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Estou desenvolvendo um sistema que exigirá um locale específico para que funcione corretamente. Ou seja, não é só uma questão de interface de usuário, o sistema como um todo pode ficar inutilizável se o locale correto não for suportado (trata-se de funções de processamento de texto, que exigem por exemplo que as regras de maiúsculas/minúsculas e de collation sigam um padrão fixo). Gostaria de saber o que é necessário para garantir que o ambiente onde esse sistema será executado dê suporte a esse locale.

Desculpe se é uma pergunta básica, mas não sei se todos os sistemas [modernos] vêm com suporte para todos os locales ou se isso é algo que precisa ser configurado a nível de sistema operacional ou de aplicação. A título de exemplo, se no meu PC (Windows XP, locale/encoding Portuguese_Brazil.1252) eu tentar atribuir o locale para "Turkish", ele aceita normalmente (Turkish_Turkey.1254) - ainda que eu nunca tenha explicitamente instalado o suporte para o idioma turco... No entanto, ao tentar reproduzir um exemplo que usa esse idioma, não tive sucesso:

>>> locale.setlocale(locale.LC_ALL, 'Turkish')
'Turkish_Turkey.1254'
>>> u'mail'.upper() == u'MAIL'
True

(segundo o post, deveria dar False; será que isso está correto?)

Edição: fiz o mesmo teste com Java, e o resultado foi como esperado; acho que meu código Python é que está incorreto...

System.out.println("mail".toUpperCase().equals("MAIL")); // true
Locale.setLocale(new Locale("tr", "TR"));
System.out.println("mail".toUpperCase().equals("MAIL")); // false

Fiz o mesmo teste em um computador com Windows 7, e no servidor onde hospedo meu site (FreeBSD, usando tr_TR.UTF-8) e tive o mesmo resultado. Estranhamente, num computador com Ubuntu 12.04 não consegui atribuir esse locale... o que reforça a hipótese que uma configuração adicional pode ser necessária. (Edição: sim, conforme o comentário do @J. Bruni, é necessário instalar manualmente o locale no Ubuntu)

Detalhes adicionais:

  • Idealmente, gostaria que usuários em locales diferentes pudessem trabalhar com dados uns dos outros, i.e. se eu processo um texto em português e envio para um turco, ele possa reproduzir o meu resultado, e vice-versa. O importante então não é que um locale fixo seja usado em todo lugar, mas sim que o mesmo locale usado em um processamento possa ser usado por qualquer um que precise reproduzir o mesmo processamento (i.e. mesma entrada, mesma saída).

    De todo modo, a pergunta é a mesma: o que eu como desenvolvedor preciso fazer [durante o deploy] para garantir que o ambiente onde o sistema será instalado dê suporte apropriado ao(s) locale(s) necessário(s)?

  • No princípio, queria fazer isso no browser, via JavaScript. A nova classe Intl.Collator me parece promissora, desde é claro que os locales desejados sejam suportados. Na ausência disso, me satisfaço com soluções envolvendo plugins e/ou instalação local (independente de plataforma).

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    Pela minha experiência com o Ubuntu, o locale a ser utilizado precisa ser instalado. Inclusive, com o comando locale -a os locales já instalados e disponíveis no meu sistema são listados. – J. Bruni 12/02/14 às 1:14
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    @J.Bruni Valeu! Instalei o locale turco seguindo essas instruções, agora o resultado no Ubuntu está consistente com os demais. – mgibsonbr 12/02/14 às 1:22
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    @mgibsonbr tem várias possibilidades que me passaram quando li sua pergunta. Uma é você gerenciar as strings do seu aplicativo, outra é a questão das mensagens nativas do framework ou api( ok/cancel/retry), outra é a questão de formatos de datas, monetários etc. E ainda separado destas, tem a questão do seu app detectar qual o locale do user pra cada uma dessas coisas, como configurado no OS. (em outras palavras, locale "enche o saco" na hora de implementar, e é um problema generalizado isso. Tem muito mais gente perdida nisso do que parece, pq o assunto é cheio dos detalhes).. – Bacco 2/07/14 às 0:07
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    @Bacco Está certo, vou ver se eu "estreito" um pouco a pergunta: estou interessado principalmente em regras de collation: como exemplifiquei nos "Detalhes adicionais", se eu faço uma operação de uppercase no locale pt_BR (mail -> MAIL) e envio tudo - mesmo programa, mesma entrada - para um turco, se ele tentar reproduzir meu processamento ele vai ter um resultado diferente (MAİL). Eu gostaria, na medida do possível, que ele pudesse executar o meu código no locale pt_BR - de preferência sem ter que instalar nada no SO. – mgibsonbr 2/07/14 às 0:24
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    Ja tentou isso? $ dpkg-reconfigure locales – rafaels88 4/07/14 às 14:38
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Trabalhei na internacionalização e localização de alguns sistemas em Java. Não cheguei a usar idiomas muito diferentes dos ocidentais, como os que têm escrita da direita para a esquerda, mas vou relatar os pontos de atenção que provavelmente são importantes em todo o processo de localização.

Suporte aos locales

Suportar diferentes locales irá depender do suporte do Sistema Operacional se a linguagem em questão fizer uso de APIs nativas do sistema, o que provavelmente é o caso do Python e outras linguagens usadas primariamente no ambiente Linux/Unix.

Na plataforma Java, por outro lado, a máquina virtual traz certa independência quanto a isso. A documentação de locale do Java 5 informa que os JRE's (Java Runtime Environment) podem conter apenas alguns locales dependendo da versão instalada. Porém, o JDK (Java Development Kit) vem com todas as versões internacionais instalados.

O Java suporta o padrão ISO 639, que padroniza os idiomas com abreviações de duas letras, e o padrão ISO 3166, que padroniza os países e grandes regiões com duas ou três letras.

Definindo o locale em Java

Há duas formas de definir o locale em Java:

  1. Globalmente, para toda a JVM com o Locale.setDefault.
  2. Localmente, utilizando parâmetros para as classes de tratamento de datas, números, arquivos de tradução e qualquer método que dependa da localização.

A não ser para aplicações desktop, o método recomendado é sempre o segundo.

Em aplicações web, frameworks que dão suporte à localização e internacionalização armazenam o locale no escopo de sessão ou no escopo da requisição. O locale pode ser selecionado pelo usuário através de configuração ou pelo desenvolvedor por algum critério específico, por exemplo analisando cabeçalhos HTTP.

Suporte à internacionalização (I18N) em aplicações Java

A localização em Java é comumente feita através de arquivos .properties, pois já existem API's na plataforma que lidam bem com esse formato através de implementações como o ResourceBundle e praticamente todos os frameworks dão suporte a esse padrão.

É indicado adotar a codificação UTF-8 em todos os arquivos, fontes, páginas web e de texto.

Há um padrão para a nomeação de arquivos .properties que permite a trandução para novos idiomas sem alteração no código.

Exemplo:

resources.properties
resources_pt.properties
resources_es_ES.properties

Nos exemplos acima, se for usado um locale como new Locale("pt", "BR"), o Java tentará encontrar o arquivo cujo sufixo do nome seja _pt_BR. Não encontrando-o, ele carregará o arquivo _pt.

Se for usado um locale como new Locale("en", "US"), o Java tentará encontrar o arquivo cujo sufixo do nome seja _en_US ou _en. Não encontrando-os, ele carregará o arquivo resources.properties, que é o default.

É também possível ainda usar interpolação de parâmetros com a classe MessageFormat para deixar as mensagens mais flexíveis. Por exemplo, se você tiver um arquivo pt_BR com a mensagem:

mensagem=Página {0} de {1}

E outro en_US:

mensagem=Page {0} of {1}

Então basta carregar o arquivo de acordo com o locale do usuário e processá-lo conforme o exemplo:

ResourceBundle resources = ResourceBundle.getBundle("resources", localeUsuario);
String mensagem = resources.getString("mensagem");
mensagem = new MessageFormat(mensagem, localeUsuario).format(
    new Object[] { paginaInicial, paginaFinal });

A classe MessageFormat suporta alguns tipos de formatação, por exemplo:

mensagem=At {1,time} on {1,date}, there was {2} on planet {0,number,integer}.

Suporte à localização (L10N) em aplicações Java

O locale deve então ser usado em todos os trechos que processem informações localizadas. Por exemplo:

Pode parecer simples, mas é fácil, muito fácil, deixar passar detalhes no vai e vem de informações do front para o back-end.

Um detalhe muito importante é que o font-end deve estar sempre em sincronia com o back-end e isso implica em que os componentes visuais como date pickers ou masked inputs de números devem receber as respectivas formatações.

Nesse ponto, frameworks component based como JSF ou Struts ajudam com componentes que suportam localização automaticamente. Por outro lado, frameworks action based que estão "desacoplados" do front-end podem se beneficiar de componentes Javascript como os do jQUery UI que suportam máscaras.

Processamento de texto localizado

A plataforma Java fornece API's específicas para diferentes tarefas.

Para comparação de texto considerando a localização pode-se usar a classe Collator. Existem configurações bem específicas na classe, que valem a pena uma lida na documentação.

A classe Character fornece uma API para lidar com caracteres Unicode de forma genérica.

Para detectar letras e palavras em diferentes idiomas é possível usar a API BreakIterator.

Pontos adicionais

Além da linguagem, o banco de dados estar preparado para armazenar e recuperar dados nos idiomas suportados. Isso significa que se houver rotinas (procedures e functions) elas também devem considerar a localização. Nesses casos, é mais fácil deixar o processamento de textos para o sistema de forma que a preocupação fique centralizada em um ponto.

Também deve-se considerar a exibição de dados de diferentes localidades. Por exemplo, quando um usuários no Brasil visualiza uma página com informações geradas por um usuário da China. Infelizmente não há muito o que fazer quando o sistema operacional ou navegador não dão suporte aos caracteres de uma língua. No entanto, deve-se adotar na página web uma fonte com suporte a toda a faixa de caracteres Unicode suportada pelo sistema.

Outro ponto é a questão de busca e indexação. Não trabalho com sistemas de busca, mas dada as particularidades que os diferentes idiomas possuem, é visível que implementar uma busca genérica que funcione em qualquer localidade é muito complicado. Não é impossível, mas o sistema provavelmente irá precisar de implementações específicas, tal como considerar termos comuns que são ignorados, construções e composição de palavras, sinônimos, etc.

Considerações finais

I18N e L10N são tópicos complexos e, infelizmente, é muito difícil estabelecer regras gerais para qualquer localidade. E isso somente no escopo da plataforma Java.

Existe um tópico do JavaSE Tutorial para tratar especialmente sobre o assunto que aborda mais profundamente os tópicos resumidos na resposta.

No geral, ao processar os dados devidamente com algum API com suporte à localização, é possível receber e exibir informações de e para qualquer locale, de acordo com as regras de cada um.

Um artigo prático (em Inglês) que fala sobre isso é: Java Internationalization and Localization.

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    "Suportar diferentes locales irá depender do suporte do Sistema Operacional se a linguagem em questão fizer uso de APIs nativas do sistema..." "Na plataforma Java, por outro lado, a máquina virtual traz certa independência quanto a isso." É só isso que eu precisava saber, obrigado! Apesar de toda minha contextualização - e de frisar repetidas vezes que sou 100% n00b no assunto - as pessoas parecem estar lendo demais nas entrelinhas da pergunta... Essas informações - em particular as referências apresentadas - serão muito úteis pra me ajudar a definir minha estratégia. – mgibsonbr 6/07/14 às 21:17
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    @mgibsonbr Confesso que também li muito nas entrelinhas. O problema é que conhecemos sua reputação. Quando você diz que "não sabe muito" sobre algo, imaginamos que, ao invés de estar no 99º percentil do que mais sabem sobre o assunto, está apenas no 98º. :D – utluiz 6/07/14 às 22:12
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A questão é vaga, no sentido de abranger desde problemas de instalação no UBUNTU até questão de se implantar ou não um sistema em Web... E ter sido marcada apenas com as tags #localização e #cros-plataform. A resposta não precisa ser vaga, como já demonstrou o @utliz, mas me dou a liberdade de focar no que me parecem ser "prioridades do contexto". Outros podem editar, está em modo Wiki.

.. Lembretes ...

UTF-8

É um padrão "de facto" e "de jure", como já exposto nesta resposta. Todas as linguagens (inclusive Javascript) e todas as formas decentes de intercâmbio de dados (ex. JSON e XML) aceitam UTF8, e portanto podem lidar com localidades multiplas.

Tudo no sistema precisa rodar em UTF8: ao certificar-se disto, terá dado o primeiro e mais importante passo.

Se for banco de dados ou algo que envolva funções de ordenação de texto, em geral ao configurar charset (UTF8) também se configura a collation, que dá a ordem do charset. Aí é configuração de sistema, de framework ou de biblioteca, e precisa averiguar se pode ser configuração dinâmica (algumas bases de dados não permitem mudar, então complica na hora de misturar idiomas na mesma base). Capturar a configuração do servidor (ou mesmo do client) nem sempre é a melhor solução.

HTML

Trata-se da lingua franca, não apenas dos conteúdos da Internet, mas também de intercâmbio de conteúdos ou fragmentos de conteúdo. Ferramentas Javascript como o CKEditor podem ser plenamente localizadas, inclusive para o turco, permitindo edição plena (criação ou alteração de fragmentos de HTML) do idioma desejado.

Javascript

Apesar de todos traumas que temos com cross-browser e até com locale do Javascript, é ainda a linguagem com maior potencial de não fazer confusão com línguas (pelo contrário temos até detectores de lingua como este)... Muita gente aposta o Javascript justamente porque pode-se rodar o mesmo código (ex. validador de CPF ou detector de língua) no client (navegador), no server (ex. Node.js) e na base de dados (ex. PostgreSQL roda PL com Javascript).

Talvez você tenha problemas com funções nativas de resolução de datas, mas existem bibliotecas Javascript as mais variadas, e todo o restante é multilingual. Alias, jQuery é uma das ferramentas mais usadas para se reformatar interface dinâmica localizada. Se o caso for interpretar texto de diferentes línguas, mais um motivo, o acesso fácil ao DOM é fundamental.

Template multilingual

Existem princípios bem simples e gerais para se organizar as linguas da interface e mesmo das funcionalidades (ex. filtros e refinamentos linguisticos aplicados ao HTML editado)... Neste tutorial temos justamente um exemplo de como os templates multilinguais mais simples podem ser implementados.

Neste outro link temos um exemplo clássico de template multilingual, uma espécie de "locale" do Vaticano, usado desde 1600.

I18N e L10N

É o jargão da "velha guarda" para os tópicos discutidos na pergunta, "Multilingual and internationalization services": sistemas robustos (ex. Java) e sistemas mais antigos (ex Cobol, C++, etc.), usam esse jargão. Sistemas mais novos podem ficar com a noção mais geral de "locale"... No final é só uma questão de "se encontrar" nos manuais.

No universo UNIX/Linux foi o padrão POSIX que fixou as convenções que usamos até hoje.

L10N: datas, moedas, etc. Para jQuery existem iniciativas como o jquery-localize e o globalize... Cada linguagem, cada framework terá o seu.

Detecção

Deduzir o "locale" de um usuário pode ser uma arte... Saber com exatidão é até simples, mas requer esquemas de autenticação (ex. login e depois session) e um cadastro confiável. As deduções mais comuns são baseadas na hierarquia de usuários e na posição geográfica do client:

  • hierarquia: se cadastrou como "membro do departamento", por exemplo, o usuário herda os atributos de locale do departamento.

  • geolocalização do agente do usuário: celulares e servidores (ex. LAN onde se encontra o client) hoje respeitam padrões de geolocalização, que, para efeitos de locale, não precisam ser dados precisos (em geral basta o código do país).

Num formulário o campo mais importante para estabelecer o locale é o país, mas em países como Canadá, Holanda, India, etc. o usuário pode ter lá as suas preferências, então o campo idioma acaba sendo igualmente importante.

  • Sinto muito se a pergunta ficou vaga, tentei contextualizar o mais que pude, mas minha falta de conhecimento no assunto deve ter atrapalhado bastante. Coloquei os exemplos dos SOs (Windows XP/7, Ubuntu e FreeBSD) apenas para comparar o suporte padrão dado pelos mesmos, mas não buscava um SO específico. Da mesma forma, não sabia se o suporte era a nível de linguagem ou de SO (parafraseando a própria pergunta), daí o cross-platform, pois eu queria uma explicação em caráter mais geral mesmo. Em suma, estava completamente perdido, mas as respostas aqui - inclusive a sua - me ajudaram bastante. – mgibsonbr 6/07/14 às 21:27

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