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O código Java a seguir apresenta a sobrescrita de métodos em uma classe com herança, mas não consegui entender qual é o critério para o compilador escolher qual método vai utilizar. Ao rodar o código, é impresso na tela a string "lmnoplmnop"

  1. No trecho de código "Va1 o = new Va2()" o que posso esperar de um objeto Va2 sendo criado, mas armazenado como objeto Va1?

  2. Pelo que pude entender, o código lê o método getStr() de Va1, porém tal método esta sobrescrito em Va2. Por que, então, não é lido o método getStr() de Va1?

  3. Ao executar fin() e chamar ini(), dessa vez ele lê o ini() definido em Va2, sobrescrevendo o ini() de Va1, diferente de como fez com o getStr(). Por quê?

Ao ler esse código, não consegui compreender qual caminho eu devo esperar de um compilador do quesito sobrescrita de métodos.

public class Va1 {
    public static String getStr() {
        return "abcdefghijklmnop";
    }
    public String ini(String s, int cpr) {
        return s.substring(0, cpr);
    }
    public String fin(String s, int cpr) {
        return ini(s, cpr)+s.substring(s.length()-cpr, s.length());
    }
}
public class Va2 extends Va1 {
    public static String getStr() {
        return "0123456789ABCDEF";
    }
    public String ini(String s, int cpr) {
        return s.substring(s.length()-cpr, s.length());
    }
    public static void main(String[] args) {
        Va1 o = new Va2();
        System.out.println(o.fin(o.getStr(), 5));
    }
}

2 Respostas 2

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No trecho de código "Va1 o = new Va2()" o que posso esperar de um objeto Va2 sendo criado, mas armazenado como objeto Va1?

Você pode esperar que funcione :-)

Primeiramente, a especificação da linguagem deixa bem claro que isso é perfeitamente válido:

A variable of a class type T can hold a null reference or a reference to an instance of class T or of any class that is a subclass of T.

Ou seja, se você declara uma variável do tipo Va1, ela pode receber como valor uma instância de Va1 ou de qualquer uma de suas subclasses (como por exemplo Va2).

O que acontece é que, ao chamar um método usando esta variável, é usado o tipo da instância, e não o tipo da variável.

Ou seja:

  • o método o.fin é chamado. Mas este método não existe em Va2, então ele usa a implementação que foi herdada de Va1
  • dentro do método fin, ele chama o método ini
  • mas Va2 sobrescreveu o método ini, ou seja, ele tem sua própria implementação
  • e como o é uma instância de Va2 (pois este é de fato o tipo do objeto criado, independente do tipo da variável ser da classe "mãe"), então o método ini de Va2 será chamado

Este processo de determinar em tempo de execução qual método de qual classe será executado é chamado de dynamic dispatch


Porém, isso não acontece com métodos estáticos.

Na verdade, para evitar confusão, um método estático só deveria ser chamado usando-se o nome da classe: Va1.getStr() ou Va2.getStr(). Mas o Java permite que eles sejam chamados através de instâncias (como você fez com o.getStr()). Só que no caso de métodos estáticos não há o dynamic dispatch, e ele usa o tipo da variável (independente do tipo da instância que foi criada). Por isso no seu caso ele chama Va1.getStr().

Se quer que a chamada seja feita em Va2, você pode mudar o método para não ser estático, assim ocorrerá o dynamic dispatch. Ou então chame explicitamente com o nome da classe (Va1.getStr() ou Va2.getStr()), caso queira sempre um deles.

Para ler mais sobre essa diferença, veja aqui.

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  • Muito obrigado pela atenção! Aprendi muito com a resposta e eliminou qualquer confusão. Commented 29/03/2023 às 20:23
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No trecho de código "Va1 o = new Va2()" o que posso esperar de um objeto Va2 sendo criado, mas armazenado como objeto Va1?

Quase isso. Será armazenado Va2, mas será interpretado como Va1 se usar de forma direta a variável o.

Pelo que pude entender, o código lê o método getStr() de Va1, porém tal método esta sobrescrito em Va2. Por que, então, não é lido o método getStr() de Va1?

O método getStr() é estático e pertence à classe, e não à instância, ao objeto. Então não tem herança, não tem polimorfismo, e não tem sobrescrita ali, ele chama o tipo da classe. Então vale o tipo que está declarado, não o tipo do objeto, porque não se trata do objeto é só sobre o tipo que está acessando, o tipo da variável.

Ao executar fin() e chamar ini(), dessa vez ele lê o ini() definido em Va2, sobrescrevendo o ini() de Va1, diferente de como fez com o getStr(). Por quê?

O objetivo da sobrescrita é justamente permitir ao objeto usar a sua implementação, mesmo que o tipo normal da variável do objeto não seja o mesmo, portanto, o que vale sempre é o que o objeto provê. Sem o polimorfismo valeria o tipo e não o objeto.

Tem linguagem que não permite membros estáticos serem acessados pela variável do objeto, só através da classe mesmo, justamente porque é confuso e pode dar um resultado não esperado. Embora dê alguma facilidade é falso que está acessando o membro daquele objeto, como a variável dá a entender, porque a variável não tem aquele membro, quem tem é a classe.

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  • Muito obrigado! Ajudou muito! Commented 29/03/2023 às 20:24

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