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Estava com essa dúvida, e ao ser esclarecido da mesma me surgiu outra, que gostaria que fosse melhor esclarecida.

  • Qual a diferença entre Exception e RuntimeException?
  • Quando utilizar Exception ou RuntimeException?

Se possível um exemplo didático do uso de Exception e RuntimeException.

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RuntimeException deve ser usada quando a exceção pode ser prevenida. Use ela, indiretamente, quando quer sinalizar para o programador usuário do seu código que ele pode tentar resolver o problema quando esta exceção for lançada. Por causa disto ela é considerada uma exceção não checada.

Elas são muito usadas em erros de programação que só podem ser verificados em tempo de execução, por isto não é obrigado capturar. Erro de programação deve deixar a aplicação quebrar. Eles só ocorrem porque não foram prevenidos antes de acontecer, por isto são chamados erros de programação. Uma verificação antes do erro ocorrer resolverá o problema. Exemplos de erros deste tipo são ArrayIndexOutOfBoundsException e NullPointerException.

Nada impede de você criar suas próprias derivadas desta classe. Você só não deve fazer isto porque não quer ter o trabalho de capturar depois. A filosofia do Java é que sempre que for possível fazer algo com o problema, uma exceção deve ser capturada, então este tipo de exceção deve ser evitada tanto quanto possível. O que não quer dizer que qualquer exceção deve ser capturada. Mesmo as exceções checadas muitas vezes o melhor é delegar para outro método. E as não checadas só devem ser capturadas se naquele contexto você consegue fazer algo para se recuperar do erro, mesmo que seja apresentar uma mensagem personalizada.

Para erros que devem ser prevenidos usa-se a Exception que é mais genérica e envolve qualquer exceção, inclusive ela pode ser uma RuntimeException já que todas as exceções devem ser derivadas de Exception. Também é usada indiretamente. Ela é considerada um exceção checada. Ou seja, todas as exceções que não são RuntimeException são checadas. Exemplos são todas derivadas e a própria IOException ou DataFormatException. Estas exceções ocorrem em situação que o programador não costuma poder controlar, depende do uso da aplicação e talvez só o usuário dela é que pode fazer alguma coisa.

Quando uma exceção checada é usada, o código deve capturá-la ou usar throws (há exemplos de uso e mais informações nessa pergunta) no método para delegar sua captura. As exceções de runtime não precisam fazer isto, como o próprio nome indica elas não devem ser consideradas pelo compilador. Claro que cabe ao programador analisar a situação e decidir se aquele caso deve usar uma exceção checada ou não, quando é opcional. Há casos que mesmo um erro de runtime deveria ser obrigado a ter algum tratamento quando o seu fluxo depende daquilo correto e algo pode ser melhor tratado.

É importante salientar que o uso destas classes é indireto porque o ideal é lançar exceções derivadas delas e não elas mesmas que são muito genéricas e idealmente até deveriam ser abstratas. Sempre deve-se lançar as exceções mais específicas possíveis.

Documentação de exceções.

Hierarquia Java Exception

Hierarquia Java Exception

  • Obrigado @bigown, sua resposta me ajudou a compreender um pouco melhor, o que é, e quando usar cada uma. +1 – Fernando Leal 25/03/15 às 0:44
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Você pediu exemplos didáticos. O que tenho é o que aprendi com a experiência.

No caso das checked exceptions vejo que é comum bibliotecas de manipulação de dados lançarem exceções relacionadas a I/O e a parsing de dados. A biblioteca "clássica" de I/O do Java por exemplo lança IOException, FileNotFoundException e EOFException, para citar as mais comuns. Bibliotecas de networking e comunicação HTTP por também realizarem I/O lançam no mínimo IOException. Um parser de JSON como o do json.org que vem junto com o Android pode lançar uma JSONException relacionada à leitura de um dado a partir de uma string JSON, já o Gson do Google pode lançar uma JsonSyntaxException.

Enfim, são situações em que a biblioteca em si não está preparada para lidar com o erro e opta por repassá-lo para um nível mais alto da pilha de chamadas ou call stack. Ela faz isso declarando que essas exceções, se ocorrerem, precisarão ser tratadas por quem faz uso daquela API. Essa é uma das vantagens de se trabalhar com exceções: assim como você pode tratá-las no ponto em que ocorrem, você pode também delegar esse tratamento para um nível que esteja mais capacitado para tratar, ou "se recuperar", do erro ocorrido.

Ao declarar isso na forma de uma checked exception, você está sinalizando o código "usuário" que aquele erro merece atenção e provavelmente algum tipo de tratamento. E costuma ser tipicamente um erro "recuperável": seu aplicativo pode se preparar para um JSON malformado, um arquivo não encontrado ou uma interrupção na comunicação em rede.

É diferente de uma runtime exception no sentido de que a runtime representa tipicamente um erro no funcionamento do código em si, um erro que você pega durante a execução e precisa corrigir o código e evitar que aconteça, como falou o @Maniero. Você precisa "blindar" seu código contra ela. Um parâmetro que não pode ser passado como null caso contrário lançará uma IllegalArgumentException ou uma NullPointerException, um estado que teoricamente não deveria acontecer sob pena de lançar uma IllegalStateException (exemplo: um método que só deve ser chamado pela thread de UI do Android e você involuntariamente chama a partir de uma thread secundária), para citar os tipos que mais uso atualmente. Quando meu código lança uma dessas exceções, eu admito que não espero que aconteçam, mas às vezes acontecem e eu sei que se trata de um defeito no código.

Eu confesso que já tratei IOException dentro de uma biblioteca minha de chamada a web services em vez de delegar para o código usuário. Eu "engolia" a exceção (quando muito logava) e retornava null na minha resposta. Foi uma péssima decisão de design. Meu código usuário não sabia quando vinha um null a partir de uma requisição bem-sucedida ou quando vinha a partir de um erro de I/O, e são duas situações diferentes que exigem tratamento diferente. Não era a minha biblioteca que precisava tratar exceções de I/O e sim o código que fazia uso dela.

Já em um código mais recente em que faço uso do Apache HTTP Client eu declarei o seguinte:

private HttpResponse executarRequisicaoSincrona(DataTransferRequest requisicao)
throws UnsupportedEncodingException, IOException {

Veja como esse método delega para outro nível duas checked exceptions, uma de I/O específica (que é a de encoding não suportado) e uma de I/O mais genérica. As duas são passíveis de ocorrer durante uma requisição HTTP em situações distintas e eu achei por bem não tratá-las no mesmo nível em que são lançadas e sim passá-las para a frente, pois nesse momento meu código não sabe ainda o que fazer com elas. Se soubesse, poderia tratá-las dentro do próprio método executarRequisicaoSincrona em vez de declará-las, mas não é esse o caso no meu código.

Espero que com essas experiências você possa ter uma noção mais precisa de quando usar ou lançar exceções dos dois tipos, checked e unchecked.

Atualização: Este link explica muito bem a diferença entre as duas e quando usar uma ou outra (na verdade ele explica quais são as melhores práticas sobre tratamento de exceções no Java). Eu o recomendo fortemente.

  • Piovezan, muito boas suas analogias a cenários reais, de bibliotecas populares, posteriormente revisarei com mais calma sua resposta e do @bigown, pois são definições que se deve entender bem, para utiliza-las nas situações adequadas. +1 – Fernando Leal 25/03/15 às 0:50
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    Aproveite e leia sobre algumas motivações por trás de checked e unchecked exceptions: docs.oracle.com/javase/tutorial/essential/exceptions/… – Piovezan 25/03/15 às 1:17

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