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Digamos que eu defina uma função da seguinte forma, que aceite um argumento a que seja um array bidimensional de números:

function totalSum(a) {
  let total = 0;
  for (const elem of a) {
    for (const subElem of elem) {
      total += subElem;
    }
  }
  return total;
}

// Exemplo de entrada:
totalSum([[1, 2], [3, 4]]); // 10

Ela pode ser classificada como tendo complexidade O(n²), certo?


Agora no contexto de outra função, que aceita dois argumentos, a e b, ambos arrays unidimensionais:

function allIncludes(a, b) {
  let allExists = null;

  for (const aElem of a) {
    // Note que o `includes` abaixo irá iterar sobre cada elemento de `b` até o
    // fim dos elementos, ou até que algum elemento seja igual a `aElem`.
    // Uma complexidade próxima de `O(n)`.
    if (includes(b, aElem)) {
      // Se `exists` já for `true`, irá continuar como `true`.
      // Se for `false`, não será atribuído.
      if (allExists === null) {
        allExists = true;
      }
    } else {
      allExists = false;
    }
  }

  return allExists;
}

// Ignore:
function includes(arr, elem) {
  for (const el of arr) {
    if (el === elem) {
      return true;
    }
  }

  return false;
}

// Exemplo de entrada:
allIncludes([1, 2, 3], [3, 2, 1]); // true
allIncludes([1, 2, 3], [1, 2, 4]); // false

Essa última função pode ser classificada com complexidade O(n²)? Pergunto isso porque, diferentemente da primeira função desta pergunta, allIncludes() irá aceitar dois argumentos, que podem ser de tamanhos diferentes.

Eu pessoalmente considero esse um caso de "quase O(n²)" ou "um pouco mais que O(n²)", mas com certeza essa denominação informal da minha parte não está correta.

  • 1
    Eu não sei se o título da pergunta é o mais ideal para esse caso. Se alguém quiser sugerir um título melhor, ficaria agradecido. :) – Luiz Felipe 6/01 às 18:41
  • 1
    Does this answer your question? Como melhorar o desempenho de meu código com "for"? – Jefferson Quesado 6/01 às 19:17
  • 1
    @JeffersonQuesado, acho que não. A minha pergunta não se trata de melhorar o algoritmo. Queria saber se os argumentos de uma função poderiam alterar a sua complexidade nos exemplos acima, e não como melhorá-las... Acaba que as respostas da outra pergunta acrescentam um pouco à esta pergunta, mas não creio que sejam duplicatas... – Luiz Felipe 6/01 às 19:23
  • 1
    o problema foi a percepção de complexidade cúbica do autor da questão que linkei. O da sua é a aparência de complexidade quadrática. Como isso diferem as questões? Na minha visão, as respostas da pergunta que linkei respondem a sua, inclusive a do Maniero deu um deja vu quando eu vi por cima – Jefferson Quesado 6/01 às 19:27

3 Respostas 3

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Já dá para dizer que não é O(N2) por uma razão básica, se você tem duas dimensões e cada uma pode ter um tamanho diferente (sim, é possível), só usar um N não faz muito sentido.

Na verdade o é N aí não é tão óbvio de acordo com o enunciado. O N na verdade é o m vezes n, onde m é a quantidade de elementos de uma dimensão e n é a quantidade de elementos da outra. Ou podemos apenas definir que N é a quantidade total de elementos da matriz. Então em relação ao total de elementos que deve avaliar a complexidade é O(N). Essa multiplicação que eu falei é só uma forma de achar o valor de N, mas você pode saber dela de alguma outra forma que dê a quantidade toda sem fazer conta alguma.

A complexidade deve ser medida de acordo com a quantidade total de elementos e não com a organização desses dados na memória. Esta estrutura de dados tem apenas N elementos.

O algoritmo é executado em cima desta quantidade e cada um deles é avaliado apenas uma vez, portanto a complexidade é linear.

Quando o tamanho das duas dimensões são iguais podemos dizer que a multiplicação dá o mesmo que n vezes n e por causa disto é n2, mas O(n2) é diferente de O(N2), neste caso especificado de mesmo tamanho das dimensões, e só neste de matriz quadrada, O(n2) == O(N).

Por isso que o correto é demonstrar a complexidade como O(N). Se usasse O(n2) só funcionaria para uma matriz quadrada, ou seja, dependeria da entrada que você não pode garantir.

Veja que colocando um contador de vezes que há uma avaliação dá a mesma quantidade de elementos total da matriz:

function totalSum(a) {
  let total = 0;
  let contador = 0;
  for (const elem of a) {
      for (const subElem of elem) {
          total += subElem;
          contador++;
      }
  }
  console.log(contador);
  return total;
}

// Exemplo de entrada:
totalSum([[1, 2], [3, 4]]); // 10

Coloquei no GitHub para referência futura.

O segundo é um algoritmo fundamentalmente diferente do primeiro, não importa aí a entrada (até importa no sentido que o algoritmo lida com coisas diferentes, mas não que a entrada em si faça a diferença na complexidade de forma direta).

Ele faz um pouco diferente e é um pouco mais complicado, ele costuma ser menor que linear na maioria dos casos.

Agora aqui a quantidade de avaliações depende dos valores que encontrar, dá para calcular a complexidade, mas a conta não é dentro desses padrões que usamos na maioria dos casos, é dada por uma fórmula mais complexa.

Lembrando que complexidade do Big O mede o pior caso, então podemos dizer que o segundo algoritmo é O(N2) já que há entradas que pode torná-lo quadrática.

let contador = 0;

function allIncludes(a, b) {
    let allExists = null;
    for (const aElem of a) {
        // Note que o `includes` abaixo irá iterar sobre cada elemento de `b` até o
        // fim dos elementos, ou até que algum elemento seja igual a `aElem`.
        // Uma complexidade próxima de `O(n)`.
        if (includes(b, aElem)) {
            // Se `exists` já for `true`, irá continuar como `true`.
            // Se for `false`, não será atribuído.
            if (allExists === null) {
                allExists = true;
            }
        } else {
            allExists = false;
        }
    }
    console.log(contador);
    contador = 0;
    return allExists;
}

// Ignore:
function includes(arr, elem) {
    for (const el of arr) {
        if (el === elem) {
            return true;
        }
        contador++;
    }
  return false;
}

// Exemplo de entrada:
allIncludes([1, 2, 3], [3, 2, 1]); // true
allIncludes([1, 2, 3], [1, 2, 4]); // false

Coloquei no GitHub para referência futura.

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A complexidade assintótica de um algoritmo refere-se a quantidade de iterações (mínima ou máxima) que são feitas baseado na quantidade de entradas para o algoritmo. Ademais, a sua complexidade preocupa-se com valores grandes para essas entradas (por isso o termo "assintótico"). Por exemplo, se o seu algoritmo recebe n elementos e executa alguma operação para cada elemento, então o algoritmo é linear, ou seja, limite superior O(n). A sua primeira função tem complexidade linear, pois cada elemento é iterado apenas uma vez.

No seu segundo caso, o seu algoritmo percorre o arranjo b uma vez por cada elemento do arranjo a. É parecido com o seguinte:

para cada elemento x em a:
    para cada elemento y em b:
        faça algo com x e y

Para contar quantas iterações esse algoritmo faz, vamos assumir que n é a quantidade de elementos no arranjo a, e m é a quantidade de elementos no arranjo b. Como percorremos o arranjo b a cada elemento do a iterado, nós temos então n vezes m iterações. Portanto, a complexidade assintótica desse algoritmo é O(n · m). Essa é uma complexidade polinomial e pode ser simplificada para O(n²) por ser um limite superior. O importante é notar que os elementos do arranjo b são iterados n vezes.

O seu segundo caso, então, é considerado polinomial, pois se você contar a quantidade de iterações feitas no total, você chegará na mesma complexidade O(n · m). Veja só: allIncludes vai chamar includes para cada elemento do arranjo a, e includes percorre o arranjo b inteiro. A função includes é linear, O(n), mas como ela é chamada para cada elemento do a em allIncludes, então a complexidade final acaba sendo polinomial.

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Primeiro algoritmo

Ela pode ser classificada como tendo complexidade O(n²), certo?

A primeira coisa que você deve fazer é dizer ao que o seu n se refere. É a quantidade de linhas da matriz? A quantidade de colunas? A quantidade total de elementos?

Ele é O(n) sendo n a quantidade total de elementos na matriz.

Para demonstrar, vou modificar seu código:

function totalSum(a) {
  let total = 0;
  for (const elem of a) {
    for (const subElem of elem) {
      total += 1;
    }
  }
  return total;
}

Perceba que no miolo dos laços eu fiz ele somar sempre 1, dessa forma o retorno do código é a quantidade total de iterações.

Rode esse código algumas vezes com várias matrizes diferentes. Você deverá perceber que o valor retornado é sempre idêntico à quantidade de elementos na matriz. Ou seja, a quantidade de iterações executadas é exatamente a quantidade de elementos na matriz. Isso faz com que o algoritmo em questão seja O(n) onde n é o total de elementos na matriz.

Perceba que não está errado dizer que este algoritmo é O(n²), pois toda função f(x) pertencente a O(n) também pertence a O(n²), uma vez que o próprio O(n) pertence a O(n²). No entanto, apesar de não estar tecnicamente errado, em análises assintóticas geralmente usa-se a menor função possível, ou seja, dizer que o algoritmo acima é O(n²) dá a entender que ele não é O(n), sendo que ele é sim.


Segundo algoritmo

É possível que a análise seja mais fácil se você falar o comportamento do algoritmo em voz alta:

Para cada elemento no primeiro array, itere pelos elementos do segundo array

Perceba que o fato do algoritmo ter sido quebrado em duas funções é irrelevante para a análise, assim como aquele condicional dentro do includes também não importa, pois na análise de big-O considera-se o pior caso.

Dessa forma, espero que seja trivial concluir que o algoritmo pertence a O(n*m), em que n e m são as quantidades de elementos em cada um dos arrays.

Caso queira simplificar ainda mais a conclusão da sua análise, você pode simplesmente considerar que ambos os arrays têm o mesmo tamanho, fazendo com que o algoritmo seja O(n²).


Já respondi outras perguntas sobre análise assintótica, talvez você se interesse:

  • A matriz cresce de forma polinomial, pois não há um caso onde alguma linha da matriz tenha uma quantidade menor de valores do que a dimensão dela. Tanto é que a complexidade espacial de uma matriz é polinomial. – Mário Feroldi 7/01 às 0:14
  • 1
    @MárioFeroldi Uma matriz quadrada cresce em complexidade polinomial em relação à quantidade de linhas ou colunas (se tem 3 colunas, possui 9 elementos, se tem 4 colunas, possui 16 elementos etc). A análise que fiz do algoritmo usa como base a quantidade de elementos na matriz, não a quantidade de linhas ou colunas. O algoritmo claramente é linear em relação à quantidade de elementos na matriz. – Gabriel 7/01 às 1:59
  • @MárioFeroldi Complementando: Talvez o fato de haver um laço dentro do outro venha a confundir, mas não se engane, o fato do algoritmo receber uma matriz é irrelevante, poderia ser um array unidimensional, não importa como os dados estão organizados em memória, o que importa é que cada elemento é visitado uma única vez, e é isso que torna o algoritmo linear. – Gabriel 7/01 às 2:01
  • 1
    Certo, faz sentido. – Mário Feroldi 7/01 às 12:54
  • @Gabriel, a análise de complexidade assintótica é feita em cima dos parâmetros de entrada. Por exemplo, a soma de "números" representado por strings de dígitos em base arbitrária. Devo considerar que ele é um algoritmo linear ou logaritmo? A resposta é: depende do uso. Se eu quero saber em relação ao número N passado, então é logaritmo O(log N), mas se é em relação à quantidade de dígitos daquele número len, então é linear O(len). – Jefferson Quesado 8/01 às 15:06

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