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Estou com um problema simples. Consigo utilizar a função fread normalmente para trabalhar com processamento de áudio em C. No caso tenho 2 códigos. O primeiro lê um arquivo .WAV (com fread) e salva em um arquivo .CSV. Esta etapa está funcionando corretamente, pois já verifiquei o .csv com o matlab. Porém, no segundo código quando tento abrir o arquivo .CSV só retorna lixo da memória. Então criei um arquivo .txt com apenas 1 numero e tentei acessá-lo através da função fread e mesmo assim retorna lixo.

Segue o código:

#include<stdio.h>
#include<stdlib.h>

int main(){

    FILE *fp;
    //Este arquivo contem apenas o digito 1.
    fp = fopen("ex.txt","r");
    int text[100];

    fread(text, sizeof(text),1,fp);

    printf("%d",text[0]);

    fclose(fp);

    return 0;
}

Qual seria o problema principal? Conheço os outros métodos como fgets e fscanf porém gostaria de utilizar o fread.

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Seu programa possui vários pequenos problemas e você parece ter a ideia correta, mas com problemas na implementação para uma linguagem de nível mais baixo como C.

Inicialmente, vamos deixar claro que a função fread lê bytes consecutivos do stream que você especificou e, daí, coloca esses bytes lidos de forma "binária" na memória que você especificar.

Note-se que, aqui, fread não faz interpretação/conversão da representação textual de números (por exemplo, a sequência de caracteres 1) para a forma "interna" do computador (a representação binária dele, que pode ser big ou little-endian).

Se o seu arquivo ex.txt tiver única e exclusivamente o dígito 1 na forma de texto, o que estará no arquivo será (muito provavelmente, codificado em latin1 ou UTF-8) um único byte e a função fread lerá esse byte (para o caractere 1 a representação interna, com essas codificações que eu falei, será 49 (o valor "ASCII" do 1)) e colocará o conteúdo desse byte na memória de endereço &text (não é erro o &).

Em computadores "populares" (ARMs, PowerPCs, i386, amd64 etc.), um inteiro possui tamanho de 4 bytes e, portanto, quando você lê a posição de memória text[0] para imprimir com printf, você estará lendo o número 1 e mais 3 outros bytes que podem ser algum lixo.

(Além disso, a maioria dos computadores que temos à nossa disposição é little-endian).

No meu computador (rodando Debian GNU/Linux testing, com GCC 8.2.1 e biblioteca C glibc 2.28), se eu colocar um arquivo ex.txt com o dígito 1 seguido de new-line (isto é, '\n', que possui código ASCII 10) e eu executar o seu programa, eu obtenho o número 2609, que faz completo sentido, já que 2609 = 49 + 10 * 256 e isso é consistente com o computador ser little-endian:

  • primeiro, o byte de número 49 está na memória
  • depois, o byte de número 10 está na memória

(Provavelmente, zeros foram colocados no restante da memória reservada para text no meu sistema, mas não se deve contar com isso).

Seu código ainda possui alguns outros problemas (além de indentação/espaçamento), mas um dos principais é que você declara o vetor text como vetor de ints, mas parece querer colocar dados arbitrários (binários), se você insiste em usar fgets (fscanf ou fgets fariam a interpretação das sequências de caracteres para a representação interna do computador).

Supondo-se que você queira ainda usar a sequência binária nas suas manipulações, você deveria, depois de fazer a leitura dos dados como você já fez:

  • fazer a leitura da região de memória text com um ponteiro para chars
  • usar a string de formatação %c no printf
  • declarar o vetor text como apenas de chars (não é estritamente necessário, mas evita uma grande quantidade de "sambadas" com ponteiros)

Honestamente, é mais simples usar fgets (geralmente, mais seguro do que outras opções) e deixar fread apenas para quando você quiser os dados binários do arquivo.

  • Muito obrigado pela explicação! É exatamente o que eu estava precisando entender. – Gabriel Lavoura 7/03 às 10:43
  • @GabrielLavoura, é um prazer. Eu editei a minha resposta para colocar alguns links para a Wikipédia que dão mais informações/contexto para quem vier a ler a reposta. – rbrito 8/03 às 2:13

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