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Estava eu realizando um quiz sobre Node.js até que me deparei com a seguinte questão:

Qual mensagem irá aparecer no terminal para o seguinte código executado pelo Node.js:

Código (repare que ele executa fora de escopo de função):

'use strict';

var undefined = { foo: 'bar' };
console.log(undefined);

Alternativas:

  1. foo
  2. undefined
  3. TypeError
  4. { foo: 'bar' }

A resposta correta é o item 4.

Acontece que o mesmo código não é valido se executado em navegadores:

'use strict';

var undefined = { foo: 'bar' };
console.log(undefined);

Temos o erro TypeError se executarmos o código acima. Eu estava com essa resposta em mente, mas o comportamento difere do Node.js.

  • Por quê?
  • O que causou o Node.js aceitar atribuição de valor para o undefined fora de escopo de função, se o mesmo não é possível nos navegadores?
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Por que o Node.js aceita atribuição de valores para o “undefined”?

Não é só o Node.js. Como o undefined não é uma palavra-chave da linguagem, pode ser utilizado como um identificador, de modo que pode atuar como nome de propriedade, variável, etc. Veja:

function foo() {
  const undefined = 5;
  return typeof undefined;
}

const myObj = {
  undefined: true
};

console.log(foo()); //=> number
console.log(myObj); //=> { undefined: true }

Não sei porque alguém faria isso, mas é totalmente válido utilizar undefined como um identificador no JavaScript. Ao contrário de null, por exemplo, que já é uma palavra-chave.


Então por que não consigo atribuir um valor à undefined no escopo global?

Na verdade, você pode. Veja:

var undefined = 1;
undefined = 2;

console.log(undefined); //=> undefined

Note que a atribuição foi, de fato, feita (no escopo global). No entanto, ao contrário dos exemplos anteriores, o conteúdo sob o nome undefined não foi alterado.

A atribuição só é impedida em contexto estrito de avaliação (utilizando a diretiva "use strict" ou em módulos ECMAScript, ESM). Veja:

'use strict';

// Uncaught TypeError: Cannot assign to read only property 'undefined' of object '#<Window>'
var undefined = 1; // utilizando var

// Uncaught TypeError: Cannot assign to read only property 'undefined' of object '#<Window>'
undefined = 1; // sem palavra-chave de declaração

Por que isso ocorre?

Quando se define uma variável no escopo global sem utilizar uma palavra-chave de declaração ou utilizando var (e em modo de execução não estrito), ocorre automaticamente a atribuição do valor ao objeto global globalThis. Veja:

// Sem palavra-chave de declaração:
var1 = 1;

// Utilizando `var`:
var var2 = 2;

// Utilizando `let` (mesmo comportamento se utilizar `const`,
// que têm um comportamento diferente).
let var3 = 3;

console.log(var1, globalThis.var1); //=> 1 1
console.log(var2, globalThis.var2); //=> 1 2
console.log(var3, globalThis.var3); //=> 3 undefined

E o problema com isso é que já existe uma propriedade qualificada por undefined no objeto global. Vejamos seu descritor de propriedade:

console.log(
  Object.getOwnPropertyDescriptor(globalThis, 'undefined')
);

Repare que a propriedade undefined, no objeto global, possui o atributo [[Writable]] definido como false. É por isso que, no modo estrito, quando tentamos alterar essa propriedade (o que ocorre implicitamente mediante "declaração" no escopo global), lança-se um TypeError. No modo estrito, um TypeError é lançado para tentativa de modificação do valor de uma propriedade definida com atributo [[Writable]] falso.

Por que no Node.js isso não ocorre?

Código Node.js avaliado sob CommonJS é envolvido por um module wrapper para proteger atribuições no top-level de "contaminarem" o escopo global.

Portanto, todo código top-level em Node.js não é, na prática, global, haja vista que se encontra envolvido em uma IIFE. Então o identificador undefined, sem a ligação implícita ao objeto global no escopo global, encontra-se "disponível" para uso.

Módulos em Node.js CommonJS nada mais passam do que código envolvido em uma função, então de nada diferem do primeiro exemplo que demonstrei nesta resposta.

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A resposta é até bem simples...

The module wrapper

Relembrando...

O undefined é uma propriedade do objeto global, ou seja, é uma variável no escopo global. O valor inicial de undefined é o valor primitivo undefined.

Nos browsers modernos, a especificação ECMAScript 5 define que o undefined é uma propriedade não configurável e somente leitura. Mesmo quando esse não for o caso, evite sobrescrevê-lo.

Uma vez que undefined não é uma palavra reservada, ele pode ser usado como um identificador (nome de variável) em qualquer escopo que não seja o escopo global.

fonte

Exemplo de código executando fora do escopo global:

;// escreve no console "foo string"
(function () {
  var undefined = 'foo'
  console.log(undefined, typeof undefined)
})()

// escreve no console "foo string"
;(function (undefined) {
  console.log(undefined, typeof undefined)
})('foo')

Tá, mas e no Node.js?

É ai que entra o module wrapper. Cada arquivo JS (módulo) que será executado pelo Node.js, sofre, antes de ser executado, um "empacotamento" de escopo que é causado por uma função. Isso, além de causar um escopo fechado no módulo, faz com que este arquivo não seja executado no escopo global. Este comportamento também explica a questão do this no Node.js, que foi abordada nesta pergunta...

No Nodejs, declarar qualquer variável fora do escopo de qualquer função, a vincula apenas ao próprio escopo do módulo (não ao objeto global). Cada arquivo tem seu próprio escopo, isto foi pensado para evitar que uma variável extrapole o escopo de um arquivo...

Então, ao executar o código da pergunta no Node.js, a função fica desta forma "por baixo dos panos" por causa do module wrapper:

(function (exports, require, module, __filename, __dirname) {
  'use strict'

  var undefined = { foo: 'bar' }

  console.log(undefined)
})

Se você simular esta execução no navegador, não teremos erro:

(function (exports, require, module, __filename, __dirname) {
  'use strict'

  var undefined = { foo: 'bar' }

  console.log(undefined)
})()

Concluindo

Por mais que você não use uma função no seu arquivo, o Node.js empacota todo seu código dentro de uma função. Isso por questões características da plataform, com intuito de manter comportamento de algumas coisas:

  • Ele mantém as variáveis top-level (definidas com var, const ou let) com escopo no módulo em vez do objeto global, permitindo assim a trabalhar com atributos que serão privados dentro de cada arquivo, onde esses atributos podem somente serem acessados por funções dentro do próprio arquivo.
  • Atributos do arquivo só serão acessados por outros arquivos se estes forem explicitamente exportados.
  • Isso ajuda a fornecer algumas variáveis de aparência global que são realmente específicas para o módulo, como:
    • Os objetos module e exports que o implementador pode usar para exportar valores do módulo.
    • As variáveis de conveniência __filename e __dirname, contendo o nome de arquivo absoluto do módulo e o caminho do diretório.

OBS:

A explicação da conclusão acima é valida se considerar o type como commonjs. No caso do tipo module, os parâmetros não são aplicáveis para o module wrapper.

OBS 2:

O mesmo comportamento vale para o NaN, pois o mesmo também é uma propriedade do objeto global e não é uma keyword do JS:

(function (exports, require, module, __filename, __dirname) {
  'use strict'

  var NaN = { foo: 'bar' }

  console.log(NaN)
})()

No modo estrito:

'use strict';

var NaN = {
  foo: 'bar'
}

console.log(NaN)

Fora do modo estrito:

var NaN = {
  foo: 'bar'
}

console.log(NaN)
console.log(Object.getOwnPropertyDescriptor(globalThis, 'NaN'))

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  • 2
    Boa resposta (e pergunta)! Mas e essa bizarrice de colocar ponto e vírgula antes da IIFE? Não é melhor simplesmente usar o ponto e vírgula ao final de cada declaração onde esperado? :D 12/05 às 19:18
  • 1
    @LuizFelipe kkkkkkkkkk, só tenho uma explicacao para isso: SHIFT + ALT + F. 12/05 às 19:22

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