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Estou começando agora a usar o Git e uma coisa que eu ouvi no curso que estou vendo foi o seguinte: o que o Git realmente guarda não são as diferentes versões dos arquivos, mas sim conjuntos de modificações.

Dessa forma, ao fazer um commit, ao invés de salvar no repositório os arquivos no estado que eles estão, o que eu entendi disso é que o Git salva no repositório um conjunto de modificações contendo as modificações que foram realizadas.

A minha dúvida

As modificações são com relação a qual estado do projeto? O estado inicial ou o estado do último commit?

O que eu quero dizer basicamente é o seguinte: suponhamos que logo após criarmos o repositório adicionamos um arquivo arquivo1.txt, ao fazermos o commit, a modificação que o Git vai registrar é a criação desse arquivo. Após isso criamos um novo arquivo arquivo2.txt e adicionamos uma linha ao arquivo1.txt e fazemos um commit.

Nesse caso o que o Git salva no segundo commit? A modificação registrada é a adição do arquivo2.txt e a adição da linha (ou seja, relativa a ultima modificação) ou é a adição do arquivo arquivo1.txt e do arquivo2.txt bem como a modificação no primeiro arquivo (ou seja, a modificação total a partir do estado inicial)?

Me parece que o que o Git salva é na verdade a modificação com relação a última modificação, já que se ele salvasse a modificação relativa ao estado inicial seria equivalente a guardar as diferentes versões dos arquivos em si.

Eu realmente não estou entendendo muito bem ainda o que são esses conjuntos de modificação que o Git registra em cada commit. O que eles realmente são?

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    É isso que você está achando mesmo, ele salva em relação ao último commit. – bfavaretto 28/01/15 às 20:33
  • Até porque a segunda opção (salvar tanto a nova versão completa do arquivo quanto as modificações neste arquivo) seria um registro redundante. – Caffé 28/01/15 às 20:35
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    Não, ele tem apenas as modificações, mas com elas é capaz de reproduzir toda a árvore do seu projeto em determinado commit. Não sei onde você leu isso, nem o que te ensinaram como "snapshot" no curso, mas tenha em mente que não se trata de um termo técnico, preciso. É uma metáfora para representar que é possível recuperar um "retrato" do seu projeto em diversas fases dele. – bfavaretto 28/01/15 às 22:34
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    @Leonardo hunm, começo a temer por este curso. Não é nada grave mas não gosto quando algo que formal tentando ensinar usa termos errados. O Git não trabalha com changesets, ele não tem essa capacidade. Eu não conheço muito o funcionamento interno destes softwares mas sei changesets são as modificações feitas nos arquivos agrupadas. Snapshots é um estado em um determinado tempo. Em tese seria uma cópia exata do arquivo naquele momento. Mas é possível trabalhar com uma codificação delta que acaba reproduzindo o mecanismo das diferenças mas por um método totalmente diferente. – Maniero 28/01/15 às 23:03
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Estes termos nem sempre são usados da maneira correta.

O Git utiliza snapshot que é um estado do conteúdo em determinado momento, por isto também é conhecido como point in time. Estes snapshots são de todo o repositório. Daí existe uma limitação no Git para que qualquer atualização afete todo o repositório e alguns artifícios (stash por exemplo*) devem ser utilizados para evitar que parte do conteúdo que está sendo manipulado seja confirmado no repositório.

Para que não tenha que armazenar todo o conteúdo novo em cada commit realizado um mecanismo diferencial é utilizado e apenas uma codificação delta de cada alteração é armazenada. Estes diferenciais são obtidos entre a versão anterior e a atual. Ainda assim os repositórios existem por si só. Esta forma permite várias linhas de desenvolvimento competirem simultaneamente.

Outros softwares de controle de versão podem usar os changesets ou conjuntos de modificações. Estes são os diferenciais entre o que existia no repositório e o que está sendo confirmado agora. Esta sutil diferença dificulta trabalhar com várias fontes de alterações concorrentes. Mas facilita confirmar as alterações de forma parcial. Desta forma é possível facilmente selecionar o que quer confirmar e montar um conjunto de modificações só com o que deseja naquele momento. Os repositórios são montados a partir das suas alterações.

Estritamente falando no Git não podemos fazer de conjunto de modificações. Informalmente este termo acaba sendo usado.

Eu não conheço profundamente os mecanismos destes softwares e não é fácil achar definições que não gerem confusões. Aparentemente eu não sou o único que não se sentiu impedido de falar sobre algo que não conhece em todos os detalhes :P. É fácil achar informações contraditórias sobre o assunto. Mas de acordo com a documentação mais conhecida é assim que funciona.

  • Obrigado pela resposta @bigown, já estou convencido que o Git usa snapshots mesmo. Além do que você falou, pesquisei um pouco e olhei na pasta .git/objects, fiz uns testes e usei ruby pra ver o conteúdo dos arquivos. Daí olhando os blobs parece que a cada commit ele salva o conteúdo todo de cada arquivo, e quando não muda só referencia o que já tinha. Agora não entendi muito bem isso que você falou de armazenar apenas uma codificação delta. Pelo que eu vi lá nos blobs parece que ele salva tudo mesmo. Você sabe como que funciona isso no Git? Muito obrigado mais uma vez, ajudou muito! – Leonardo 29/01/15 às 14:50
  • Você fez uma alteração no arquivo, tipo, mudou uma linha, um caractere do conteúdo dele, e viu como ficou? É para ter apenas o diferencial. Eu nunca fiz o que você tentou e não tenho o Git aqui para fazer mas a ideia é boa para entender o funcionamento, só precisa testar em cenários diferentes. Eu me surpreenderia muito se ele realmente salvasse o arquivo todo por caus de uma alteração pequena. O Git ocupa bem pouco espaço, menos até do que softwares que usam changesets. E já li algo mostrando que ele faz o diff das alterações que é este delta. Só não sei onde tem algo autoritativo. – Maniero 29/01/15 às 14:55
  • Fiz isso mesmo, criei primeiro um arquivo arquivo1.txt e adicionei algum conteúdo, aí fiz um commit. Depois editei ele e escrevi um pouco mais de conteúdo, e fiz outro commit. Quando olhei os blobs, no blob correspondente ao arquivo no segundo commit ele salvou o conteúdo todo. Achei isso git-scm.com/book/en/v2/Git-Internals-Packfiles na página do git, pelo que entendi o git pode usar deltas pra ocupar menos espaço. Acho que ele faz isso automaticamente quando precisa. – Leonardo 29/01/15 às 18:44
  • Pode ser isto mesmo. Ele deve saber quando não vale à pena ou não pode por alguma razão. – Maniero 29/01/15 às 18:47
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O que são conjuntos de modificações no Git

"Conjunto de modificações" está para Changeset, que não está relacionado com a maneira como o Git guarda as alterações.

Changeset é um conceito fundamental do Git e está presente também em vários outros sistemas de controle de versão de código fonte.

A idéia básica de um changeset é commitar um conjunto de alterações de maneira atômica, ou seja: ou todas alterações do conjunto são commitadas com sucesso, ou nenhuma é. Podemos fazer uma analogia com uma transação de banco de dados que, ou garante a persistência de vários registros de uma vez, ou faz rollback de tudo caso a persistência de um dos registros dê erro.

É fato que changesets no Git vão além dos changesets em outros sistemas de controle de versão. No git você pode, por exemplo, alterar um changeset no repositório! Isto é, no Git você consegue modificar a história das mudanças ocorridas. Naturalmente, há cenários onde isso se aplica e há restrições, mas esta é outra história.

Como o Git guarda as alterações?

De saída, ele guarda de maneira semelhante a muitos outros sistemas de controle de versão: quando chega um changeset, apenas os arquivos do changeset são guardados. Os arquivos que não foram alterados permanecem lá como estavam. A cada commit o Git registra um snapshot, que é o estado do repositório como ele ficou depois deste commit.

Assim como em outros sistemas versionadores, você consegue requisitar o estado do repositório em qualquer ponto do passado, ou seja: você requisita um determinado snapshot. O que o Git te entregará então são os arquivos commitados no ato do registro daquele snapshot e também todos os arquivos que já estavam lá antes, aqueles que não foram modificados pelo commit que deu origem ao snapshot.

Não, o Git não guarda no ato do commit apenas as alterações de cada arquivo. No ato do commit, o Git guarda todo o conteúdo do arquivo, e não apenas as modificações feitas no arquivo.

É correto dizer que o Git é capaz de guardar apenas as diferenças entre os commits de um mesmo arquivo em vez de ter que manter o arquivo inteiro mesmo que apenas uma única linha tenha sido modificada?

Sim, é correto. Em momentos oportunos, o Git fará uma espécie de garbage collection e, dentre outras coisas, ele também apagará alguns arquivos históricos substituindo-os pelo registro apenas das modificações que aconteceram nestes arquivos entre um commit e outro (Delta Encoding). Você também pode forçar este processo quando desejar.

Importante notar que, durante a garbage collection, o Git não substitui os arquivos dos novos commits por seus delta encoding mas sim o inverso: ele obtém as alterações a partir do estado mais atual do arquivo para trás, de modo a entregar com mais velocidade a versão mais recente do arquivo (que é provavelmente a que você vai querer na maior parte das vezes).

Conclusão

Conjunto de modificações ou Changeset é um conceito que trata da atomicidade do commit e não está diretamente relacionado com a maneira como o Git guarda os arquivos. O Git é um entre muitos sistemas versionadores que utilizam este conceito de changeset.

Durante o commit, o Git guarda todo o conteúdo do arquivo alterado, independentemente de o arquivo ter sido muito pouco modificado (apenas uma nova linha, por exemplo).

O Git não precisa salvar uma cópia do repositório a cada commit para garantir a disponibilidade do repositório em algum estado do passado. Ao invés, durante o commit ele registra um snapshot que aponta para os arquivos recém commitados e também para as versões atuais dos demais arquivos que já estavam lá.

Em momentos oportunos, o Git reorganiza a sua base a fim de economizar espaço (garbage collection). Durante esta reorganização, versões passadas de um arquivo podem ser substuídas por registros apenas das alterações que o arquivo sofreu (delta encoding). Assim, quando uma versão antiga for requisitada, o Git reconstrói o arquivo a partir da sua versão mais atual, aplicando nele os registros das mudanças em direção à versão mais antiga.

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