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Pelo que entendo, a programação funcional (ou pelo menos um estilo funcional de programação) facilita encontrar e evitar bugs (é fácil testar funções puras, a imutabilidade protege dados, coisas indeterminísticas como I/O são isoladas, etc.); mas lendo esta resposta me deparei com o seguinte relato:

Recentemente houve uma discussão envolvendo centenas de pessoas na empresa onde trabalho, devido a um bug muito difícil de descobrir num trecho de código puramente funcional. O ocorrido levantou uma bandeira vermelha para alguns sobre o problema da complexidade de algumas implementações funcionais.

Então, há certos tipos de bugs que ficam encobertos mais facilmente em código funcional do que em códigos de outros paradigmas? E quais tipos de bugs seriam esses?

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    Certamente há, provavelmente todos relacionados ao fato de ter que usar alguns truques para fazer o que é simples em um paradigma mais imperativo, truques enganam o compilador e podem enganar o programador. – Maniero 8/08 às 0:29
  • @Maniero a resposta aqui do utluiz ilustra o seu pensamento? Ou, você estava pensando em outros tipos de problemas com a PF (problemas que podem facilitar/ocultar bugs) e que ainda não foram abordados? – Douglas 10/08 às 19:15
  • Não exatamente porque ele falou dos problemas de usar funcional em uma linguagem não funcional, o que faz todo sentido, mas tem os problemas relacionados à programação funcional pura. Está bem respondido para sua dúvida em relação ao que ele falou lá na resposta original, se é isso que queria saber, ótimo, se queria saber de forma geral o que pode ser complicado fazer no funcional eu acho que não é bem a mesma coisa. EU não me arrisco responder porque meu conhecimento de funcional ainda é, e acho que sempre será superficial, eu gosto, mas não uso fort emente. Faço alguma coisa funcional em C#. – Maniero 10/08 às 19:28
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TL;DR

O caso em questão naquela postagem envolvia uma base de código funcional relativamente complexa, escrita em Java, e a questão da accessibilidade de um desenvolvedor, que não era familiar com ela, de forma que pudesse entender o que estava errado.

Contraste de um código

Um trecho em particular era parecido com o seguinte:

Either<Exception, Iterable<QuoteResponse>> quoteRequestProcessed =
    sequenceRight(
        from(request.getQuoteRequests())
            .transform(
                curried(priceCalculator).apply(request)
            ));

if (quoteRequestProcessed.isLeft()) {
    return left(quoteRequestProcessed.left().get());
}

Um código imperativo equivalente seria:

List<QuoteResponse> responses = new ArrayList<>();
for (QuoteRequest quoteRequest : request.getQuoteRequests()) {
    responses.add(priceCalculator.apply(quoteRequest));
}

priceCalculator é uma função (Function) recebida.

Agora, pare e pense em casos excepcionais que podem ocorrer nos dois trechos. Por exemplo, o que aconteceria se priceCalculator lançasse uma exceção?

Bem, no segundo caso, a exceção seria lançada normalmente e você teria que capturá-la.

E no primeiro caso, que usa a abordagem funcional? A verdade é que não é possível dizer o resultado a não ser que você entenda conceitos como currying, fluent iterables, a convenção de left e right de um Either implementadas em uma biblioteca específica usada ali.

Eu não vou explicar o código functional de propósito, para você sentir um pouco mais a "dor" de quem estava depurando aquilo para encontrar o problema. 😜

Isolamento, tribalismo e elitismo

O resumo do caso é: a sobrecarga causada pela quantidade de conceitos necessários para entender bem um código funcional pode impedir que um desenvolvedor "comum" compreenda completamente os cenários possíveis de execução daquele código.

Claro que um desenvolvedor treinado naquela base de código poderia mais facilmente ter uma boa compreensão. No entanto, a realidade é que a curva de aprendizado impacta diretamente num ambiente dinâmico de uma empresa, onde projetos e pessoas vão e vêm.

Algo que adiciona ao problema é o "tribalismo" em equipes que adotam programação funcional, isto é, poucas pessoas constroem um jeito bem específico de desenvolvedor o sistema que torna contribuições externas quase impossíveis. Um jeito de fazer isto é criando um dialeto próprio, talvez uma biblioteca com funções que ninguém mais conhece. Não é incomum equipes que vivem isoladas das demais. Tais projetos tendem a surgir por um ou poucos entusiastas por PF e depois morrer tendem a morrer assim que eles deixam as empresas porque ninguém quer colocar a mão.

Acessibilidade e portabilidade

Num ambiente colaborativo, a portabilidade de desenvolvedores faz toda a diferença. Embora eu defenda liberdade dos engenheiros em escolher a tecnologia mais adequada para resolver cada problema, é necessário também ter consciência de que você não é o dono do código.

Um jeito de contornar o problema de acessibilidade e portabilidade seria usar uma linguagem que seja naturalmente funcionais - e.g. Haskell, Erlang, Clojure, Scala - ou pelo menos padronizar o uso com bibliotecas já conhecidas.

Em minha opinião, a cultura da empresa vai ditar se é possível adotar uma linguagem funcional de mais alta complexidade ou se é melhor ater-se ao básico.

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