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Eu estou lendo sobre arrays em Python e me deparei com uma função embutida chamada memoryview. Entendi que uma diferença das listas para arrays é que nas últimas é possível usar o memoryview, enquanto, nas primeiras, não.

Por exemplo:

from array import array
lista = [0.0, 1.0, 1.0, 1.0, 2.0, 3.0, 4.0,
         4.0, 5.0, 6.0, 6.0, 7.0, 7.0, 8.0, 8.0]

# Retorna erro TypeError: memoryview: a bytes-like object is required, not 'list'
memoryview(lista)

# Mas isto funciona:
numbers = array('d', lista)
memoryview(numbers)

Eu imaginei que memoryview poderia ser uma espécie de equivalente à função id que, da forma como entendo, retorna o local na memória do objeto. Fiquei especialmente tentado por essa interpretação porque memoryview(numbers) retorna <memory at 0x7fe5fca911f0>, no meu caso. No entanto, id(numbers) retorna um valor completamente diferente.

Então para que serve memoryview? Qual a vantagem que o memoryview oferece de usar arrays em lugar de listas?

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Resumidamente, no Python, os tipos básicos para manipular dados binários são bytes e bytearray. Eles, assim como arrays, por exemplo, são suportados pela classe memoryview, que usa o "buffer protocol" para permitir o acesso à memória de outros objetos binários sem a necessidade de fazer cópia.

Confesso que é a primeira vez que deparo com isso no Python, mas o conceito me parece similar ao de slices do Rust. Acho interessante mencionar isso porque esse tipo de coisa é geralmente interessante ao se trabalhar com operações de "nível mais baixo", que é o nicho do Rust.

Qual a vantagem?

A vantagem é justamente a rapidez e o menor custo para o acesso, uma vez que jamais será feita nenhum tipo de cópia para o acesso.

Por conta disso, você pode indexar e realizar slices sem implicar em quase nenhum custo, já que, reitero, não haverá cópia.

Entenda o que memoryview retorna como uma "lente" que te permite ler os elementos diretamente "olhando para a memória", o que nem é o caso com os mecanismos mais "comuns" do Python. Um slicing em listas, por exemplo, copia as referências.

Como disse no começo da pergunta, o memoryview pode ser visto como uma API um pouco mais "low level" do Python. Na maioria dos casos, não fará diferença utilizar um array com memoryview ou uma lista normal. No entanto, existem casos em que o custo de cópias realmente pode implicar em um grande custo adicional. Nesses casos, é ideal utilizá-la.

Por que não funciona com listas?

A API memoryview é válida somente para objetos que implementem o buffer protocol, o que não é o caso das listas.

Como o valor a ser "envolvido" pela memoryview deve possuir cada "elemento" com um mesmo tamanho de memória, você não é capaz de utilizar isso com listas, por exemplo, já que cada elemento dessa estrutura pode ocupar uma quantidade de memória diferente.

No seu caso não deu certo por causa disso: você estava utilizando uma lista, estrutura de dados que pode potencialmente ter valores com tamanhos variados. Mas, ao utilizar um array de floats (como feito no segundo exemplo da pergunta), funciona, já que cada elemento do array tem garantidamente o tamanho de um float, isto é, todos os elementos do array ocupam a mesma quantidade de memória. Portanto, o memoryview conseguirá fazer uma distinção clara e performática entre cada elemento, permitindo os acessos sem grandes custos.

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  • Obrigado pela resposta. Você poderia dar um exemplo desse ganho de performance no slicing? Eu tentei fazer um exemplo a partir da sua explicação, mas o resultado não foi o esperado. Veja no ideone: ideone.com/WMPFNu
    – Lucas
    24/03 às 20:42
  • Nesse exemplo, como o array tem pouquíssimos elementos, o custo de "indexar" um item da lista parece estar sendo menor ao custo de instanciar a memoryview. É importante se atentar ao detalhe de otimização precoce (que me parece ser o caso aí). Na maioria das vezes, utilizar memoryview pode acabar não agregando em tanto valor. No entanto, para operações evidentemente mais custosas, como trabalhar com listas com vários elementos (i.e. este exemplo no StackOverflow em Inglês), a diferença já se torna perceptível. :) 24/03 às 20:47
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    Sendo um pouco mais dramático: ideone.com/jjYjib 24/03 às 20:51
  • Ótimo. Talvez seja o caso de adicionar este exemplo na sua resposta para futuros leitores dessa questão terem uma visão mais concreta das vantagens de performance do memoryview
    – Lucas
    24/03 às 20:59
  • 1
    hhahahaha ... sim. Mas nem todos leem comentários e o link do ideone pode quebrar por alguma razão. De todo modo, foi apenas uma sugestão.
    – Lucas
    24/03 às 21:06

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