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Normalmente nas linguagens de programação e bancos de dados, nomes de identificadores (variáveis, funções, classes, métodos, tabelas, campos etc) devem começar obrigatoriamente com uma letra ou underline, números podem vir na sequência e para evitar problemas caracteres acentuados e especiais devem ser evitados.

No PHP as variáveis devem começar com um cifrão $ porém é possível criar identificadores com nomes estranhos como os abaixo:

<?php
header('Content-Type: text/html; charset=utf-8');

function executarAção($ação){
    echo $ação .' <br>';
}

function 웃(){
    echo 'boneco de palito da uml é você mesmo? <br>';
}

function variavelEstranha(){
    ${0} = 'Olá mundo estranho :D';
    echo ${0};  
}

executarAção('kboom');
웃();
variavelEstranha();

Pergunta:

Por qual razão o PHP permite criar variáveis e funções com caracteres especiais?

Exemplo

Obs: no meu teste, salvei o arquivo como utf-8.

  • 1
    Por qual razão não permitiria? – Caffé 28/10/14 às 20:46
  • 2
    Mostra toda falta de coerência do PHP... Reconhece a função executarAção, mas a própria função nativa para contar o tamanho de uma string não reconhece acentos. – Papa Charlie 28/10/14 às 21:18
  • 3
    @PapaCharlie Pelo menos nesse aspecto, pra mim não causa não. É só não confundir strlen() com mb_strlen(). – Caffé 28/10/14 às 21:26
  • 2
    @Caffé, cada um é livre para votar como lhe der na telha sem obrigação de explicar porquê (seria legal, mas não é obrigado)... Acho que o +6 vs -1 fala por si só. – brasofilo 28/10/14 às 23:14
  • 1
    Para nomes de funções não sabia que permitia.. Interessante.. Eu sei que pode usar também em índices de arrays array('漢字'=>null)... Fora do mundo PHP, se PHP é "confuso ou bizarro" por permitir isso, o Oracle também é pois nomes de base de dados, tabelas e colunas aceitam caracteres especiais também. – Daniel Omine 29/10/14 às 4:32
8

Porque programadores de outros lugares do mundo, como da Arábia Saudita, por exemplo, provavelmente gostariam de poder criar uma função assim:

نفعلشيئا()

Não há nenhum motivo para o compilador proibir o uso de "caracteres especiais" no código fonte.

Você pode convencionar o não uso no seu projeto, por algum motivo específico, e pode ainda configurar um analisador de código fonte para quebrar o build caso encontre caracteres proibidos por convenção. Mas o compilador não conhece alguns aspectos da cultura do seu time ou não está preocupado.

Update: desculpe o uso da palavra "compilador" :-) Algumas linguagens são apenas interpretadas. Mas a resposta é a mesma.

A propósito, o seu exemplo, 웃, parece ser um carcter válido na Coreia ("sorridente", segundo o Google Translate).

Update 2 - uma breve reflexão: Por que não usamos caracteres especiais nos nossos sistemas?

O que torna um caracter especial?

Nesta documentação de um recurso do Windows, encontrei uma definição interessante:

Caracteres especiais são caracteres que não são encontrados no teclado.

Ora, no meu teclado eu vejo tudo que eu preciso para escrever "executarAção". Então alguma definição de caracter especial está errada (a nossa aqui nesta pergunta ou a do documentador da Microsoft).

Eu gostei mais desta outra definição:

São caracteres como pontos, símbolos (@ * ! % ; : . ) ou espaços em branco que não são aceitos pelo sistema de cadastro para preenchimento dos campos nome de usuário e senha.

Aí sim uma boa definição. Ela estabele o domínio para sua definição de caracteres especiais: determinados campos do sistema de cadastro.

Então, concluo que a definição de "caracteres especiais" varia de acordo com o contexto. O que é caracter especial aqui, pode não ser ali.

Nossa definição de caracter especial:

Nós, programadores de língua portuguesa, consideramos especiais até os caracteres que fazem parte da nossa vida: cedilha e acentuação. Não gostamos deles nos nossos sistemas porque... porque... por que mesmo? Claro, nem precisamos de definição formal, nossa experiência revela que isso só dá problema:

  • Cada programador salva o arquivo com uma codificação diferente, então o cedilha que você salvou na sua máquina aparece como um símbolo estranho na minha.

  • Cada aplicativo que usa o nosso banco de dados foi compilado ou será interpretado usando uma codificação diferente, então o SELECT que escrevi num aplicativo usando cedilha não encontrará a tabela criada com cedilha a partir de outro aplicativo.

  • Cada programador tem uma "noção" diferente de quais palavras são acentuadas, então a função que eu nomeio com um acento não será facilmente encontrada por outro programador que acredita que a palavra não leve acento.

  • E por aí vai...

Conclusão: ora, um programador bem-intencionado do PHP deve achar bacana que os de língua portuguesa possam usar sua acentuação, tão comum, no código fonte. Se o interpretador não tem problemas em lidar com estes caracteres, por que limitar seu uso? E, é claro, como já mencionei, há muitos idiomas por aí usando os mais diversos "caracteres especiais".

Os problemas que citei podem ser ignorados por este programador do PHP pois é "fácil" de eliminá-los: basta que todos usem codificação UTF-8 nos seus editores e demais ferramentas, e basta que todos conheçam bem seu idioma. Nós não apostamos nisso (eu pelo menos não aposto) e seguimos nossa tradição de convencionar o não uso de caracteres especiais.

É claro que antes do advento e massificação de padrões de codificação mais modernos (UTF-8), os problemas quanto ao uso de "caracteres especiais" eram sérios pois os padrões de codificações eram limitados. Mesmo naquela época os compiladores e interpretadores não podiam fazer muito no sentido de limitar o uso de caracteres pois, como já dito, a definição de quais caracteres são especiais vai variar.

  • E o ${0} não deveria gerar um erro ex: { não esperada ou, instrução(if/while/class) esperada antes da { ? – rray 28/10/14 às 21:03
  • @perdeu Não necessariamente. O PHP já sabe que você está declarando uma variável dado o $, então ele só precisa proibir os caracteres com os quais ele não consegue lidar naquele contexto. Há outras linguagens que não proibem o uso por exemplo de palavras chave em um contexto onde o compilador sabe que não cabe o uso da palavra como palavra chave. – Caffé 28/10/14 às 21:06

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