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Para que serve a função range() em Python? Qual a verdadeira utilidade dela? É apenas uma lista numérica?

  • Bom lembrar que a notação matematica do Range é: range([start], stop[, step]). – Fabricio Paiva 11/02 às 12:11
  • Isso não é notação matemática; acredito que você quis se referir à assinatura da função. E o correto seria range(stop) ou range(start, stop[, step]). Certo? – Anderson Carlos Woss 11/02 às 12:19
  • A notação dos intervalos. Na realidade vc tem razão...apesar de colchetes representar intervalos também, o mais comum em matemática é usar a reta dos reais. – Fabricio Paiva 11/02 às 12:51
  • Neste caso seria α ∈ [start, stop[ ∀ α = start + k*step, k ∈ N apenas. Na resposta pareceu que acabou misturando as coisas – Anderson Carlos Woss 11/02 às 12:55
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O range é uma classe iterável. É um tanto semelhante a uma lista, mas com a diferença de que diferentemente de uma lista propriamente dita, os valores intermediários não são armazenados na memória, sendo então calculados a medida que ela for iterada com base no valor do step (que por padrão é 1). Dessa forma, um range com um elemento e um range com um milhão de elementos utilizam a mesma quantidade de memória, o que se traduz em economia de espaço e melhor desempenho.

Um exemplo de uso:

for i in range(1, 10):
    print(i)

Este exemplo mostra os números de 1 até 9. O primeiro parâmetro, que se chama start é o primeiro número que está dentro do range. O segundo parâmetro, chamado de stop é o primeiro número que não está mais na sequência. O número 10 não aparece na sequência porque não está mais dentro do range, e portanto, isso vai de 1 até 9.

É possível também especificar-se o valor do step ao utilizar-se um terceiro parâmetro:

for i in range(1, 10, 2):
    print(i)

Isso daí vai mostrar os números 1, 3, 5, 7 e 9. Ou seja, pulando de 2 em 2.

Se apenas um único parâmetro for especificado, esse será o stop e o valor 0 será assumido para o start. Assim, range(5) corresponde aos números de 0 até 4.

O range também pode ser acessado em posições arbitrárias sem que valores intermediários precisem ser calculados (por exemplo, range(1, 10)[3]). O valor resultante (para índices positivos dentro do intervalo) é facilmente obtido por meio da fórmula start + index * step.

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Em Python 3, range, apesar de ser usado como uma função, inclusive nos exemplos iniciais de tutoriais em Python, não é uma função. É uma classe:

In [1]: teste = range(10)                                                                                          

In [2]: type(teste)                                                                                                
Out[2]: range

In [3]: type(range)                                                                                                
Out[3]: type

In [4]: isinstance(range, type)                                                                                    
Out[4]: True

range é uma classe e os objetos que são instâncias dessa classe, que podemos chamar de "ranges" tem todas as propriedades de Sequências Imutáveis em Python.

Em Python 2, range era uma função, que retornava uma lista (list), normal do Python:

Python 2.7.15 (default, Oct 15 2018, 15:26:09) 
...
In [1]: teste = range(10)

In [2]: type(teste)
Out[2]: list

In [3]: type(range)
Out[3]: builtin_function_or_method

In [4]: isinstance(range, type)
Out[4]: False

O que acontece é que em algum ponto se verificou que raríssimas, se é que alguma vez, ao ser necessário uma sequência numérica você vai precisar ter todos os números de uma sequência de uma vez na memória - ao percorrer a sequência, você vai usar um número de cada vez. Então ainda no Python 2 criaram o xrange que era essa classe especializada para "parecer uma função", cujo retorno "se comporta como uma lista", mas é na verdad euma sequência "virtual".

A chamada a range no Python 3 tampouco retorna um "iterador" em Python é algo diferente - é um objeto que fornece itens em sequência, e que pode, por exemplo, ser consumido pelo comando for, mas pode ser percorrido uma única vez. Se você tentar usar o mesmo iterador mais de uma vez, no segundo uso ele estará vazio.

Então o objeto "range", assim como as listas, tuplas e outras sequências é um "iterável": quer dizer - você pode construir iteradores com ele, quantas vezes quiser, e cada iterador vai gerar todos os elementos de forma independente. O comando for cria um iterador a partir de um iterável automaticamente, mas isso também pode ser feito de forma explícita com o built-in iter:

In [6]: print([i for i in teste])                                                                                  
[0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9]

In [7]: print([i for i in teste])                                                                                  
[0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9]

In [8]: t2 = iter(teste)                                                                                           

In [9]: print([i for i in t2])                                                                                     
[0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9]

In [10]: print([i for i in t2])                                                                                    
[]

E no fundo, apesar da class range estar definida em C, o equivalente em Python da mesma é muito simples. O que a chamada a range retorna é uma instância de uma classe equivalente a essa aqui:

class Range:
    def __init__(self, start, stop=None, step=1):
        if stop is None:
             stop = start
             start = 0
        self.start = start
        self.stop = stop
        self.step = step

    def __len__(self):
         return (self.start - self.stop) // self.step

    def __getitem__(self, index):
         if index < 0: 
            index += len(self)
         result = self.start + self.step * index
         if index < 0 or result >= self.stop:
             raise IndexError
         return result

    def __iter__(self):
         i = 0
         while True:
              try:
                   yield self[i]
              except IndexError:
                   break
              i += 1

Pronto!

Todo o "segredo" para se calcular um número em uma posição do Range no momento que ele é requisitado, sem passar pelos anteriores, é a fórmula result = self.start + self.step * index.

Uma coisa interessante que fica clara nessa recriação é a parte do range que é bem intuitiva pra uso, mas pode dar dor de cabeça quando paramos para pensar: o range do Python quando chamado com dois parâmetros usa o primeiro como início e o segundo como fim. Mas quando chamado apenas com um parâmetro, em vez de usar esse parâmetro como "início" e deixar o final indefinido, ele assume o ínicio como "0", o que faz bastante sentido, e coloca o único parâmetro como sendo o "fim".

Por isso é possível fazer range(10) para números de 0 a 10, e range(5, 10), para números entre 5 e 10.

Nesta classe não está implementada a lógica para permitir contagens regressivas com índices negativos - mas é só adicionar checagens distintas no __getitem__ para quando o self.step for negativo - optei por deixar o código mais fácil de ntender. Por outro lado como também não checo os tipos dos parâmetros, essa classe funciona para números em ponto flutuante tão bem quanto para inteiros:

In [21]: a = Range(0, 2, 0.25)                                                                                     

In [22]: print([i for i in a])                                                                                     
[0.0, 0.25, 0.5, 0.75, 1.0, 1.25, 1.5, 1.75]

Vale a pena observar que ao implementar o método especial __iter__ como um generator (isso é: com um yield), a classe passa a ser "iterável", como descrevi no começo. Em cada for que uma instância desta classe Range for usada, o Python vai chamar o __iter__, e ter um gerador, que vai contar todos os números disponíveis e "expirar".

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