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Estou acostumado a programar em PHP e agora estou estudando Java, e a API de Collections é algo novo e bem interessante pra mim.

Pesquisei na internet e facilmente encontrei várias maneiras de percorrer um HashSet, como:

  • Java 8 forEach e lambda expression.
  • iterator().
  • iterator() e Java 8 método forEachRemaining().
  • simples for-each loop.

Mas, qual é a melhor maneira de percorrer? Ou qual é a diferença entre as várias opções e qual eu devo usar em casos diferentes?

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    Depende de muita coisa. Muitas vezes melhor um simples for-each, mas tem casos em que você necessita do iterator. O método .forEach eu não vejo muita necessidade de usar no caso geral, mas fica com uma aparência mais funcional de ser. Se você receber um Consumer para fazer a iteração, então nesse caso o método .forEach é o melhor. Eu não conheço o .forEachRemaining – Jefferson Quesado 16/11/18 às 16:02
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Normalmente eu recomendaria ir pelo laço for-each tradicional. Ele resolve boa parte do que você normalmente deseja quando percorre uma coleção.

Claro, existem algumas exceções. E também existe motivos de convenção para tratar de outro jeito (chegarei lá).

for-each

Os casos mais triviais de se iterar uma coleção (qualquer que seja) é simplesmente tratar cada elemento da coleção, sem alterar a coleção propriamente dita. E normalmente você guarda o resultado da avaliação em uma variável externa ao laço, para trabalhar com esse resultado depois. Para esses casos, a maior simplicidade do for-each é suficiente.

Além disso, você tem todas as vantagens de controle de fluxo de um laço convencional:

  • continue para evitar processamentos desnecessários (e níveis extras de indentação em blocos if)
  • break para parar a execução do laço
  • return para quando já se tem o resultado desejado e não há mais porque continuar processando

Iterator

O laço através do Iterator só é estritamente necessário se for desejado alterar a coleção durante a iteração. Normalmente, em um Set, eu só vi sendo usado para remover elementos da coleção. Em um List eu já vi sendo usado para substituir elementos.

Como o laço for-each usa o Iterator por baixo, porém escondendo todo esse arcabouço de código em uma sintaxe doce e fofa, se você não for usar os métodos próprios do Iterator, então é melhor usar o for-each.

Mesmo assim, mesmo sendo o Iterator o mais adequado para esses casos, a equipe aqui no trabalho prefere contornar o seu uso. Então (na era de Java 7 + Retrolambda, sem direito a Streams do Java 8), para remover elementos, detectamos todos os elementos que precisam ser removidos e guardamos numa lista de ações aquilo que desejávamos:

Set<Elemento> conjunto = ...;
ArrayList<Runnable> acoesRemocaoPostuma = new ArrayList<>();

for (Elemento e: conjunto) {
  if (devoRemover(e)) {
    acoesRemocaoPostuma.add(() -> conjunto.remove(e));
  }
}
for (Runnable acao: acoesRemocaoPostuma) {
  acao.run();
}

Além disso, você tem todas as vantagens de controle de fluxo de um laço convencional:

  • continue para evitar processamentos desnecessários (e níveis extras de indentação em blocos if)
  • break para parar a execução do laço
  • return para quando já se tem o resultado desejado

Iterator.forEachRemaining

Nunca usei e desconheço totalmente seu uso, fico devendo para atualizar essa resposta no futuro.

Método .forEach

Normalmente eu só vejo vantagem prática em usar esse método em 2 cenários:

  1. você recebe um Consumer como parâmetro
  2. você só precisa chamar uma função para avaliar os elementos

Por exemplo, executar todas as ações em uma lista de Runnable ficaria assim:

List<Runnable> listaAcoes = ...;
listaAcoes.forEach(Runnable::run);

Se eu precisar, para cada elemento do conjunto, chamar uma função chamada de sincroniza passando como parâmetro uma string que representa o destino:

String destino = ...;
Set<Elemento> conjunto = ...;

conjunto.forEach(e -> sincroniza(destino, e));

O equivalente via laço desse código é um pouco mais verboso:

String destino = ...;
Set<Elemento> conjunto = ...;

for (Elemento e: conjunto) {
  sincroniza(destino, e);
}

Além disso, também tem uma vantagem de convenção ao se iterar desse jeito. Em uma equipe formada por pessoas jovens e sem muita experiência, o uso de laços "incentiva" alterar valores de variáveis locais, porém externas à iteração específica. E, bem... em um código legado que não foi estruturado corretamente enquanto crescia, isso pode gerar efeitos colaterais não desejados e esconder bugs. Forçando a sempre usar funções lambda, essas alterações não ocorrem, são proibidas pela linguagem.

Uma desvantagem de se usar essa estrutura para se iterar é que ela não oferece suporte para controle do laço. Você não pode, diretamente, ignorar elementos com continue, nem também parar o processamento com um break e muito menos usar um return para avisar ao chamador que encontrou o que se desejava.

usando Streams para substituir laços

Uma outra maneira de se iterar em elementos é usar uma stream do Java 8. E isso tem sido visto com muito bons olhos pela minha equipe, mas não é unânime. Usar stream implica em um pensamento menos imperativo/estruturado e mais declarativo/funcional, e programação funcional tem tanto fãs (tipo eu) quanto detratores, sendo pessoas em cima do muro espécimes raros que precisam ser estudados.

Com as construções de stream, você consegue simular boa parte do controle de fluxo que você fazia com o laço.

Contar apenas as strings que começam com "marm"? Filtre e conte:

conjuntoDeStringa.stream().filter(s -> s.startsWith("marm")).count();

Retornar algum Elemento que esteja ativo? Retornando null caso não encontre?

conjunto.stream().filter(Elemento::estahAtivo).findAny().orElse(null);

Concatenar todos os objetos, convertendo-os com toString e separando-os com ;?

conjunto.stream().map(Object::toString).collect(Collectors.joining(";"));

Descobrir qual dos elementos Elemento retorna o maior inteiro em valorResgate? Retornando -1 no caso de conjunto vazio?

conjunto.stream().mapToInt(Elemento::valorResgate).max().orElse(-1);

Aqui onde trabalho trabalhamos muito com BigDecimal, e é muito fácil o programador errar como somar os elementos de uma lista. Então, preferimos usar stream para resolver isso e evitar que passem na revisão esses bugs:

itens.stream().map(Item::getVrItem).collect(BigDecimalUtils.coletorSoma());

Devido a idiossincrasias do nosso sistema funcionar ao mesmo tempo em Java, JavaScript (transformado de Java pelo GWT) e TotalCross, precisamos usar um wrapper de BigDecimal próprio, já que o TotalCross não suportava na época com plenitude java.math.BigDecimal.

De modo geral, a experiência aqui no trabalho indica que o laço for-each é mais fácil, porém usar streams se mostrou menos problemático e exigiu um nível maior de abstração da equipe, de certo modo fazendo-os pensarem mais e melhor o que querem fazer.

  • Excelente resposta e muito bem detalhada, muito obrigado! – Edson Horacio Junior 17/11/18 às 13:40

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