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o método open() do Python tem funções pra ler e escrever mas não tem para atualizar, como posso fazer?

fechada como não está clara o suficiente por gato, nosklo, Andrei Coelho, João Martins, LeAndrade 4/03 às 16:32

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A própria chamada ao método write pode atualizar arquivos de texto - o que acontece é que se o conteúdo do arquivo for "texto", é praticamente impossível mudar o seu conteúdo de forma que seja útil - o melhor é re-escrever o arquivo todo. Aqui eu explico bem o porque: Como deletar um entrada de um arquivo Python sem precisar ler todo o arquivo?

Agora, sim, para mudar o conteúdo de um arquivo existente sem re-escrever o arquivo todo, a chave é que o arquivo tem que ser aberto no modo "r+b". Apesar do "r", normalmente usado para leitura, o caractere "+" muda o modo para "leitura e escrita". (poderia ser sem o "b", mas não faz sentido para arquivos de texto em que você não sabe a priori o tamanho que uma string terá em bytes no arquivo - quem vai fazer isso tem que ter controle completo sobre cada byte escrito e isso só é possível se você codificar o conteúdo manualmente - arquivos abertos no modo texto tem um passo transparente de codificação do texto em bytes que pode alterar o tamanho da string).

A chave para as mudanças é saber que dado um arquivo aberto em Python, ele existe como um "objeto" no sistema operacional, e o próprio sistema operacional mantém um "apontador" para a posição do arquivo onde será feita a escrita. Do lado do Python, ou de qualquer outra linguagem, além de read e write, um programa pode mudar a posição desse apontador usando o método .seek. Uma vez que o apontador esteja no ponto exato em que você quer escrever, você pode usar o write, e o número de bytes que você escrever vai sobre-escrever aquele exato tanto de bytes no arquivo.

Um exemplo rápido, vamos escrever os bytes que correspondem as letras maiúsculas "ABCD" num arquivo de 4 bytes, e mudar apenas a terceira letra "C" para "E" e ler de novo:

open("teste.bin", "wb").write(b"ABCD")
print(open("teste.bin", "rb").read().decode())
arq = open("teste.bin", "r+b")
arq.seek(2)
arq.write(b"E")
arq.close()
print(open("teste.bin", "rb").read().decode())

Quando eu colo essas linhas para sua execução imediata no modo interativo, temos:

>>> open("teste.bin", "wb").write(b"ABCD")
4
>>> print(open("teste.bin", "rb").read().decode())
ABCD
>>> arq = open("teste.bin", "r+b")
>>> arq.seek(2)
2
>>> arq.write(b"E")
1
>>> arq.close()
>>> print(open("teste.bin", "rb").read().decode())
ABED
>>> 

Então dê uma olhada na documentação do "seek" - https://python-reference.readthedocs.io/en/latest/docs/file/seek.html para fazer mais experiências, mas enfatizo que você não deve usar essa abordagem em programas simples.

Porque não fazer isso

Mesmo que seja possível alterar um único, ou poucos, bytes em um arquivo ja existente, é preferível recria-lo por inteiro.

Os dois motivos principais são: é difícil saber qual comprimento texto vai ter dentro de um arquivo, como expliquei acima. Mas principalmente não há nenhum ganho de recursos ou eficiência em fazer isso: você não economiza tempo, nem desgasta menos seu HD (ou SSD): mesmo que você altere um único byte em um arquivo, a menor unidade de escrita para o HD que o sistema operacional usa (seja Windows, LInux, Mac ou outro Unix) é um "bloco" - e esses blocos em geral tem 4KB (4096 bytes). Ou seja - mesmo na escrita de uma única letra "E" no meu exemplo acima, mesmo que o Python, e o runtime do Python (a parte em código nativo, escrito em C) tenham manipulado um único byte com o código da letra "E", quando foi feita a chamada ao "write", o sistema operacional obrigatoriamente executa esses passos:

  1. lê todo o bloco do arquivo onde está o byte que vai ser alterado (4KB)
  2. muda aquele único byte na memória
  3. aloca no sistema de arquivos, um novo bloco
  4. escreve o bloco inteiro (4KB - sendo 4 bytes de informação e 4092 bytes de lixo, nesse caso) na nova posição
  5. altera as tabelas do sistema de arquivos de forma que o arquivo use o novo bloco escrito
  6. retorna o controle do programa para o runtime do Python.

Tudo isso acontece de forma transparente para o programador, mesmo se fosse um programador C.

E por fim, há um terceiro motivo para não querer alterar um arquivo já existente: não dá para inserir conteúdo em um arquivo - você só pode sobre-escrever bytes que já estão lá. Se é um arquivo com 4 linhas de texto, e você quer inserir uma segunda linha, entre a primeira e a segunda(orignal), não tem nenhuma chamada do sistema para "empurrar" o restante do arquivo para frente, e colocar seus bytes novos naquela posição.

Como alterar o conteúdo de um arquivo

A abordagem correta é para a grande maioria dos casos é:

  1. ler todo o arquivo para a memória do computador
  2. Alterar o conteúdo do arquivo na memória (aqui você tem várias formas diferentes de inserir conteúdo, trocar, sobre-escrever, etc...)
  3. criar um novo arquivo e gravar o conteúdo alterado.

É claro que nos computadores atuais (e mesmo nos de 25 anos atrás), escrever milhares de bytes em um novo arquivo é muito eficiente - por isso não há perda de performance ao se fazer essa abordagem.

Se você desejar mais segurança para código em produção, pode, no momento de escrever o arquivo, em vez de criar um arquivo novo com o mesmo nome fazer:

  1. criar um arquivo com um nome diferente
  2. gravar o novo conteúdo
  3. verificar que a gravação ocorreu sem problemas
  4. apagar o arquivo antigo
  5. renomear o arquivo novo para o nome do antigo

(Isso é bem fácil de fazer. Por exemplo, o passo de "verificar se foi tudo bem com a gravação", em Python é automático - se der algum problema na gravação o Python vai gerar uma exceção e seu código nem vai tentar apagar o arquivo antigo. As chamadas os.unlink e os.rename do módulo os permitem apagar o arquivo antigo e renomear o arquivo novo).

O exemplo anterior fica assim:

import os
nome_original = "teste.txt"
arq.open(nome_original, "wt").write("ABCD")
conteudo = arq.open(nome_original).read()
novo_conteudo = conteudo[0:2] + "E" + conteudo[3:]
arq.open("nome_novo", "wt").write(novo_conteudo)
os.unlink(nome_original)
os.rename("nome_novo", nome_original)

Por que você não precisa mesmo alterar um arquivo existente

Qualquer que seja sua aplicação, se você está tratando centenas de milhares (ou milhões de vezes mais que isso) de dados, e quer manter isso organizado, você não vai estar inventando essa organização do zero, em um arquivo seu: em geral você vai usar um Banco de Dados - que já faz exatamente isso - organiza esses dados da forma mais eficiente possível. Se as pessoas que estão há décadas desenvolvendo o sistema de banco de dados resolveram que para algumas situações é vantajoso mudar o conteúdo de um arquivo sem re-escrever o mesmo, o código pra isso está dentro do banco de dados, não no seu sistema.

Da mesma forma se você está trabalhando com arquivos grandes como imagem ou vídeo: você vai estar usando bibliotecas de acesso ao conteúdo desses arquivos - essas bibliotecas fazem a abstração pra você - tudo oque você vê são os dados de imagem descomprimidos na memória.

Para arquivos pequenos de texto (e nesse caso, "pequenos" é até uns 50MB), a abordagem de ler tudo pra memória e gravar tudo de volta funciona perfeitamente. (Mas, se você tem mais de 100KB de dados em arquivo texto, já é hora de pensar em migrar suas informações para um sistema de banco de dados de qualquer forma)

  • vlw, eu estava tentando usar o open como um mini banco de dados já que estou começando agr em python, vou tentar alguma opção como o sqlite – Hugo 5/03 às 17:14

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