieira 18/05/15 às 22:32
  • Em outras palavras: os problemas mencionados são um fato, mas eu desconheço bons argumentos que comprovem que o uso de chaves diferentes do texto original torne o processo de trabalho (que é a tradução propriamente dita e o reuso do texto pelos programadores) efetivamente melhor. De todas as formas, isso é só o meu educated guess (por isso só estou comentando, e não vou me atrever a responder...). :) – Luiz Vieira 18/05/15 às 22:38
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Se o idioma de quem está elaborando o programa é inglês, ou os desenvolvedores envolvidos conhecem bem o inglês, me parece muito mais produtivo e claro usar a mensagem original, "fingindo" que outros idiomas não existem.

No exemplo específico que você deu, você consegue ver as máscaras, o que é importante (se o número de máscaras for maior que o número de parâmetros adicionais do printf(), o programa vai quebrar). Este é um bom motivo.

Localização/internacionalização é sempre um pesadelo. Os maiores problemas são: tamanho que a mensagem traduzida vai ocupar na interface de usuário, e diferenças culturais/de jargão que o tradutor pode ignorar, e se você não conhece um pouco do idioma traduzido, não tem nem como verificar.

Não acho que o POT seja o pior esquema, nem tampouco provoca nem resolve os grandes problemas da localização acima citados. Se a mensagem original for mudada, pelo menos isto fica explícito (pois pode ser detectado automaticamente no build).

No Android, onde é costumeiro usar labels R.id. em vez das strings originais, ocorre o problema oposto: alguém muda a mensagem original em inglês, as traduções continuam valendo mas talvez elas não sejam mais adequadas ao novo tamanho que a nova mensagem ocupa na interface de usuário, ou talvez a nova mensagem seja completamente diferente, e manter as traduções velhas é desvantagem.

Reconheço que uma vantagem do label em vez da string em inglês original é quando uma mesma mensagem é utilizada em diferentes contextos (menu e título, por exemplo), e talvez a tradução tenha de ser menos prolixa no menu pois o espaço disponível é menor.

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