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Recentemente venho estudando Spring Boot, eu queria saber o que ocorre internamente quando uma aplicação é iniciada, pois todo projeto tem uma classe principal que vem sempre anotada com @SpringBootApplication. Qual o propósito dessa anotação?

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De maneira geral, o Spring Boot se preocupa com 3 coisas principais em sua inicialização:

1) Configurar automaticamente o seu projeto a partir das dependências que você declara no sistema de build (pom.xml - Maven ou build.gradle - Gradle) sobre o qual seu projeto é construído. Isso é feito pela anotação @EnableAutoConfiguration.

2) Varrer o seu projeto em busca de classes que possuam certas anotações específicas (como @Service ou @Repository, por exemplo), que informem que essas classes devem ter seu ciclo de vida gerenciado pelo Spring. Essas classes são os beans e o fruto desse gerenciamento nada mais é do que a injeção de dependência (o @Autowired que você certamente já viu). O ato de varrer é disparado pela anotação @ComponentScan.

3) Definir que a própria classe que contém o método main seja ela mesma um bean, anotando-a com @Configuration. Por quê? Para permitir que você possa, caso queria, ter outros beans (já previamente escaneados pelo item 2) injetados nessa classe, poupando você da necessidade de criar classes adicionais para isso. Lembrando que só uma classe bean (ou seja, gerenciada pelo Spring) pode ter injetados nela outros beans.

Pois bem, para conveniência, em vez de você anotar sua classe com as 3 anotações em negrito, basta você anotá-la com @SpringBootApplication, que obterá o mesmo efeito, com as configurações padrão do Spring Boot.

Estendendo um pouco sua pergunta: mas, por que há o método main()? Para permitir que sua aplicação rode como uma aplicação Java comum, que, como sabemos, é iniciada a partir de um método main(). Como um programa Spring Boot tem seu próprio servlet container (Tomcat por padrão) e tudo o que precisa para "deployar a si próprio e se inicializar sozinho", basta um ponto de entrada (o método main()) para que ele seja executado.

É diferente de uma aplicação feita em Spring MVC, por exemplo, em que você precisa indicar um Tomcat externo (e que já esteja pré-instalado), startar você mesmo esse contâiner para só então executar sua aplicação. Isso sem contar toda a configuração "na mão" que você vai precisar fazer para tornar seu projeto funcional.

E aí você pergunta, mas por que o Spring MVC não segue esse mesmo conceito de inicialização?

O primeiro ponto é que o Spring MVC é uma implementação da Servlet API do Java EE (interface para sistemas web) com (muitas) vantagens e facilidades para o desenvolvimento. E qualquer implementação da Servlet API precisa de um servidor de aplicação (Tomcat, JBoss, Glassfish etc.) para rodar, com toda a "burocracia" de configuração e inicialização envolvida.

O segundo ponto é que, por baixo dos panos, o Spring Boot tem o Spring MVC (afinal, o Boot continua a ser um framework de desenvolvimento de sistema web), mas com a "burocracia" convenientemente automatizada o máximo possível.

Mas, e aí vem o grande mas, o Spring Boot foi pensado já levando em conta a arquitetura de microsserviços distribuída, em outras palavras, pequenos sistemas autoexecutáveis (olha a necessidade do método main() aí) e escaláveis que devem independer de servidor de aplicação centralizado para serem executados, startados, "matados" quando necessário, substituídos e redeployados. Esse tipo de microsserviço, na verdade, deve se comportar como uma aplicação desktop, isolada e autossuficiente, com a menor quantidade de dependência externa possível. Essas características não são encontradas num projeto Spring MVC, mas foram elas que tornaram o Spring Boot tão popular e tão utilizado no mundo todo.

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