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Em C++, estou acostumado a ver objetos sendo criados através do operador new, que é quando o objeto é referenciado por um ponteiro, assim:

MinhaClasse *mc1 = new MinhaClasse();

Essa forma me parece a mais natural de criar um objeto pois me lembra Java, onde tudo são ponteiros com exceção dos tipos primitivos (int, char, byte, etc..).

Entretanto, em C++ existe a possibilidade de instanciar um objeto sem a criação de um ponteiro, assim:

MinhaClasse mc2;

Existem diferenças na criação dos objetos usando essas duas maneiras? Se sim, quais seriam elas? Quando cada uma deve ser escolhida sobre a outra?

  • Acho que para objetos grandes que serão passados para outros objetos utiliza-se com ponteiro. Já a criação MinhaClasse mc2; exige a passagem por cópia. – Rafael Bluhm 10/02/15 às 14:21
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A diferença é justamente se vai usar o objeto como valor ou como referência. Isto é importante porque determina o local onde dados do objeto serão alocados.

A segunda forma costuma colocar no stack. Embora poderia colocar no heap também se o objeto estiver sendo alocado em um tipo que está no heap (se a declaração for colocada diretamente em um container).

A forma com o operador new alocará memória no heap e armazenará o objeto lá (o new é o alocador, o MinhaClasse() é o inicializador). O valor usado para esta variável será um ponteiro (indireção), por isto ele é considerado um valor por referência. Este ponteiro que é o valor a ser usado neste dado geralmente é colocado no stack - caso do exemplo - mas também pode ser colocado como membro de outro objeto no heap. Note que o fato do ponteiro e o conteúdo do objeto estarem no heap não significa que eles estão juntos, pelo contrário. São coisas independentes que tem uma relação porque uma referencia a outra.

C++ deixa o consumidor do tipo decidir onde ele quer alocar. Isto é diferente do Java por exemplo, em que todos os objetos são alocados no heap através de ponteiros - exceto os tipos primitivos, conforme salientado na pergunta. A filosofia do C++ não é facilitar o uso e sim facilitar o melhor uso dos recursos computacionais. O consumidor tem mais informações do que é melhor naquele momento.

Tempo de vida

O tempo de vida costuma determinar mais como a alocação é feita. Mesmo que você tenha um objeto relativamente grande para ser alocado e o programador sabe que ele só viverá dentro daquele escopo ou ele entende bem e o escopo e ele pode ser facilmente determinado, que não há riscos de chamadas recursivas ou outras funções que alocam outros objetos grandes, é possível alocar no stack sem ponteiro. Não é prática comum, é difícil fazer certo e só compensa em casos de extrema otimização.

É possível criar ponteiros para o stack também, sem o uso do new. Isto também é incomum. É mais comum usar uma referência para isto, que é um ponteiro por baixo dos panos, mas você não precisa saber disto e o controle é melhor, ainda que pode dar alguns problemas na versão atual de C++ se o tempo de vida for menor que o esperado (há previsão para versões futuras não deixar isto acontecer na mesma linha que Rust faz e não deixa usar tempo de vida errado).

Tamanho do objeto

Em casos em que o objeto é grande a cópia custará caro, então é melhor armazenar em um local que o tempo de vida pode ser indeterminado e acessar esta informação através de uma indireção (um ponteiro). Isto costuma ser menos eficiente, por isso o uso de referência é mais adotado.

Em geral quando o objeto tem tamanho determinado e é pequeno não costuma fazer sentido usar o ponteiro direto (referência sim). Mesmo que o dado tenha um tempo de vida além da função onde ele está sendo usado (ver como funciona o stack) ou precise ser usado fora de um objeto onde ele está declarado, a cópia do dado que pode ser necessária nestes casos pode custar muito barata.

Evidentemente que alguns objetos podem ser grandes, então costuma-se consideram o pior caso. Aí é uma situação onde o consumidor tem mais informação. Um tipo pode ter sido criado considerando que o objeto pode ser grande mas em um caso específico de uso ele tem um tamanho determinado e é pequeno. Em Java isso não seria considerado. Em C++ um bom programador opta por usar a alocação inline, possivelmente no stack.

Mas objetos pequenos podem ser usados por referência quando se sabe que eles têm um tempo de vida determinado ainda que não tão óbvio.

A indeterminação do tamanho do objeto pode ser outro bom motivo para preferir o uso de ponteiro. Mesmo que você saiba que o objeto será pequeno mas não pode determinar seu tamanho exato, como linearizar isto dentro de outro objeto? Criando um ponteiro que tem tamanho fixo referenciando o objeto de fato que tem tamanho variável.

O intercâmbio não é tão livre assim

Há casos em que o tipo foi criado pensando em uma forma de alocação e usar da outra forma provavelmente trará problemas.

É comum usar algum padrão além da documentação para informar qual é a forma preferida de alocação. Pode-se usar struct para casos em que deve alocar o valor direto e class quando a preferência é usar uma indireção. Algumas linguagens como C# e D, e de uma certa forma Java, se considerar que os tipos primitivos agem como estruturas (e que Java futuro provavelmente terá como o programador criar suas próprias), determinam a forma de alocação dependendo de como o tipo foi declarado. Para C++ struct e class são quase sinônimos (a única diferença é a visibilidade default dos seus membros) e não determina a alocação. No máximo recomenda-se os desenvolvedores adotarem esta convenção.

Em geral tipos mutáveis se dão melhor quando alocados através de ponteiros ou referências, caso contrário pode ocorrer um fenômeno chamado slicing.

Um ponteiro é uma indireção, o que dá alguma flexibilidade.

Gerenciamento de ponteiros

Lembrando que na maioria dos casos, em C++, deve-se usar os smart pointers e não ponteiros crús. Assim ganha-se o gerenciamento automático de memória. Se não fizer e não existir algum mecanismo interno na própria classe ou no sistema de alocação (new pode ser sobrecarregado e pode até mesmo alocar em um garbage collector, embora incomum e pouco prático hoje em C++) o programador tem que garantir que o delete correspondente seja executado.

Alguns casos o tipo indica uma semântica e controla o uso de ponteiros por conta própria. String é exemplo de classe que internaliza o ponteiro. É um caso que, em geral, não tem porque alocar um ponteiro porque o dado que o programa tem acesso direto é pequeno, a parte grande e variável do texto será melhor alocado pela classe, possivelmente usando um ponteiro (ela pode otimizar casos pequenos e não fazer isto, depende de implementação).

Conclusão

A escolha deve ser sempre alocar no stack - que é relativamente pequeno e basicamente fixo - até que exista um motivo para escolher o heap, e o motivo principal é o dado precisar sobreviver ao fim de uma função e ser potencialmente grande demais para ser copiado. Um motivo secundário é ser potencialmente grande demais para caber no stack ou tornar um objeto de tamanho indeterminado ou grande demais.

  • 4
    E isso, crianças, é o que acontece quando você salva para responder a questão depois do almoço e tem um bigown a solta por ai. Muito bom, haha. – Guilherme Bernal 10/02/15 às 16:20
  • 1
    Complementando um pouco, o processo de alocação com o new constuma ser oneroso e consome alguns ciclos de clock, enquanto a alocação no stack é praticamente free, normalmente é apenas a atualização de um registrador. Isso é importante, principalmente para o povo que vem do java, que usa o new em tudo que é parte e depois reclama que o programa em c++ é lento. – user5299 2/03/16 às 13:16
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Utilizando ponteiros, você cria referências,

Exemplo:

#include <iostream>

//Classe de exemplo
class Objeto{

public:
//Inicializa o valor como 0 por padrão na criação de objetos da classe
    Objeto(){

        this -> valor = 0;
    }

    int valor;      
};

int main()
{
     //Referência
    Objeto *a = new Objeto();   

    Objeto *b = a;  //cria o objeto b que aponta para a

    a -> valor = 5; //muda o valor de a. Também muda o de b, pois b aponta para a.

    std::cout << "a: " << a -> valor << "\n"
              << "b: " << b -> valor << std::endl;

    //Valor
    Objeto c;
    Objeto d = c; //Cria o objeto d, que será cópia de c

    c.valor = 8; // Não muda o valor de d que será mantido como inicializado (0)

    std::cout << "c: " << c.valor << "\n"
              << "d: " << d.valor << std::endl;

    return 0;
}

Saída:

a: 5
b: 5
c: 8
d: 0

a e b apontam para o mesmo objeto, ou seja, na verdade somente um objeto foi criado, mas duas variáveis o acessam. Ja d é apenas a cópia de c. Os dois vão seguir caminho próprio após a criação. Escolha a primeira opção quando quiser modificar dados em um objeto por meio de "outro". Para ter mais segurança de dados e evitar que um objeto modifique o dados de outro utilize cópias.

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