16

Estou com uma dúvida a quase um mês sobre o assunto. Em determinada para do meu aplicativo, o usuário pode enviar um upload para uma biblioteca de arquivos.

Esse upload precisa ser registrando numa tabela chamada midias, onde, além do caminho do arquivo, preciso também de dados extras, como nome, descrição, a permissão do arquivo, além das informações de metadados como tamanho e extensão do arquivo.

A dúvida que me surge nesse caso é a seguinte: Para o registro no banco de dados referente a esse arquivo, preciso também das outras informações. E, como as requisições geralmente usam o content-type JSON, fico me perguntando como seria feito então o envio do arquivo, já que o JSON possuim certa limitação quanto aos carateres que podem ser incluidos no mesmo.

Exemplo hipotético:

POST /api/midias/
Content-Type: application/json

{
    "nome" : "Flor",
    "descricao" : "A flor azul encontrada na 
    "tipo_acesso" : 1,
    "extensao" : "jpg",
    "tamanho"  : 5225,
    "arquivo"  : ???????
}

Ou seja, de acordo com exemplo acima, para criação do recurso na minha API, além das informações da mídia, precisava também de envia o binário do arquivo, para fazer o upload.

Agora vamos aos problemas:

1) A primeira forma que tentei foi enviar o binário de um arquivo via JSON mesmo, convertendo o binário do arquivo para base64.

O problema do base64 é que ele aumenta (e muito) o tamanho do arquivo, tornando inviável no meu caso, já que vamos permitir upload de vídeos.

2) Usar o multipart/form-data, enviando o arquivo normalmente, como se faz em requisições de formulário, e anexando os outros dados citados anteriormente num campo "json", enviando esses dados como uma string JSON (serializado).

Exemplo:

POST / HTTP/1.1
Host: localhost:8000
User-Agent: Mozilla/5.0 (X11; Ubuntu; Linux i686; rv:29.0) Gecko/20100101 Firefox/29.0
Accept: text/html,application/xhtml+xml,application/xml;q=0.9,*/*;q=0.8
Accept-Language: en-US,en;q=0.5
Accept-Encoding: gzip, deflate
Cookie: __atuvc=34%7C7; permanent=0; _gitlab_session=226ad8a0be43681acf38c2fab9497240; __profilin=p%3Dt; request_method=GET
Connection: keep-alive
Content-Type: multipart/form-data; boundary=---------------------------9051914041544843365972754266
Content-Length: 554

-----------------------------9051914041544843365972754266
Content-Disposition: form-data; name="json"

{"nome" : "Flor", "descricao" : "..."}
-----------------------------9051914041544843365972754266
Content-Disposition: form-data; name="file1"; filename="a.txt"
Content-Type: text/plain

Content of a.txt.

-----------------------------9051914041544843365972754266
Content-Disposition: form-data; name="file2"; filename="a.html"
Content-Type: text/html

<!DOCTYPE html><title>Content of a.html.</title>

-----------------------------9051914041544843365972754266--

Ao meu ver, isso foge do padrão que já está sendo usado em toda as outras requisições, que é o content-type: application/json, além de ser uma gambiarra das bem porcas.

3) Separar a lógica de upload do arquivo do envio dos dados da midia.

Essa me pareceu a mais agradável e, pelo pouco que li e conversei sobre, me pareceu mais organizado. Porém eu nunca fiz nada parecido, não tendo experiência de implementação, e também não sei se isso se trata de um padrão em REST.

Um das dicas que vi, por exemplo, foi fazer o upload do arquivo, retornar o ID desse upload, para ser utilizado no envio dos "dados extras" para criação do recurso no servidor referente a esse arquivo.

A minha dúvida é:

  • Das opções acima, qual delas seria mais próxima do REST?

  • Se caso seja viável implementar a terceira opção, existe algum padrão, para definir o content-type do arquivo e que tipo de status de resposta eu poderia devolver?

Gostaria de uns exemplos a respeito da terceira opção, já que de todas essas, foi a única que não implementei, e não tenho a mínima ideia de como fazer algo parecido.

  • 2
    A meu ver a terceira opção pode causar um problema grave: inconsistência ou anomalia nos dados. Permitir que dados sejam cadastrados por partes tem alguns problemas, e se o dispositivo se desliga depois da primeira requisição e antes de iniciar a segunda? Como vai ser validado para que um usuário mal intencionado não cadastre diversas vezes uma parte apenas dos dados, o que pode causar alguns 404 e os usuários comuns não entenderem nada – Costamilam 22/10/18 às 16:23
  • 2
    @GuilhermeCostamilam mas a ideia na verdade, era criar, por exemplo, uma tabela que atribuisse o upload a um usuário. Eu retornaria o id desse "upload" para o usuário associá-lo ao "metadados" que precisaria ser enviado junto com o arquivo, Depois de criado os dados do recurso, moveria o arquivo no servidor para onde desejasse, já que a nova requisição informaria o id desse arquivo e, em seguida, deletaria o recurso do arquivo antigo criado. – Wallace Maxters 22/10/18 às 16:52
  • 1
    Isso já tornaria o recurso mais complicado, e se ele mandar o arquivo e não passar os metadados depois? Vai ficar com um arquivo inútil no teu servidor? Vai criar uma rotina para apagar os que ultrapassam 24h? Não estou dizendo que é a pior, mas a mais complexa, talvez uma alternativa mais simples seja preferível – Costamilam 22/10/18 às 18:30
  • 1
    Fiquei na dúvida, enviar os dados json pelo body da requisição tem limite? Foge do padrão Rest? – Ismael SIlva 29/12/18 às 15:06
7

Existe uma especificação REST para upload de arquivos?

Mais ou menos, WebDAV, que pode ser considerado proto-REST.

  • Das opções acima, qual delas seria mais próxima do REST?

Prefiro a opção 3, pois facilita a vida do programador em certos aspectos. Apesar de ser a opção mais trabalhosa.

Nesse caso específico, que a API tem o papel de gerenciar o arquivo. Poderia ser feito desta maneira:

  1. Requisição POST /api/midias para adicionar o metadado, inicializando com conteúdo de arquivo vazio. Sendo request Content-Type: application/json, response Content-Type: application/json.
  2. Requisição POST /api/midias/1/conteudo para adicionar o conteúdo do arquivo. Sendo request Content-Type: ver resposta abaixo, response Content-Type: application/json. O número 1 significa o ID da mídia.

Assim, o download do arquivo em si, seria através de GET /api/midias/1/conteudo, e GET /api/midias/1 para consultar metadados.


  • Se caso seja viável implementar a terceira opção, existe algum padrão, para definir o content-type do arquivo e que tipo de status de resposta eu poderia devolver?

Para /api/midias/1/conteudo usaria multipart/form-data ou/e application/octet-stream(que é mais simples). Mas se o arquivo tem o próprio tipo MIME, vale a tentativa (pode complicar a configuração do CORS depois). Retorne o status do mesmo jeito que as suas outras APIs. Se é 200 para sucesso, e 400 para erro, por que seria diferente neste caso?

7
+150

Resposta resumida: não. O HTTP suporta upload direto, e o REST especifica URLs - isso é o que vai ficar mais perto.

Quanto as suas opções,talvez o mais interessante aí seja algo que fica parecido com sua terceira opção, mas na ordem inversa: você faz um POST JSON com os metadados do arquivo - nome, e tamanho, inclusive - e recebe, na resposta, uma URL que pode ser usada para upload do arquivo completo.

O Upload, por sua vez, você faz como um post de HTTP do arquivo - não precisa ser multi-part encoded - você pode simplesmente enviar os cabeçalhos de http normais -

Content-Type: image/jpeg
Content-Length: XXXX

seguido do seu arquivo - todo o "corpo" da mensagem HTTP vai ser o conteúdo do arquivo. Esse método ainda tem outra vantagen - faz tempo que não visito as especificações do HTTP, mas acredito que seja possível colocar no cabeçalho que você está "continuando um request anterior" e um "offset" - e portanto, mandar um arquivo grande, como um arquivo de vídeo, em vário requests separados - retransmitindo os que falharem.

Você não mencionou qual linguagem/framework está usando do lado do servidor, mas acredito que a grande maioria permita que você possa ter uma view mais "baixo nível" que interprete os cabeçalhos e o copo do HTTP elas mesmas. A URL em si já vai incluir um token que você relaciona no banco com a postagem JSON anterior - então sabe: a que o arquivo está relacionado, e se a pessoa usando esse endereço tem autorização pra isso (basta que seja um token randomizado na URL- ele vai servir ao mesmo tempo de identificador e autorização para o arquivo).

Eu tinha começado a escrever esta resposta - fui fazer uma busca rápida pra confirmar se posts HTTP com um arquivo puro são permitidos, e acabei chegando num artigo sobre uploads com REST - e o autor fez mais ou menos as mesmas considerações que fiz aqui - ou seja, parece ser um caminho sensato. (E que ainda permite upgrades futuros tipo - a feature de quebrar o arquivo em partes e fazer uploads de segmentos não precisa ser implementada num primeiro momento).

O artigo: https://philsturgeon.uk/api/2016/01/04/http-rest-api-file-uploads/

Sua resposta

By clicking “Publique sua resposta”, you agree to our terms of service, privacy policy and cookie policy

Esta não é a resposta que você está procurando? Pesquise outras perguntas com a tag ou faça sua própria pergunta.