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Pensei em executar um código teste que aninhasse duas funções para debugar o funcionamento, ficando como abaixo:

def a(num1):
    resul = num1 * 10
    return resul
    
def b():
    return a
    
var = b()

print(var(11))

Como a princípio havia executado normalmente, resolvi acrescentar mais uma função no aninhamento para testar se usaria a sintaxe correta, então o código ficou assim:

def a(num1):
    resul = num1 * 10
    return resul
    
def b():
    return a
def c():
    return b
    
var = c()

print(var(11))

Entretanto aqui temos o seguinte erro em return b:

B() takes 0 positional arguments but was given 1

Após alguns testes, verifiquei que o erro só era consertado após mudar a linha que retorna a função b para return b() explicitando os parênteses, mas a questão é que eu não faço ideia do porque isso funciona e porque o sistema quebra se eu tentar fazer como acima. Ao final da página, a versão do código que funcionou:


def a(num1):
    resul = num1 * 10
    return resul
    
def b():
    return a
def c():
    return b()
    
var = c()

print(var(11))

Por que estes parênteses fazem diferença?

2 Respostas 2

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Antes, um breve resumo. Suponha que eu tenho esta função:

def f():
    return 'ok'

Para chamar a função f eu preciso dos parênteses, veja a diferença:

# sem parênteses, "f" é a própria função
print(f) # <function f at 0x7f88f5d36dc0>

# com parênteses, "f()" chama (executa) a função, e o retorno dela é passado para print
print(f()) # ok

Ou seja, sem parênteses, f é a própria função. Ao usar parênteses (f()), estou executando a função, e o retorno dela (que no caso é a string 'ok') é que é passado para print.

Só que a função f foi declarada sem parâmetros, ou seja, ao chamá-la eu não posso passar nenhum argumento: não pode ter nada entre os parênteses. Por isso que f() funciona, mas f(1) não, pois neste caso estou passando o 1 como argumento, e dá erro:

f() # ok
f(1) # TypeError: f() takes 0 positional arguments but 1 was given

Mas se eu declarar a função de forma a receber um parâmetro, aí a situação se inverte:

# agora a função recebe um parâmetro
def f(n):
    return n * 10

# passando "1" como argumento
f(1) # 10
f() # TypeError

Agora vamos ao seu caso...


Quando você faz return b, está retornando a própria função b (ela não é executada).
Mas se você faz return b() (com os parênteses), está executando a função b, e está retornando o valor que a função b retorna.

Ou seja, sem os parênteses, a função c está retornando a função b:

def a(num1):
    resul = num1 * 10
    return resul
    
def b():
    return a

def c(): # retorna a função b (atenção: b não é executada)
    return b

var = c()
# var é a função "b"
print(var) # <function b at 0x7fa49838dd30>

print(var(10)) # erro

E como var agora aponta para a função b, então var(qualquer_coisa) dá erro, pois a função b não tem parâmetros: ela foi declarada com def b(), ou seja, não recebe nenhum parâmetro. A única forma de chamá-la corretamente é b(), se eu fizer b(qualquer_coisa) dará erro. E como var contém a função b, então a forma correta de chamá-la é var(), por isso que var(10) dá erro.


E por que funciona se adicionar os parênteses?

def a(num1):
    resul = num1 * 10
    return resul
    
def b():
    return a

def c():
    return b() # agora com parênteses, está executando b

var = c()
# veja que agora var é a função "a"
print(var) # <function a at 0x7f9443dedca0>

print(var(10)) # 100

Agora funciona porque b() (com parênteses) está chamando (executando) a função b, e o resultado desta (ou seja, o valor que ela retorna) é também retornado pela função c. E como b retorna a função a, então agora var contém a função a, e por isso que var(10) funciona (pois a função a recebe um parâmetro).


Se a função c fosse escrita assim, ficaria mais fácil entender?

def c():
    # chama a função b e guarda o resultado em uma variável
    resultado = b()
    return resultado

Ela chama a função b (repare nos parênteses, isso indica que estou chamando a função), e o resultado dela é retornado por c. E como b retorna a função a, então c acaba retornando a função a também.

Só que em vez de ter essa variável intermediária resultado, dá pra fazer tudo de uma vez (return b()).


Aliás, essa é uma coisa que vejo que muita gente (não só iniciantes) não entende. O return não precisa retornar somente uma variável, ele pode retornar qualquer expressão (primeiro a expressão é calculada, e depois o seu resultado é retornado). Tanto que a função a poderia ser escrita assim:
def a(num1):
    return num1 * 10

Mas aí já estou fugindo demais da pergunta...

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Você apenas se perdeu nas referencias das funções armazenadas nas variáveis.

Vamos pegar o exemplo que deu errado:

def a(num1):
    resul = num1 * 10
    return resul
    
def b():
    return a

def c():
    return b

Nesse exemplo você inicializou uma variável com o retorno de c:

var = c()

var contém a função b, uma função que recebe 0 parâmetros, então não faz sentido invoca-la como var(11), você deveria invoca-la como var():

var_2 = var()

Agora temos a variável var_2 que contém a função a. Essa sim é a função que recebe um parâmetro, seria essa a variável que você deveria utilizar no print:

print(var_2(11))

Alternativamente você também poderia fazer print(c()()(11)), sem armazenar o retorno das funções em variáveis.

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  • Testando um pouco mais acabei por entender o que exemplificou, mas ainda não entendo plenamente porque tal função só vem a quebrar na linha de def b() sendo que c() também não espera nenhum parâmetro e no entanto consegue nos retornar até b antes que o programa quebre. (me refiro ao código original) 5/01 às 19:21
  • O que parece é que quando eu digito c() ao invés de c ou algo parecido ele considera os contextos de retorno e tudo mais, essa hipótese é correta? 5/01 às 19:23

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