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Eu entendo o funcionamento da palavra-chave mod, explicado nesta questão. Para usuários do Python, mod funciona exatamente como a palavra-chave import. Isto é, para usar as funções e outros objetos definidas em um arquivo foo.rs, basta adicionar, no topo de main.rs, o comando mod foo.

No entanto, essa constatação me causou uma certa confusão porque, até então, eu acreditava que a palavra-chave use era o equivalente no Rust de import no Python.

Inclusive, quando tento fazer o mesmo procedimento acima com use, deparo-me com o seguinte erro:

1 | use foo;
  |     ^^^^^ no external crate `foo`

Para que serve o palavra-chave use, então?

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    Não, você não entendeu, use é parecido como import em Python, mas não é exatamente igual. mod não tem equivalente me Python porque o mecanismo se parece mas não é igual.
    – Maniero
    19/05 às 13:23
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A diferença é que eles fazem coisas diferentes. :D

mod

A palavra-chave mod declara um módulo em Rust. Módulos são utilizados para controlar escopo e privacidade. Para uma introdução ao conceito de módulos, veja aqui.

O mod pode ser utilizada de dois modos diferentes para criar módulos:

  1. Definindo, explicitamente, um bloco

    //# Arquivo `main.rs`
    
    mod math {
        pub fn add(a: i64, b: i64) -> i64 { a + b }
        pub fn sub(a: i64, b: i64) -> i64 { add(a, -b) }
    }
    
    // Podemos utilizar `math::add` e `math::sub` aqui.
    

    Acima, criamos um novo módulo, qualificado como math. De fora desse módulo, para utilizar uma de suas funções expostas, é necessário utilizar o nome do módulo.

    Repare que, dentro de math, é possível referir à função add somente como add (como fiz para implementar a função sub). Mas, de fora do módulo, como disse acima, é necessário utilizar math::add.

  2. Definindo via outro arquivo

    //# Arquivo `math.rs`
    
    pub fn add(a: i64, b: i64) -> i64 { a + b }
    pub fn sub(a: i64, b: i64) -> i64 { add(a, -b) }
    

    E:

    //# Arquivo `main.rs`:
    
    mod math;
    
    // Podemos utilizar `math::add` e `math::sub` aqui.
    

    Note que, sob a perspectiva do main.rs, nada mudou. Nele, assim como no exemplo anterior, definiu-se um novo módulo, qualificado como math. A diferença é o local em que o conteúdo do módulo foi definido.

    No caso, quando a diretiva mod é utilizada sem definir um bloco explicitamente, ela criará um novo módulo com o nome fornecido e buscará o conteúdo do módulo em um arquivo com nome correspondente.

    Repare que o módulo não é definido no arquivo math.rs. Ou seja, o arquivo math.rs não é a definição de um módulo. Isso é frequentemente um ponto de confusão no Rust já que algumas linguagens (como JavaScript) operam diferentemente. A definição do módulo ocorre em main.rs, através da diretiva mod math.

Com isso, podemos concluir que um módulo em Rust é criado pela diretiva mod. O conteúdo do arquivo pode ser definido diretamente, com um bloco seguindo mod <name>. Também pode ser definido no arquivo de <name>.rs.


use

A diretiva use é, quando aliada ao mod, um ponto de confusão. Em muitas linguagens (como JavaScript e Python), o conceito de módulos geralmente associa-se a uma única palavra-chave, como import. Rust adota uma abordagem um pouco diferente e, por isso, pode parecer "estranho". Mas na verdade é bem simples. Vejamos...

Já vimos que um módulo pode ser definido utilizando a palavra-chave mod. A partir desse momento, poderemos acessar o conteúdo do módulo utilizando um caminho de módulo.

Nos exemplos anteriores, de main.rs, o caminho para chegar à função sum, do módulo math, é math::sum. Se existissem vários módulos aninhados (o que é comum em Rust), seria algo como std::fs::read_to_string. Nesse caso, trata-se de uma função chamada read_to_string, interior ao módulo fs que, por sua vez, é interior ao módulo std.

Então para que serve o use?

Já vou dizer o que o use não é. O use não é um mecanismo para importar módulos. Isso significa que o use não serve para trazer nada de novo ao escopo. Tanto é que, se você tentar usar use com algo que não está no escopo, dará erro.

O use serve para encurtar o caminho a membro(s) de um módulo.

Em relação ao exemplo do começo da pergunta, se, em main.rs, fosse utilizada a função math::add várias vezes, seria repetitivo ter que digitar math::add toda vez. Nesse caso, poderia-se fazer:

mod math; // Define o módulo `math` com os membros de `math.rs`.

// Elevo o "escopo" de `add`. Note que estou, essencialmente,
// encurtando o caminho até o membro (no caso, função) `add`:
use math::add;

// Agora posso chamar como:
math::add(1, 2); // Válido, caminho completo. OU:
add(1, 2); // Também válido (caminho encurtado definido pelo `use`).

Repare que, ao fazer use math::add, encurta-se o caminho para acessar a função add. Agora, não mais preciso prefixar com math::. Apenas add já basta.

Em relação ao std::fs::read_to_string, geralmente o programador faz isto:

use std::fs;

// Pode utilizar como:
std::fs::read_to_string("./Cargo.toml");
fs::read_to_string("./Cargo.toml"); // Faz uso do encurtamento criado pelo `use` acima.

Mas também poderia ser:

use std::fs::read_to_string;

// Pode utilizar como:
std::fs::read_to_string("./Cargo.toml");
read_to_string("./Cargo.toml"); // Faz uso do encurtamento criado pelo `use` acima.

Então, o use (mais detalhes aqui) pode ser utilizado como meio para encurtar caminhos de módulos. Em suma, com ou sem o use, ainda seríamos capaz de acessar a função read_to_string. A diferença é que o use nos permite abreviar esse caminho. É extremamente útil quando utilizamos o mesmo caminho várias vezes e se quer evitar repetições.

Não se pode utilizar use em algum nome que não existe no escopo atual.

É por isso que deu erro (conforme mostrado na pergunta) fazer isto:

use foo;

O que é foo?

É necessário a existência um módulo foo definido no escopo para abreviar o caminho a um de seus membros.

Faltou uma definição mod foo antes do use foo. Ou uma Crate foo definida como dependência do projeto.

Crates têm seu nome mais superior definido para todos os módulos do projeto. É por isso que se pode utilizar, por exemplo, use std::fs sem fazer um mod std antes. A std é uma Crate padrão do Rust. Todas as Crates que você define como dependência do projeto também são expostas a seus módulos.


Resumo da ópera

O que traz um novo nome ao escopo é o mod, e não use. O use não importa nada.

Você precisa definir, com a diretiva mod, os módulos que você vai usar. Crates, como o std do Rust ou as que você define como dependência do projeto, são definidas automaticamente.

O use é utilizado para abreviar um caminho que leva a um membro de algum módulo.

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    Excelente resposta! Então a comparação com o import do Pyhon só faz sentido com mod pois é só o mod que realmente adiciona o módulo no escopo. Isso quer dizer que o mais próximos que poderíamos comparar o use com o Python seria na forma import mod.func as func que apenas corresponde ao uso de mod e use juntos, correto? 21/05 às 15:23
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    Sim, @fernandosavio, não sou ávido conhecedor de Python, então não posso responder comparativamente com certeza, mas acho uma comparação justa. E sim, é o mod que, de fato, traz algo novo ao escopo. Uma analogia para o use é "desenterrar" algo que se encontra dentro de algum módulo já presente no escopo (importado "implicitamente", como Crates, ou módulos importados explicitamente via mod). 21/05 às 15:30

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