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Ainda no PHP 5 já era possível fazer a declaração de tipos em argumentos da função.

Declarações de tipo

Declarações de tipo permitem que funções requiram que parâmetros sejam de certos tipos ao chamá-los. Se o valor informado no parâmetro tiver um tipo incorreto então um erro é gerado: no PHP 5 será um erro fatal recuperável, enquanto que no PHP 7 irá lançar uma exceção TypeError

Para declarar o tipo o seu nome deve ser adicionado antes no nome do parâmetro. A declaração pode ser feita para aceitar NULL se o valor default do parâmetro for configurado também para NULL.

A partir do PHP 7 é possível declarar o tipo de retorno de uma determinada função.

Declaração de tipo de retorno

O PHP 7 acrescenta suporte a declaração de tipo de retorno. Similar à declaração de tipagem de argumentos, declaração de tipo de retorno especifica o tipo do valor que será retornado de uma função. Os mesmos tipos que estão disponíveis para declaração de argumentos estão disponíveis para tipagem de retornos.

A tipagem estrita também afeta a tipagem de retorno. No modo padrão (tripagem fraca) o valores retornados serão convertidos para o tipo correto caso não enquadrem no tipo informado. No modo de tipagem forte os valores retornados precisam ser o tipo correto ou uma exceção TypeError será lançada.

Porém, na documentação, nada é dito sobre a necessidade de o tipo estar declarado ou não no escopo atual. Fiz o teste e percebi que o PHP não faz a verificação se o tipo está declarado e continua tento o mesmo comportamento supracitado.

function foo(): Foo {
    return 'foo';
}

foo();

A saída será a exceção TypeError:

Return value of foo() must be an instance of Foo, string returned

Como, então, a linguagem verifica se o retorno é uma instância de Foo sem que a classe Foo exista? Avaliando o comportamento a estrutura instanceof podemos perceber que ela aceita a verificação a partir de apenas o nome da classe, como string.

$obj = 'foo';
$class = 'Foo';

var_dump($obj instanceof $class);  // bool(false)

É esse o comportamento utilizado na verificação de tipos de argumentos e retornos? O interpretador armazena internamente o tipo como string e faz a verificação apenas a partir do nome?

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    Muito boa a pergunta, também gostaria de saber isso com mais detalhes. – Filipe L. Constante 10/05 às 16:53
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    É uma questão bem interessante. Será que publicando a questão em bugs.php.net/report.php poderiam dar uma avaliação mais aprofundada do caso? – GustavoAdolfo 10/05 às 17:11
  • Anderson, me parece que a avaliação está equivocada. O seu var_dump demonstra que $obj não é instância de Foo. Da mesma maneira, o TypeError lançado está correto, uma vez que a validação inicial (string !== (instance of Foo)) ocorre, não é necessário que o interpretador verifique se a classe Foo existe ou não. O erro de existência da classe ocorerria se o retorno for return new Foo. – Rafael Araújo 13/05 às 12:27
  • @RafaelAraújo Mas é exatamente essa a pergunta, sobre como o PHP analisa o tipo de retorno mesmo quando o tipo não está definido. Não entendi qual seria a avaliação equivocada. – Woss 13/05 às 12:34
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    Relacionado: pt.stackoverflow.com/q/93707/101 – Maniero 17/05 às 16:19
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Procurando no código fonte do PHP, mais especificamente no arquivo Zend/zend_execute.c, existe uma função zend_verify_internal_return_type, que verifica qual é o retorno de uma função do PHP, e, dentro dela, é chamada a função zend_check_type, que checa o valor retornado com o tipo da função, a parte relevante para a questão é:

if (ZEND_TYPE_IS_CLASS(type)) {
    if (EXPECTED(*cache_slot)) {
        *ce = (zend_class_entry *) *cache_slot;
    } else {
        *ce = zend_fetch_class(ZEND_TYPE_NAME(type), (ZEND_FETCH_CLASS_AUTO | ZEND_FETCH_CLASS_NO_AUTOLOAD));
        if (UNEXPECTED(!*ce)) {
            return Z_TYPE_P(arg) == IS_NULL && (ZEND_TYPE_ALLOW_NULL(type) || (default_value && is_null_constant(scope, default_value)));
        }
        *cache_slot = (void *) *ce;
    }
    if (EXPECTED(Z_TYPE_P(arg) == IS_OBJECT)) {
        return instanceof_function(Z_OBJCE_P(arg), *ce);
    }
    return Z_TYPE_P(arg) == IS_NULL && (ZEND_TYPE_ALLOW_NULL(type) || (default_value && is_null_constant(scope, default_value)));
} else if [ ... ]

Observação: o valor da variável default_value sempre será nulo, ele é usado apenas na verificação do tipo dos parâmetros da função, então a expressão entre parênteses depois do OU lógico sempre será falsa. Assim como o cache_slot também sempre será nulo e o conteúdo dentro da condição EXPECTED(*cache_slot) nunca será executado. Ambas as variáveis sempre são nulas porque dentro da função zend_verify_internal_return_type é chamado zend_check_type passando sempre NULL:

static int zend_verify_internal_return_type(zend_function *zf, zval *ret)
{
    zend_internal_arg_info *ret_info = zf->internal_function.arg_info - 1;
    zend_class_entry *ce = NULL;
    void *dummy_cache_slot = NULL;

    if (ZEND_TYPE_CODE(ret_info->type) == IS_VOID) {
        if (UNEXPECTED(Z_TYPE_P(ret) != IS_NULL)) {
            zend_verify_void_return_error(zf, zend_zval_type_name(ret), "");
            return 0;
        }
        return 1;
    }

    if (UNEXPECTED(!zend_check_type(ret_info->type, ret, &ce, &dummy_cache_slot, NULL, NULL, 1, 0))) {
        zend_verify_internal_return_error(zf, ce, ret);
        return 0;
    }

    return 1;
}

Observe que nessa função já é verificado se o tipo é void e o retorno é NULL

Se o tipo da função for uma classe, então ele procura a classe, como a classe não existe, será executado a linha:

return Z_TYPE_P(arg) == IS_NULL && (ZEND_TYPE_ALLOW_NULL(type) || (default_value && is_null_constant(scope, default_value)));

Que verificará se o tipo do retorno é NULL e se a função aceita o retorno nulo, não é o seu caso, então essa função retornará falso

Agora, se a classe for encontrada e o tipo do retorno for um objeto, então é usado a função instanceof_function para verificar se o retorno é uma instância da classe encontrada

Então, mesmo que crie uma função e a mesma retornar um objeto qualquer, o PHP nunca vai lançar uma exceção devido ao tipo não ter sido declarado ainda, em vez disso ele lançará uma exceção do tipo TypeError:

function foo(): Foo {
  return new DateTime();
}

foo();

PHP Fatal error: Uncaught TypeError: Return value of foo() must be an instance of Foo, instance of DateTime returned in [...]

Mesmo que o tipo definido não existir, mas a função poder retornar NULL (prefixando o tipo com uma interrogação ?) e realmente retornar NULL, o código será executado com sucesso:

function bar(): ?Bar {
  return null;
}

bar();

Permitindo algo como:

function baz(arrray $args): ?Baz {
  return class_exists('Baz') ? new Baz(...$args) : null;
};

baz($args);

Que verifica se a classe existe e, se sim, retorna sua instância, se não, retorna nulo

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Oi, Anderson.

Sim, neste passo de compatibilização da assinatura com o retorno, a linguagem verifica se o retorno é uma instância de Foo sem que a classe Foo exista.

Considerando o momento a partir de que estamos no momento do retorno da função, ou seja, já passamos com sucesso tanto a execução da entrada da função quanto do corpo da função com sucesso, e estamos no passo em que a função está retornando o resultado de sua execução:

No retorno, o interpretador vai consultar o metadado da definição do tipo de dado que está sendo retornado. Em seu exemplo, o metadado do que será retornado é do tipo string, um tipo interno, e ele será comparado com o metadado da assinatura do método, que está definido como Foo, um objeto. Estas estruturas são comparadas e, por serem incompatíveis, o interpretador já lança o erro de tipo.

Já que de qualquer maneira há uma incompatibilidade, este passo é realizado sem a necessidade de verificação da existência da representação de Foo no sistema a fim de economizar recursos, pois, se compatíveis (ambos são objetos, por exemplo), aí sim o interpretador teria que comparar os objetos em toda a complexidade da cadeira (herança, implementação de interfaces, etc).

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    Mas como é feita essa comparação? Consegue demonstrar com alguma fonte oficial (documentação/código) de como isso acontece? Pois abri a pergunta justamente porque não fica claro como é esse processo internamente. – Woss 13/05 às 19:16

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