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Estou tentando entender os arrays da linguagem C em uma máquina de 64 bits (portanto com tamanho de endereçamento de memória de 8 bytes). Ainda não consegui visualizar o que eles são.

#include <stdio.h>

void print_array(char *arr) {
   printf("%s\n", arr);
}

int main() {
    char c = 'A';
    char *c_ptr = &c;
    char arr[1];

    printf("c\t\t%d\n", c);
    printf("&c\t\t%ld\n\n", (long int)&c);

    printf("c_ptr\t\t%ld\n", (long int)c_ptr);
    printf("&c_ptr\t\t%ld\n\n", (long int)&c_ptr);

    arr[0] = 5;
    printf("arr\t\t%ld\n", (long int)arr);
    printf("&arr\t\t%ld\n", (long int)&arr);
    printf("&(arr[0])\t%ld\n", (long int)&(arr[0]));
    printf("arr[0]\t\t%d\n", arr[0]);
}

Saída:

c           65
&c          140722829046375

c_ptr       140722829046375
&c_ptr      140722829046376

arr         140722829046391
&arr        140722829046391
&(arr[0])   140722829046391
arr[0]      5

Estou entendendo que o caractere c que vale 65 ("A" em ASCII) fica no endereço de memória com final 75. Um ponteiro c_ptr apontando para esse mesmo endereço (isto é, com esse endereço como conteúdo) fica na posição com final 76.

O endereço da variável-apontadora na memória e o conteúdo desse endereço são diferentes nesse caso.

Por outro lado, vamos ver o array arr. A posição inicial do array (posição zero) fica no endereço de memória com final 91 e possui o valor 5.

Um array não é exatamente um ponteiro mas se comporta em alguns aspectos como um. A variável arr (que pode ser "enxergada" como um "ponteiro") fica no endereço com esse mesmo final 91 e seu conteúdo também é o endereço de final 91, o que não condiz com o cenário anterior com c_ptr.

Mais ainda, essa coincidência conflita com o fato do endereço de final 91 estar guardando o valor 5.

Qual sentido devo extrair dessas informações? Que tipo de estrutura tenho ali? Sei que a variável em tempo de compilação "desaparece", dando lugar a acesso direto aos endereços.

Tentando visualizar isso na memória, tenho:

| ...75 | ...76 | ...77 | ...78 | ...79 | ...80 | ...81 | ...82 | ...83 | ...84 | ...
|    65 | [Oito |bytes g|uardand|o o end|ereço c|om fina|l .... | ..75] |       | ...
       
| ...89 | ...90 | ...91 |
|       |       |     5 |

Não sei se está correto. Na verdade fazer essa ASCII art me fundiu a cabeça rs. Como devo enxergar a memória com relação a arrays, para entender melhor o que acontece?

1 Resposta 1

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Array e memória

Não existe array em C. Não na forma que encontra em outras linguagens.

A memória é o grande array da computação. A memória deve ser vista como se fosse um array, porque para todos efeitos é isso mesmo, é só uma coleção sequencial de bytes.

C acessa a memória, através de ponteiros, portanto o acesso é feito igual um array e é só isso que a linguagem sabe fazer, você diz onde desse enorme array quer começar acessar e em que posição vai acessar fazendo uma aritmética daquele ponto em diante pulando a quantidade de bytes que você disse que vai usar no tipo do seu array, e só, o resto é com você onde parar, e cuidar de todos os detalhes.

O exemplo

Estou entendendo que o caractere c que vale 65

Não, a variável c, que é do tipo char, tem o valor numérico 65, que pode ser representado também como A.

Quando você cria um objeto que deve ser um array está armazenando esse objeto de forma direta. Não armazena o ponteiro porque isso consegue ser obtido de forma direta, o compilador consegue gerar um código para acessar o conteúdo sem precisar pegar o endereço em tempo de execução em algum lugar diferente do código, ele calcula onde o conteúdo está pela própria pilha de objetos dessa função. O compilador sabe que o conteúdo está em um local tantos bytes depois de onde começa o segmento de memória da chamada dessa função. As variáveis locais de uma função funcionam de forma muito parecida com uma struct (cada membro, que não deixa de ser uma variável, seria uma variável local na função).

De fato o nome da variável desaparece, mas o endereço não, ele fica no próprio código. Note que isso acontece porque é algo local.

O endereço de um array é onde o objeto está, não tem um ponteiro armazenado em algum lugar. C convencionou dar o mesmo resultado para pegar o endereço do array ou ele diretamente, caso contrário ficaria (mais) confuso.

A tabela mostrando o estado da memória está correta.

Vendo como o código é em Assembly

Veja no Compiler Explorer como fica em Assembly, sem variáveis (os registradores são as variáveis do Assembly). Tente ler o código, ajuda a entender o que está ocorrendo de fato.

O mov é uma atribuição, é só colocar um = no lugar da , que fica igual linguagem de alto nível. O lea também, mas ele pega o endereço em vez do conteúdo, e o que está entre colchetes indica um endereço relativo. A aritmética é negativa porque na prática o a alocação é feita de cima para baixo, ao contrário do que é mais intuitivo para humanos.

RBP é o endereço da chamada desse segmento de memória. Veja mais em Como funciona o frame-pointer?, Estado de registrador em calling covention e O que são registradores e qual é o seu funcionamento básico?. Note que todos endereços dos objetos locais são relativos ao início da memória alocada para a função, o tal do RBP indica isso.

Se não existisse o stack frame poderia colocar um endereço fixo ali sem usar o RBP. Já existiram linguagem que faziam isso, não sei se ainda rola.

Conclusão

Então podemos entender que o array que está usando (char arr[1]) é apenas o mecanismo para armazenar um objeto com uma quantidade de bytes conhecida. Geralmente no stack frame, mas tem como ser dentro de outro objeto que pode estar em qualquer lugar. Ele será acessado sempre por um ponteiro, mas a forma como obtém esse endereço pode variar, pode ser calculado pelo código.

Não perguntou mas pode ficar curioso porque ele desloca 15 bytes em vez de 8 que é o tamanho do ponteiro: Como funciona o "padding" do C/C++?.

O mais correto quando vai imprimir um endereço é formatar com %p.

Uma sugestão é armazenar um array dentro de uma struct e ver o que acontece. Inclusive ver também como a struct acessa a memória. Pegue o endereço de argc e argv (os declare, claro) ou faça em outra função que tenha parâmetros.

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  • Causaria uma redução na resposta, o que seria uma pena já que está tão bem respondido, mas a dúvida maior era por que &arr == arr == &arr[0](até cogito ajustar o título). C convencionou assim para não causar mais confusão então? O que exatamente ele convencionou, que os dois primeiros devem ser exibidos iguais ao último, que é a posição inicial do "array imaginário"? Sobre não usar %p, eu sei, mas queria mostrar o endereço em decimal e o %p mostra em hexa. A não ser que exista %pd ou coisa parecida :)
    – Piovezan
    13/09/2021 às 1:30
  • Se for usar decimal deve ser %u para endereço de memória, mas é gambi. OS 2 últimos tem um lógica fácil de entender porque de fato arr tem como "endereço o primeiro elemento do array", que é exatamente o que está escrito no último item da comparação, até porque tem dois operadores sendo usados na expressão, então um manipula para obter um valor e o outro manipular esse valor para obter o valor que já tinha antes. Mas &arr é esquisito, como ele é pode igual ao arr? Se manipulou uma vez, intuindo, deveria dar outro resultado. Criaram uma convenção que daria o mesmo resultado. É confuso
    – Maniero
    13/09/2021 às 2:52
  • Por um momento achei que estava falando das duas comparações de igualdade, na verdade fala do lado direito da última. A comparação de igualdade que fiz não é literal, na verdade deveria ter sido quebrada em duas. O que quis dizer é que pelos valores exibidos na saída as duas comparações valem. Bom, acho que o jeito é aceitar que é confuso mesmo. Minha dúvida é o que foi convencionado exatamente, se foram o valor de variáveis array e o valor exibido por &arr. O último operando da segunda comparação eu entendo que seja simples cálculo mesmo, aplicação de operadores, não tem nada de convenção.
    – Piovezan
    13/09/2021 às 3:17

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