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As duas multiplicações, 2*i*i e 2*(i*i), são iguais e devem gerar o mesmo resultado, o que muda apenas é a ordem que as multiplicações são feitas, mas aparentemente são tratadas de forma diferente pelo interpretador.

Na primeira multiplicação, dada a ausência dos parenteses e considerando que todas as operações possuem a mesma precedência, o interpretador executará da esquerda para a direita; isto é, primeiro será feito 2*i e o resultado multiplicado por i.

Na segunda multiplicação, dada a presença dos parênteses, a ordem de execução é alterada pois a multiplicação i*i passa a ter maior precedência perante a multiplicação por 2, então o interpretador primeiro fará i*i e o resultado multiplicará por 2.

Matematicamente, a ordem dos fatores não altera o produto, então o resultado deve ser o mesmo, porém utilizando o pacote nativo timeit é possível ver uma diferença entre os tempos de execução entre essas multiplicações:

>>> print('2*i*i:', timeit("for i in range(1000): 2*i*i"))
2*i*i: 276.91411599100684

>>> print('2*(i*i):', timeit("for i in range(1000): 2*(i*i)"))
2*(i*i): 279.21798045100877

Testes foram feitos no Repl.it

Nota: importante salientar que a função timeit executará, por padrão, 1.000.000 vezes o trecho de código indicado e que o tempo exato de execução pode variar devido a oscilações do processador e entre computadores.

Por que existe essa diferença de tempo? A presença dos parenteses na expressão altera o algoritmo executado?

Salientando que a análise deve ser feita na implementação oficial do Python, CPython, na versão 3+. Comparações com outras versões ou implementações serão bem-vindas como forma de incrementar a resposta.

  • Creio que seja percepção, talvez você tenha alguma ideia do que causa a variação no interpretador, mas em um teste rápido aqui o 2*(i*i) foi mais rapido, mas isto é aquela coisa de micro-otimização, sei que eventualmente elas podem ser necessárias, mas a variação de 100ms as vezes parece muita coisa, mas em um programa nem sempre é, o que devo dizer é que por hora pode ser de fato do interpretador e outra hora pode ser ocasionado pelo sistema operacional estar ocupado com outras tarefas, sei que sua pergunta é totalmente técnica e a achei muito boa [...] – Guilherme Nascimento 3/01 às 12:10
  • [...] mas também acredito que isto possa ser apenas uma impressão sua. Claro que você pode entender algo sobre o interpretador da linguagem que confirme essa pequena eventual variação, vou acompanhar a pergunta também. – Guilherme Nascimento 3/01 às 12:10
  • 1
    Oi Anderson, talvez valha a pena postar a exata versão do Python que você usou. A diferença é razoavelmente pequena e me cheira a variação aleatória ou pequena otimização das instruções finais emitidas para o CPU. Talvez a multiplicação por dois esteja sendo substituída por algo como i<<1 no primeiro caso, ou talvez o interpretador emita instruções um pouco mais complicadas devido aos parênteses. Esse é o tipo de situação em que PyPy e Cython devem produzir resultados significativamente diferentes também. – Anthony Accioly 3/01 às 12:18
  • 1
    @AnthonyAccioly foi "quase" exatamente o que eu disse, a influencia do sistema operacional sob diferentes hardwares mais o uso de outros recursos que podem afetar a concorrência nos processos, quando citei que era micro-otimização, não quis dizer que a intenção era de fato otimizar, mas é que em muitos casos as micro-otimizações nos enganam, quando na verdade os motivos que levam a certas "micro-diferenças" são fatores externos ;) – Guilherme Nascimento 3/01 às 14:00
  • 1
    @AnthonyAccioly (cc @GuilhermeNascimento) verei se consigo redigir a pergunta então tentando eliminar esses parâmetros e deixar claro que a pergunta é exatamente sobre a troca de algoritmos em determinadas condições. Obrigado pelo feedback. – Anderson Carlos Woss 3/01 às 14:17
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"Você já sabe, mas não custa repetir" se você acha que precisa de otimizações nesse nível num trecho de código em Python, está escrevendo esse trecho de código na linguagem errada (ou qualquer outra linguagem de muito alto nível, como ruby, php, e mesmo Java).

Agora tem algumas coisas que dá pra responder na sua pergunta, e especular um pouco, mesmo sem chegar numa resposta definitiva.

Primeiro - quando você quer saber diferenças desse tipo em Python, vale a pena olhar qual foi o bytecode gerado para cada trecho de código. Comparando o bytecode é mais fácil especular quais podem ser as diferenças. Em Python, a função dis do módulo de mesmo nome permite ver o bytecode:

In [54]: def a(): 
    ...:     return 2 * i * i 
    ...:                                                                                                 

In [55]: def b(): 
    ...:     return 2 * (i * i) 
    ...:                                                                                                 

In [56]: import dis                                                                                      

In [57]: dis.dis(a)                                                                                      
  2           0 LOAD_CONST               1 (2)
              2 LOAD_GLOBAL              0 (i)
              4 BINARY_MULTIPLY
              6 LOAD_GLOBAL              0 (i)
              8 BINARY_MULTIPLY
             10 RETURN_VALUE

In [58]: dis.dis(b)                                                                                      
  2           0 LOAD_CONST               1 (2)
              2 LOAD_GLOBAL              0 (i)
              4 LOAD_GLOBAL              0 (i)
              6 BINARY_MULTIPLY
              8 BINARY_MULTIPLY
             10 RETURN_VALUE

Então como se pode ver, de fato há uma pequena diferença: No primeiro caso, o bytecode alterna carregar os valores a serem multiplicados na pilha da máquina virtual do Python com as chamadas a multiplicação em si. No segundo caso, ele coloca todos os valores na pilha da máquina virtual, e então chama o operador de multiplicação duas vezes seguidas. Pode ser que otimizadores em nível do microcódigo da CPU consigam otimizar essa chamada repetida em seguida a função que vai ser chamada pelo opcode BINARY_MULTIPLY (por exemplo, a chamada seguida pode dar mais hits na branch prediction da CPU).

De qualquer forma, se não for exatamente isso, eu ainda apostaria minhas fichas que o que acontece é exatamente alguma otimização em nível do microcode da CPU que é ativada no segundo caso.

Exatamente o tipo de coisa que você raramente vai se preocupar mesmo se estiver codificando em C, quanto mais em Python. E nesse caso, antes de dizer "nossa, deixa eu usar assembler inline", seria o caso de buscar soluções em alto-nível que pudessem user os recursos do computador de forma mais apropriada - código que use a GPU ou as unidades de processamento vetorial da CPU por exemplo, que dariam um ganho ordens de grandeza maior do que ficar micro-otimizando uma única operação. (E no caso do Python, o "primeiro" remédio sempre vai ser usar NumPy) .

Para tirar a teima se por acaso não é nada dentro do código do Pyton mesmo, só checando também o código que vai ser chamado para o BINARY_MULTIPLY - que certamente tem otimizações para quando ambos os operandos são Inteiros de Python, mas não além disso (por exemplo, uma otimização a mais se um dos operadores for '2' - de qualquer forma, o runtime tem que chamar o código que está em int.__mul__ para isso) - mas estou falando de otimizações que vão estar entre a VM achar o opcode e chamar o int.__mul__.

A propósito, a diferença realmente é tão pouco significativa que outras alterações faem as coisas mudarem - veja o que acontece quando meço os tempos para as funções a e b acima:

In [59]: i = 10                                                                                          

In [60]: %timeit a()                                                                                     
119 ns ± 1.71 ns per loop (mean ± std. dev. of 7 runs, 10000000 loops each)

In [61]: %timeit b()                                                                                     
123 ns ± 0.725 ns per loop (mean ± std. dev. of 7 runs, 10000000 loops each)

Ou seja, nesta máquina, a forma 2 * i * i é mais rápida!

  • não - no fim nenhuma das duas é mais rápida - depende dos números que vocè está usando e da CPU - a diferença é tão pequena que a ordem é essencialmente aleatória e NUNCA, NUNCA , deve ser usada para uma escolha do tipo "vou fazer assim por que é mais rápido - que eu vi lá no stackoverflow". Se precisar fazer as operações mais rápidas, faça explicitamente em código nativo (com extenção em C ou Cython), ou use o Numpy. – jsbueno 23/01 às 23:25

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