10

Li vários conteúdos sobre este tema, até chegar nesse exemplo:

public interface Funcionario{  
      public void trabalha();  
      public void recebe(double salario);  
}


public abstract class Geek implements Funcionario{  
    public abstract void trabalha();  
    public abstract void recebe(double salario);  
    public void programa(){  
       System.out.println("import java.io.*; :) ");  
    }  
}  

public abstract class BusinessMan implements Funcionario{  
     public void trabalha(){  
         System.out.println("$$$");  
     }  
     public abstract void recebe(double salario);  
}


// programador é um geek e também um funcionário...  
public class Programador extends Geek{  
      private double salario;  
      public void trabalha(){  
           super.programa();  
      }  
      public void recebe(double salario){  
            this.salario = salario;  
      }  
}

/* analista também é um geek e um funcionário, mas que trabalha de maneira diferente ao programador*/  
public class Analista extends Geek{  
      private double salario;  
      public void trabalha(){  
           super.programa();  
           supervisionaProjeto();  
      }  
      public void recebe(double salario){  
            this.salario = salario;  
      }  
      private void supervisionaProjeto(){  
           System.out.println("Supervisiona");  
      }  
}  

public class Gerente extends BusinessMan{  
     private double salario;  
     private final double BONUS = 1000.0d;  
     public void recebe(double salario){  
         this.salario = salario + this.BONUS;  
     }  
}


public class Empresa{  
   public static void main(String[] args){  
      private Funcionario[] funcionario = new Funcionario[5];  
      funcionario[0] = new Programador();  
      funcionario[1] = new Programador();  
      funcionario[2] = new Analista();  
      funcionario[3] = new Programador();  
      funcionario[4] = new Gerente();  
      // faz alguma coisa...  
   }  
}

Fonte: http://www.guj.com.br/java/6854-classe-abstrata#38794

Eu mudei a interface Funcionario por uma classe abastrata, e fiz as outras classes, que antes implementavam, agora extenderem ela. Assim:

public abstract class Funcionario {
    public abstract void trabalha();
    public abstract void recebe(double salario);
}

public abstract class Geek extends Funcionario{
    @Override
    public abstract void trabalha();

    @Override
    public abstract void recebe(double salario);

    public void programa() {
        System.out.println("import java.io.*; :) ");
    }
}

public abstract class BusinesMan extends Funcionario {

    @Override
    public void trabalha() {
        System.out.println("$$$");
    }

    @Override
    public abstract void recebe(double salario);

}

Não houve modificação nenhuma ao compilar e rodar.

Minha pergunta é: Neste caso específico muda alguma coisa com essas mudanças? Tem alguma funcionalidade que vou perder ou ganhar?

Obs.: não estou me referindo à desempenho. Estou me referindo a questão de manutenção ou complexidade, por exemplo, se mais tarde eu precisar adicionar mais algum tipo de funcionário, vai haver diferença nos dois casos?

  • 1
    Seria uma duplicata de pt.stackoverflow.com/questions/3603/classe-abstrata-x-interface, apesar da linguagem não ser a mesma? – bfavaretto 8/10/14 às 20:27
  • A linguagem realmente não será o diferencial. Ambas seguem características muito semelhantes e a resposta de uma serviria para a outra linguagem neste caso. O que pode diferenciar uma da outra é que aqui tem uma caso concreto a ser analisado. Certamente a do C# complementa esta. Se é duplicata gostaria de mais alguma opinião. – Maniero 8/10/14 às 20:30
  • 1
    Eu li essa pergunta e fiquei muita na dúvida em fazer a minha pergunta, mas não consegui obter a resposta nela para esse meu caso. Por isso fiz uma nova pergunta. Anyway as duas abordam o mesmo tema... Alguma sugestão para que eu possa editar a pergunta e ficar mais diferente da outra? – Franchesco 8/10/14 às 20:33
  • 1
    @Earendul provavelmente causaria mais problemas porque aí poderia invalidar as repostas. O que você acabou de dizer é fundamental para ajudar na decisão. Eu terminei de ler a outra e realmente acho que aqui pede e fora dado algo diferente. – Maniero 8/10/14 às 20:43
  • @Earendul Pelo que você diz não dá para considerarmos duplicata mesmo. Vou manter nossos comentários aqui, como referência, caso alguém no futuro pense que é duplicata. – bfavaretto 8/10/14 às 21:02
7

À principio não houve muita mudança. Interfaces normalmente são preferidas quando não há estado ou implementações, que é o seu caso. E isto é o mais importante a observar. Este caso não demanda classes. Se o problema fosse outro eu pensaria diferente. Por isto é importante nunca ir atrás de boas práticas e analisar o problema específico. Entender o que você quer. Para isto é importante entender a diferença entre as duas.

Você até poderia ter uma limitação futura usando uma classe abstrata porque Java só permite herança "de verdade" de apenas uma classe. E qualquer classe que herde da classe abstrata Funcionario não poderá herdar de outra classe, só poderá implementar outras interfaces.

Na prática eu duvido que isto realmente seja um problema na maioria dos casos. Se você apenas implementar Funcionario nas classes descritas permitirá no futuro que você possa herdar de alguma classe (abstrata ou não) já que você só tinha implementado interfaces e nenhuma classe. Mas você vai modificar estas classes existentes para herdar de outra classe? Vai ferir o princípio Open/Close? E ele costuma ser importante nestes casos. Não digo que não exista situação onde isto pode ser interessante, mas em geral não é.

Existe algum motivo para preferir a classe abstrata? Se não encontrar um, eu ficaria com a interface. Em geral o motivo é que você precisa de estado. Mesmo se precisar de implementações, eu não sei se seria justificativa, ainda mais em Java 8 com os default methods. A não ser que precise implementar "detalhes de implementação", ou seja, métodos privados.

Do jeito que Funcionario está descrito me parece estar declarando algumas características que um elemento que seja um funcionário de algum tipo deveria ter. O que é diferente de dizer que Funcionario contém definições importantes para todos que sejam funcionários. É a famosa diferença de ser e ter. Use classes quando as classes derivadas serão aquilo, neste caso, são funcionários. Ou use interfaces quando as classe derivadas apenas têm aquelas características, comportamentos definidos (mas não implementados).

Pelo nome pode ser tentador achar que Geek ou Analista são funcionários e não apenas possuem características de um funcionário. Mas o código mostra algo diferente. Por isto a especificação correta é importante para fazer a escolha correta. Talvez você saiba de algo que não sabemos.

Sobre isto pode aprender mais sobre no princípio de substituição de Liskov (em inglês, como sempre, tá melhor) (tem resposta aqui).

Lembre-se que em tese é mais fácil transformar uma interface em classe abstrata se um dia isto for necessário do que o contrário. Na verdade ambos vão dar trabalho e trazer riscos.

Realmente desempenho e outras questões técnicas são pouco importantes perto do problema de engenharia que você terá. Em geral é mais fácil adicionar interfaces. Você poderia ter vantagens na classe abstrata se quiser implementar ou modificar implementações existentes nela e que isto seja refletido automaticamente nas classes descendentes. Mas isto precisa ser feito com tanto cuidado que é preciso sempre questionar se vale à pena.

  • 2
    Muito bom. Me lembrou da frase do professor: "Usar herança quando o objeto for um tipo especial de, e não um papel assumido por". Vou seguir seu conselho de "nunca ir atrás de boas práticas e analisar o problema específico". – Franchesco 8/10/14 às 20:29
  • 1
    Eu não chego demonizar boas práticas, demonizo o que as pessoas fazem com elas. Tornam-as como regras imutáveis, verdades universais. Aí é que elas não ajudam. – Maniero 8/10/14 às 20:33
  • E acho que isso gera muitas desconfianças e inseguranças também. A gente acaba sempre pensando "será que to fazendo certo mesmo?". – Franchesco 8/10/14 às 20:39
  • E não tem muito o que fazer a não ser estudar, perguntar, praticar, procurar melhorar, enfim, obter experiência. Ah, e errar também, porque é errando que se aprende. Com 30 anos de experiência eu vivo errando. – Maniero 8/10/14 às 20:44
7

Conceitualmente não há diferença entre uma interface e uma classe puramente abstrata, isto é, com todos os métodos abstratos.

Com relação à mudanças, a classe abstrata permitiria implementar um método não abstrato a ser reusado nas subclasses.

Resumindo, classes abstratas ajudam se você tem um tipo genérico (superclasse) que é base para tipos mais específicos e especializados (subclasses).

Já interfaces são melhores como especificação do comportamento de um tipo. Não pense em interfaces para reuso de código.

Aliás, cuidado também quando utilizar herança para reaproveitar código. O preço a ser pago (alto acoplamento entre super e subclasses) pode ser muito caro. Sempre que puder, dê preferência à delegação.

Abordagem mista

Você também pode usar interfaces e classes abstratas conjuntamente.

Exemplo:

public interface Funcionario {  
      void trabalha();  
      void recebe(double salario);  
}

public abstract class FuncionarioAbstrato implements Funcionario {
    double salario;
    public abstract void recebe(double salario) {
        this.salario += salario;
    }
}

Considero esta abordagem mais flexível, pois caso algum dia surgisse um outro tipo de funcionário que não se encaixa na sua hierarquia de classes, basta implementar a interface numa implementação completamente nova.

Segregação das Interfaces

Outra abordagem que pode ser útil a longo prazo é segregar as interfaces de forma que as ações sejam mais específicas.

Imagine que o sistema também passe a contar o dono no quadro de funcionários, por algum motivo qualquer. Porém, o dono não trabalha, ele apenas recebe.

Então você poderia ter um modelo assim:

public interface Trabalhador {  
      void trabalha();  
}

public interface Recebedor {  
      void recebe(double salario);  
}

public abstract class RecebedorAbstrato implements Recebedor {
    double salario;
    public void recebe(double salario) {
        this.salario += salario;
    }
}

public class Programador extends RecebedorAbstrato implements Trabalhador {
    public void trabalha() {  
        System.out.println("import java.io.*; :) ");  
    }  
}

public class Dono extends RecebedorAbstrato {
    //nada além d ereceber
}

E se a diferença do Analista é simplesmente fazer algo a mais, poderia fazer assim:

public class Analista extends Programador {
    public void trabalha() {  
        super.trabalha();
        System.out.println("Supervisiona");    
    }  
}

Bem, foram apenas algumas ideias. Não existe necessariamente uma modelagem mais correta, sempre depende do problema.


Nota: assinaturas de métodos em interfaces não precisam do public, pois os métodos sempre são sempre públicos

  • 1
    Perfeito. Me esclareceu bastante as idéias. Muito interessante os seus exemplos, vou até salvar o link pra consultas no futuro. Valeu. – Franchesco 8/10/14 às 20:15
3

Bem classes abstratas e interfaces são coisas diferentes e destinada a usos diferentes.

A principal diferença é que numa classe abstrata você pode ter um misto de métodos abstratos que alguém terá que implementar a consumir a classe e métodos já implementados. Numa interface você somente tem declaração de métodos.

No meu entender classes abstratas devem ser usadas exatamente quando for interessante compartilhar uma implementação com coisas a serem implementadas já interfaces devem ser usadas quando desejamos somente definir um padrão de comunicação entre chamados.

Para saber mais da uma olhada neste link. (inglês)

http://www.programmerinterview.com/index.php/java-questions/interface-vs-abstract-class/

Sua resposta

By clicking “Publique sua resposta”, you agree to our terms of service, privacy policy and cookie policy

Esta não é a resposta que você está procurando? Pesquise outras perguntas com a tag ou faça sua própria pergunta.