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Bom, estava fazendo um trabalho de estrutura de dados quando me deparei com a necessidade de alocar um vetor dinamicamente, entretanto, mesmo alocando o espaço necessário para a estrutura, o valor retornado por sizeof é incorreto. Segue o exemplo do código:

int *vetor = (int *)malloc(sizeof(int)*4);//alocando espaço para 4 inteiros ou seja 4*4 = 16 bytes

printf("%d -- %d\n", sizeof(vetor), sizeof(vetor)/sizeof(int));//printando o valo

Nesse exemplo acima sizeof(vetor) deveria nos retornar o tamanho do vetor, ou seja a quantidade de bytes que destinamos a ele, correto?

E portanto, a saída esperada seria:

16 -- 4

Porém, não é isso o que acontece. Segue exemplo da saída:

Saída

E não importa quantos bytes eu destine ao vetor com malloc, a saída é sempre a mesma, ou seja, tamanho do vetor em bytes é sempre 8.

Por que isso acontece, e qual seria a resolução para esse problema?

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  • Conceito 1: sizeof() de um ponteiro é sempre 4 em um compilador de 32-bits, ou 8 em 64-bits. sizeof() é resolvido em tempo de compilação não em tempo de execução. Não haveria como ele inspecionar o resultado de um malloc já que malloc não deixa de ser uma função qualquer, que poderia se chamar abacate(), banana() ou caqui() e realizar a mesma coisa. Conceito 2: malloc retorna um bloco de bytes que nem inicializados estão. Você é responsavel pelo seu uso. Embora o gerenciador de memória saiba como esse foi alocado (para que free() faça o seu papel), essa informação está em uma área privada.
    – mgruber4
    12/08/20 às 9:59
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O cálculo que está fazendo só serve para um array com tamanho definido em tempo de compilação. Apesar de estar usando um constante na alocação dinâmica ela é potencialmente desconhecida e não funciona. O operador sizeof só consegue obter uma informação que o compilador pode provar que seja constante, e é complicado para ele provar isso, até porque nesse caso até não é tão difícil analisar, mas tem código mais complexo que não dá para saber esse valor.

Então,

  • ou você aloca um array na pilha onde o compilador consegue saber o tamanho, e não vejo motivo algum para não fazer isso (pode existir, mas em geral não é necessário alocação dinâmica em casos simples),
  • ou usa o valor que você já sabe que é o 4 em vez de fazer uma conta que nem faz sentido. Se está usando o código em outra função tem que passar esse valor junto para a função saber, ou em alguns casos usa uma constante global assim tendo um nome em todo lugar e fica mais fácil trocar o número em todos os lugares.

Enfim, tem várias formas de resolver isso dependendo do contexto, que não conhecemos.

Só para completeza, o 8 que aparece aí é o tamanho do ponteiro e não o tamanho do vetor. vetor é de um tipo ponteiro, você declarou dizendo que é, não pode esperar que magicamente ele mostre o tamanho de outra coisa. Em arquiteturas 64 buts todos ponteiros são de tamanho 8. Um array alocado na stack não é um ponteiro, é o dado e o tamanho é conhecido, até para o compilador saber o espaço que precisa reservar. Dinamismo é usado quando você não sabe o valor. Se não sabe o valor preciso criar mecanismos de controle próprios para manter o tamanho, aí a segunda opção que listei acima é a recomendada, dá até para sofisticar isso, mas não vou falar sobre porque é avançado.

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  • Entendi, muito boa a explicação. Porém em casos em que eu não saberia o valor exato do tamanho do vetor como eu procederia? Esse é o caso que enfrento, coloquei o 4 apenas para simbologia e facilitar a explicação do problema, entretanto, no caso real eu não possuo informação sobre o tamanho real do vetor... Deveria proceder de forma a alocar um tamanho mínimo e realocar o tamanho com iterações, salvando o valor do index da iteração final como len? ou existe um método melhor para fazê-lo? Grato pela atenção!
    – Ruan
    3/08/20 às 22:10
  • Parte disso está no segundo parágrafo, parte já é outra pergunta, mas é está no caminho certo, você tem que controlar o tamanho na mão de alguma forma, C não tem nada pronto.
    – Maniero
    3/08/20 às 22:14
1

Você está afirmando duas coisas, e fazendo uma pergunta assumindo que essas duas coisas sejam fato. No entanto

  • não está "alocando o espaço necessário"
  • e tampouco "o valor retornado por sizeof() é incorreto"

Eis a declaração de vetor

int        *vetor = (int *)malloc(sizeof(int)*4);

Não quero entrar em discussões religiosas aqui, mas está declarando vetor e vetor é int* então talvez ficasse mais claro para ler, em especial para quem está aprendendo, se escrevesse

int*        vetor = (int *)malloc(sizeof(int)*4);

sizeof(vetor) retorna de fato o tamanho de vetor. vetor é int*, um ponteiro para int. E o tamanho do ponteiro é dado pela arquitetura da máquina, 8 bytes no seu caso, para compilar em 64 bits.

"E não importa quantos bytes eu destine ao vetor com malloc, a saída é sempre a mesma, ou seja, tamanho do vetor em bytes é sempre 8"

nisso você está certo: uma coisa é vetor, um ponteiro para int. Outra coisa é o tamanho da área para a qual ele aponta, que foi nesse caso determinada pela conta malloc(sizeof(int)*4).

No caso do tamanho da área alocada não há oficialmente uma maneira de você saber qual é, e a razão é simples: foi você que alocou então deve saber. E para o sistema ele mantém uma tabela interna desses valores. Veja esse trecho de exemplo

int tamanho = 1801;
int* mais_um_vetor = (int*)malloc(tamanho);
free(mais_um_vetor);
mais_um_vetor = (int*)malloc(130);
tamanho = 32 * sizeof(int);
int* p = (int*)realloc(mais_um_vetor, tamanho);
if (p != NULL) mais_um_vetor = p;
free(mais_um_vetor);

malloc() não tem aritmética de tamanho: vai alocar 1801 bytes e colocar o endereço em mais_um_vetor, um ponteiro para int. Não vai alocar 1801 int! Como o tamanho da área não é múltiplo de sizeof(int) deve cancelar seu programa ao tentar acessar de 4 em 4 se usar mais_um_vetor como um vetor de int

Mas depois free() roda ok e libera os 1801. E malloc() aloca 130 para o mesmo ponteiro. Talvez por ter lembrado que devia ser múltiplo de sizeof(int) o programa chama realloc() e aloca espaço para 32 int. E salva em tamanho o total da área.

Note que esse exemplo é só isso: um exemplo sem sentido, incluído aí o programa ao final.

Note que para realloc() também não faz diferença o tamanho da área. Só o NOVO tamanho.

Foram alocados 1800, depois liberados e alocados 130. sizeof(mais_um_vetor) não vai mudar: 8. E o sistema mantem registro do tamanho da área para quando você chamar free() para liberar ou realloc() para mudar o tamanho, e a coisa funciona.

No entanto provavelmente não é isso que você quer

Você que acessar vetor como um vetor de int, com um número arbitrário de valores, alocados dinamicamente.

Como fazer isso?

Você pode alocar o número exato, partindo de N=1 e usando realloc() para alocar N=N+1 a cada vez, ou pode alocar em blocos de um certo número, como em blocos de 64 int, para ficar um pouco mais eficiente.

O problema é que realloc() pode ter que mudar todo mundo de lugar, a critério do sistema, e não vai te avisar antes. E isso claro vai custar um tempo ao seu programa, de uma hora para outra. Em programas de estudo isso não é relevante, mas acho que entendeu o problema: o bloco que alocou está no meio de possíveis outas coisas que seu programa alocou, e ao realloc() precisar de mais uns bytes pode não ter na hora e então vai alocar uma área maior em outro lugar e copiar tudo que tinha na área original. E seu programa vai ter que esperar.

Antes que você pergunte: para diminuir é garantido que o endereço do ponteiro não muda. Para aumentar só é garantido que o conteúdo até o momento do aumento não vai mudar.

Então o que você quer alocar na verdade é

int**        vetor;

vetor deve apontar para um vetor de ponteiros para int, e não para um único int como o caso de

int*         vetor;

Isso é exatamente o que o sistema faz para cada programa em C, montando o vetor argv[] com argc elementos, e fica claro porque precisa do argc: alguém tem que avisar ao programa o tamanho do vetor de argumentos.

Assim como alguém tem que avisar ao seu vetor para quantos int ele aponta

Um programa de exemplo

aloca um vetor de 32 ponteiros para int, aloca os caras e põe um valor de 100 a 131 em cada um. Mostra o primeiro e o último valor e depois apaga tudo. E depois aloca, preenche e apaga um array de 3 int.

Saída:

sizeof(vetor) 8
sizeof(int) 4
sizeof(vetor) = 8
sizeof(outro_vetor)  int outro_vetor[30] = 120
alocado um vetor de 32 int
Primeiro: 100 Ultimo 131
Liberando o vetor...
Liberado...
Alocando vetor de 3 int...
sizeof() = 8
3 4 5
Final...

O programa:

#include <stdio.h>
#include <stdlib.h>

int main(void)
{
    int* vetor = (int*)malloc(sizeof(int) * 4);
    printf("sizeof(vetor) %zu\n", sizeof(vetor));
    printf("sizeof(int) %zu\n", sizeof(int));

    int     outro_vetor[30];
    vetor = outro_vetor;

    printf("sizeof(vetor) = %zu\n", sizeof(vetor));
    printf("sizeof(outro_vetor)  int outro_vetor[30] = %zu\n",
        sizeof(outro_vetor));

    int tamanho = 1801;
    int* mais_um_vetor = (int*)malloc(tamanho);
    free(mais_um_vetor);
    mais_um_vetor = (int*)malloc(130);
    tamanho = 32 * sizeof(int);
    int* p = (int*)realloc(mais_um_vetor, tamanho);
    if (p != NULL) mais_um_vetor = p;
    free(mais_um_vetor);

    // cria vetor_de_int apontando para intN int
    int     intN = 32;
    int** vetor_de_int = NULL;

    // passo a passo (podia ter feito direto)
    vetor_de_int = (int**)malloc(intN * sizeof(int*));
    for (int n = 0; n < 32; n += 1)
    {
        vetor_de_int[n] = malloc(sizeof(int*)); // aloca um
        *vetor_de_int[n] = 100 + n; // valores de 100 a 131
    };  // for()

    printf("alocado um vetor de %d int\n", intN);
    printf("Primeiro: %d Ultimo %d\n",
        *vetor_de_int[0],
        *vetor_de_int[intN-1]
    );

    // destroi tudo, como em C++ ao contrario 
    // da criacao
    printf("Liberando o vetor...\n");
        for (int n = 0; n < 32; n += 1)
        free(vetor_de_int[n]);
    // liberado o vetor, agora a tabela
    free(vetor_de_int);
    printf("Liberado...\n");

    printf("Alocando vetor de 3 int...\n");

    int     (*vetor3_int)[3] = malloc(3 * sizeof(int));
    printf("sizeof() = %zu\n", sizeof(vetor3_int));
    (*vetor3_int)[0] = 3;
    (*vetor3_int)[1] = 4;
    (*vetor3_int)[2] = 5;
    for (int i = 0; i < 3; i += 1)
        printf("%d ", (*vetor3_int)[i]);
    free(vetor3_int);
    printf("\nFinal...\n");
    return 0;
};

Mas o primeiro não é um vetor de int...

Pois é. é um vetor de int*. Na prática é o que se quer. Em especial em estruturas de dados. Se você quer alocar um vetor de 32 int você declara

int     (*vetor32_int)[32] = malloc(32 * sizeof(int));

Só que aí é muito menos flexível: na memória está ok, E o tamanho está definido. Mas só serve para 32. Fixo.

Por isso o normal é usar um par de variáveis, como o sistema usa, e alocar em blocos de um tamanho razoável, para não ter nem muito desperdício nem muitas operações de realloc()

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  • MEU DEUS, que explicação incrível! Agora tudo faz mais sentido, e portanto, sempre devo manter o tamanho guardado em algum lugar e ao mesmo tempo nem sempre utilizar o dinamismo, mantendo o equilíbrio entre desperdício de memória e o desperdício de computação (copiar todo o vetor de um lugar para o outro na memória devido a falta de espaço contínuo com o realloc), correto?
    – Ruan
    18/08/20 às 22:15
  • É. Você viu no final do exemplo que é possível alocar dinamicamente um ponteiro para um certo número de int --- 3 no exemplo --- ou de qualquer coisa, como float (*vetor)[32]. Só que tem que ser conhecido na hora de compilar o programa e em geral não adianta. No seu caso por exemplo você vai ler o valor de Nquando o programa está rodando
    – arfneto
    18/08/20 às 22:49
  • O lance de realloc() é que nem sempre se pode correr o risco do programa dar uma parada numa hora importante, porque o sistema está transferindo GB de dados em uma chamada de realloc(). Um meio termo é alocar em blocos de um tamanho estudado, de modo a ter menos desperdício e um mínimo de realloc(). Algo como usar blocos de ponteiros para um certo número de estruturas, dependendo dos seus dados. Ou sofisticar de vez e usar páginas de ponteiros, como o sistema faz com a memória. Sem realocar nada. Mas muitas vezes nem se precisa saber o tamanho no programa, ou mesmo usar realloc().
    – arfneto
    18/08/20 às 22:53
  • Estruturas de dados como árvores, pilhas e listas tem os nós alocados um a um em geral, por exemplo.
    – arfneto
    18/08/20 às 22:58

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