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Estive lendo o site do Underhanded C Contest, em que o objetivo é escrever código sutilmente malicioso, que pareça normal a primeira vista. Uma das técnicas comuns mencionadas foi o uso de not a number, ou nan, constante que tem algumas propriedades especiais; notavelmente, qualquer tipo de comparação com nan resulta em False.

Pensando em uma prova de conceito em Python, cheguei no seguinte:

def maior_que_10():
    entrada = input('Digite um número: ')
    try:
        entrada_float = float(entrada)
    except ValueError:
        print('Erro!')
        return
    if entrada_float > 10:
        print('Maior que 10!')
        return
    elif entrada_float <= 10:
        print('Não é maior que 10!')
        return

    print('Inesperado!')

while True:
    maior_que_10()

A função corretamente trata de valores numéricos inválidos emitindo um erro e ao olhar desatento, parece nunca chegar ao print('Inesperado!') porque verifica > 10 e <= 10, mas ao ter a entrada "nan" executa a última linha:

Digite um número: 11
Maior que 10!
Digite um número: 9
Não é maior que 10!
Digite um número: 10
Não é maior que 10!
Digite um número: foobar
Erro!
Digite um número: nan
Inesperado!

Teoricamente, em código menos trivial, poderia esconder-se código malicioso depois dos dois if. Isso, porém, depende de se ter uma entrada do usuário passada pro float.

Existe alguma operação entre variáveis que gere um nan de outro modo?

Pensei em divisão por zero ou raiz de número negativo, mas resultam em exceções, e não nan:

>>> math.sqrt(-1)
 ValueError: math domain error
>>> 1/0
 ZeroDivisionError: division by zero
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Existe alguma operação entre variáveis que gere um nan de outro modo?

No final da documentação do módulo math do Python você encontra:

A NaN will not be returned from any of the functions above unless one or more of the input arguments was a NaN;

Ou seja - em geral não. Mas é possível você chegar a um NaN, por exemplo se tentar subrair float.inf de float.inf - só que nesse caso seu problema passa a ser gerar o float.inf:

In [100]: a = float("inf")                                                                               

In [101]: a - a                                                                                          
Out[101]: nan

Uma outra forma é escrever é anotar a forma binária de um "nan" como um objeto do tpo bytes, ou um número inteiro - e usar o módulo "struct" para converter esses bytes de volta num ponto flutuante, que então será um NaN:

 struct.unpack("d", struct.pack("Q", ((2 ** 12 - 1) << 52) + 1))[0]

Ou usando ctypes:

In [199]: import ctypes                                                                                  

In [200]: class A(ctypes.Union): 
     ...:     _fields_ = [('i', ctypes.c_uint64), ('f', ctypes.c_double)] 
     ...:                                                                                                

In [202]: A(i=((2 ** 12 - 1) << 52) + 1).f                                                               
Out[202]: nan
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(* relendo a questão inteira, vi que escrevi uma resposta extensa sobre como verificar uma entrada de ponto decimal, mas que não responde bem a sua pergunta específica - desculpe. Vou manter a resposta por que pode ajudar iniciantes que caiam aqui por conta do título da pergunta)

Em versões mais recentes do Python é possível fazer from math import nan - isso coloca no namespace a variável nan que contém um número nan.

Em versões mais antigas (anteriores à 3.5 do Python), o recomendado era colocar no seu código:

nan = float('nan')  

mesmo (ou usar a expressão float('nan') diretamente.

Além disso é importante ter em mente ao lidar com NaN's que um valor NaN nunca é igual a outro, quando comparado com == (nem igual a si mesmo). A melhor forma de saber se um valor é um NaN é usar a função isnan do módulo math:

from math import nan, isnam

isnan(nan)

imprime True.

Dito isso sobre NaNs - há mais coisas a considerar sobre o uso de float direto em cima de uma string que o usuário digita. Em particular, valores infinitos podem ser expressos com float('inf') (e infinidade negativa com "-inf"), e também são aceitos números com notação científica, em que um fator expoente de "10" pode ser adicionado ao número depois da letra "e":

In [95]: float("1e3")                                                                                    
Out[95]: 1000.0

Então, se você quer relamente limitar a entrada a números positivos ou negativos, com pontos decimais, é melhor fazer o "parsing" dos mesmos com mais cuidado do que simplesmente chamar float(entrada).

Em geral, quando falamos em "fazer o parse", muitas pessoas pensam primeiro em expressões regulares. Eu considero que expressões regulares são de díficil leitura e manutenção, e as pessoas tendem a colocar expressões simples, que não correspondem à todas as possibilidades de dados.

verificando o dado digitado com expressões regulares:

Python é uma boa linguagem para expressões regulares por que felizmente não inventaram de misturar as mesmas com a intaxe da linguagem - você chama funções normaizinhas e passa uma string com a expressão regular que quer comparar com o seu texto - há várias funções no módulo re de expressões regulares - por exemplo para "encontrar todas as ocorrências" (re.findall) ou substituir (re.sub). Nesse caso, queremos simplesmente ver se uma expressão casa com a entrada do usuário.

E na pressa alguém poderia pensar "quero verse o usuário digitou um ou mais dígitos, seguido de um ponto opcional, seguido de um ou mais dígitos" - essa expressão pode ser escrita como "[0-9]+\.?[0-9]+" - basta olhar pra isso e ver que não está bom: e se o usuário digitar um sinal de "-"? E se houver apenas um dígito? (a segunda parte espera mais um dígito depois do ponto - apesar do ponto ser opcional) - resultado - enquanto que essa expressão pode casar com "11", "23.2", "0.1", não vai casar com "1", "-1", ".23", etc...

PAra encurtar a história, a expressão regular que verifica um número decimal, com sinal opcional, com pelo menos um dígito válido, ou nenhum dígito se houver ponto decimal, e se houver ponto decimal pelo menos um dígito depois dele é:

c = r"-?(?:[0-9]+|(?=\.))(?:\.[0-9]+)?$" 

(A documentação de regexps em Python está aqui - https://docs.python.org/3/library/re.html )

E você poderia fazer no seu código:

import re

def maior_que_10():
    entrada = input('Digite um número: ')
    if not re.match(r"-?(?:[0-9]+|(?=\.))(?:\.[0-9]+)?$", entrada):
        print('Erro!')
        return
    entrada_float = float(entrada)
    ...

Verificação da entrada com código Python

Então, em nome da legibilidade, e saber o que se está fazendo, pode valer a pena usar as funçẽos de manipula~ao de string do Python: split, find, count, isdigit para fazer uma função que verifica se uma string é um decimal bem formatado antes de tentar converte-lo em float.

Dá pra fazer algo do tipo:

verifica_decimal(text):
   if not text:  # string vazia
      return False
   filtered = text.replace('-', '').replace('.', '')
   if not filtered.isdigit(): # há caracteres que não são nem dígito nem - nem .
       return False
   if '-' in text[1:]: # sinal 'perdido' no meio do número.
       return False
   if text.count('.') > 1 or text[-1] == '.': # Mais de um '.', ou '.' na última casa
       return False
   return True

def maior_que_10():
    entrada = input('Digite um número: ')
    if not verifica_decimal(entrada):
        print('Erro!')
        return
    entrada_float = float(entrada)
    ...

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