0

Contexto

O método MQO (mínimos quadrados ordinários) é conhecido por receber:

  • um modelo de função f de parâmetro x (que pode representar vários parâmetros) a partir de um modelo com coeficientes c[1], c[2], ..., c[o], preferencialmente lineares entre eles, ou seja, seguindo o modelo f(x) = f[1](x)*c[1] + f[2](x)*c[2] + f[3](x)*c[3] + ... + f[o](x)*c[o]),
  • uma série de dados que relacionam argumentos x[1], x[2], ..., x[n] e resultados y[1], y[2], ..., y[n]

e fornece como resultado da aplicação do método os valores de coeficientes que fornecem a função f com menores erros de aproximação nessas relações f(x)~y, erros esses medidos ao todo pela soma dos quadrados dos resíduos (diferenças de valor exato e aproximação), minimizando assim a fórmula ( y[1]-f(x[1]) )²+( y[2]-f(x[2]) )²+( y[3]-f(x[3]) )²+...+( y[n]-f(x[n]) )².

Além disso, sabe-se que há adaptações onde se associa um peso a cada relação de argumento e resultado ([x[1],y[1],p[1]] , [x[2],y[2],p[2]] , [x[3],y[3],p[3]] , ... , [x[n],y[n],p[n]]) para definir a relevância de cada dado e focar maior precisão neles, tornando o erro que é minimizado medido pela fórmula p[1]*( y[1]-f(x[1]) )²+p[2]*( y[2]-f(x[2]) )²+p[3]*( y[3]-f(x[3]) )²+...+p[n]*( y[n]-f(x[n]) )².

Também há adaptações onde não se define discretamente mas sim continuamente as associações de dados, onde x é definido como um intervalo de um parâmetro (ou uma região de vários parâmetros), y é definido como uma função nesse intervalo, se houver peso p também é definido como uma função no intervalo e a fórmula de erro não soma valores discretos mas sim integra valores contínuos no intervalo (Integral( x=x[0]..x[1] , p(x)*(y(x)-f(x))² dx )), portanto é mais adequado que se utilize funções que resultem numa integral de função integrável (ou pelo menos que se tenha uma boa regra de integração numérica).

Linearidade do problema

O mais interessante é que o resultado é uma solução de sistema de equações lineares quando f segue o modelo linear em relação a cada coeficiente, pois

  • as variáveis são os coeficientes,
  • as equações são derivadas da fórmula de erro em relação a cada coeficiente igualadas a zero
  • e as derivadas do erro sempre resultam em expressões lineares quando f segue o tal modelo linear.

Flexibilizando medidas de erro via controle de fórmulas

Percebe-se que cada equação do sistema trata a minimização de soma de quadrados por meio da derivada em um dos coeficientes. Talvez a escolha de um coeficiente cuja influência na minimização de quadrados será ignorada para aplicar outro tipo de aproximação (ou seja, a escolha de uma equação do sistema para ser trocada por outra) possa modificar a medida de erro favoravelmente a outro critério.

Por exemplo, outra maneira de reduzir erros com equações lineares é igualar um valor aproximado ao seu valor exato de tal maneira que no entorno dele haja alta precisão. Pode-se utilizar equações com esse fim. Outra maneira é igualar os erros de duas aproximações de modo que o mais preciso perca precisão, o menos preciso ganhe e assim o maior erro diminui.

Flexibilizando medidas de erro via controle de pesos

Percebe-se que quando não há pesos (ou define-se pesos sempre iguais a 1), cada resíduo é da forma y[i]-f[i], já quando se utiliza pesos p[i]=1/y[i]² as expressões elevadas ao quadrado passam a seguir a forma (y[i]-f[i])/y[i], como uma transformação de resíduos de comportamento absoluto para relativo, mas ainda assim o erro minimizado é a soma de quadrados de resíduos. E se o erro que se deseja minimizar fosse outro, como o máximo módulo de resíduo ou a soma dos módulos?

Por exemplo, dado x=[1,2,3,4,5,6], y=[8,9,9,10,10,11] e f(x)=c[1]+x*c[2] (portanto o=2 e n=6),

  • sem pesos o resultado é f(x)=(266+19*x)/35 e os resíduos são [1/7 , -11/35 , 8/35 , -8/35 , 11/35 , -1/7],
  • já com pesos [1,2,1,1,2,1] o resultado é f(x)=(31+2*x)/4 e os resíduos são [1/4, -1/4, 1/4, -1/4, 1/4, -1/4].

O que a segunda solução tem de especial? Qualquer mudança de peso provoca aumento no módulo de resíduo máximo, que é 0.25 (já do outro, sem pesos, é 0.3143, portanto pode-se fazer todos os resíduos terem módulos abaixo disso simplesmente controlando os pesos). Uma boa escolha nos pesos pode resultar na medida de erro desejada, minimizando-o pelo critério que achar mais conveniente.

Pergunta

Existe um algoritmo que faz ajuste de curva como o MQO com maior controle da medida de erro que será minimizada, quer seja de outro método (baseado ou não em MQO) ou com o próprio MQO incluindo o cálculo dos pesos ideais?

Preferencialmente, que se conserve a propriedade de linearidade, visando maior certeza de solução e desempenho (ou seja, se possível evitando iterações dependentes de convergência). Também se possível contornar testes de erros em mudanças iterativas de peso para que não se aplique MQO demais.

Edit: bem como o MQO já trata especificamente de soma de quadrados, são aceitos algoritmos que especificamente tratam de critério de soma de módulos e/ou critério de módulo máximo (pois são os extremos e os mais importantes), mas é interessante que se tenha a possibilidade de definição de maneira generalizada.

  • Isto está mais tese de mestrado que uma pergunta sobre programação , todavia a aplicação prática é visível. – Motta 12/08 às 1:09
  • Na verdade, essa última edição se dá exatamente por eu já ter uma ideia de como resolver e estar implementando para testar na aplicação que preciso. Ainda assim, pode ser que proponham algo já estudado anteriormente. Talvez não seja novidade ou trabalho de mestrado. – RHER WOLF 12/08 às 2:05

Sua resposta

By clicking “Publique sua resposta”, you agree to our terms of service, privacy policy and cookie policy

Pesquise outras perguntas com a tag ou faça sua própria pergunta.