Vi esse termo sendo empregado diversas vezes, muitas pessoas e empresas querem que seus códigos sejam "limpos"... Vi também o livro Código Limpo Habilidades Práticas do Agile Software.

Mas eu queria saber o que define um código ser limpo ou não? Quais os pontos são avaliados uma vez que o conhecimento e o domínio sobre uma determinada linguagem pode influenciar na avaliação de quem está lendo.

Na pergunta "Como escrever um código legível e de fácil manutenção?" temos alguns exemplos de um código que aparentemente está bem escrito, porém o domínio da linguagem é que faz bastante diferença na hora de interpretá-lo.

Então focando bem a pergunta, quais o pontos que são avaliados? Qual a importância e o peso de cada um desses pontos dentro da avaliação?

Gostaria principalmente das referências para estudar um pouco mais a fundo, e que não fosse limitado a um paradigma (ex: Orientação a Objeto) e sim num contexto geral.

  • Ainda estou pensando sobre as tags, não sei se esta é mais adequada. Respondi porque acho que dá para ter uma resposta objetiva. Claro que as anteriores não estavam ajudando variavam entre algo muito específico que dá margem para a subjetividade até a definição explícita de que é opinião. Evitei negativá-las mas no meu entendimento fogem do que foi perguntado. A culpa pelas opiniões não parece ser da pergunta. – Maniero 24/09/14 às 14:11
  • @bigown também estou pensando sobre a tag, está dificil definir e também não sei como poderia ser o nome para uma nova tag... – RodrigoBorth 24/09/14 às 14:20
  • 1
    @Caffé infelizmente não disponho de tempo hábil para uma leitura tão extensa, por isso achei que poderia achar algo mais resumido dos profissionais que lidam com isso – RodrigoBorth 24/09/14 às 14:27
  • 4
    Abra o livro que você mencionou no primeiro capítulo que você vai ver. Preste bastante atenção na primeira ilustração, que diz qual é a única métrica de qualidade válida para código fonte ;) – Renan 24/09/14 às 15:38
  • 1
    @Renan vou dar uma olhada nesse capitulo então :D – RodrigoBorth 24/09/14 às 15:58

Não há definição formal e duvido que um dia vá existir (é sintomático que não exista verbete na Wikipedia). Ele é subjetivo. Sempre que alguém disser o que é, desconfie. Mas é claro que algumas obervações podem ser feitas independente de opinião. É óbvio que elas são vagas e não vão ajudar muito a definir com clareza o que é o termo, mas também não farão presunções tendenciosas.

  • O fluxo de execução da aplicação é facilmente entendível, não importa em que paradigma, (não entenda fluxo só como o fluxo imperativo).
  • Os diversos objetos (nada a ver com OOP) tem relacionamento claramente definidos e é fácil percebê-los.
  • O papel e responsabilidade de cada participante da aplicação (classes, funções, variáveis, etc.) são claros, possivelmente com nome bem escolhido.

No momento não consigo lembrar de nada mais que não seja específico e subjetivo demais para ser aplicado como uma forma geral de entendimento do assunto.

Então o código precisa:

  • Ser fácil de entender por quem nunca o tinha visto antes.
  • Possibilita manutenção sem grandes sobressaltos.
  • Funciona corretamente.

Claro que espera-se que o leitor do código seja um desenvolvedor capacitado, quem entenda bem a linguagem onde está escrito e entenda os fundamentos da computação. A não ser que um código seja escrito para fins didáticos não é obrigação do código limpo explicar de qualquer forma seu funcionamento para leigos (mesmo aqueles que são remunerados como desenvolvedores, isto existe, e muito).

Aí podemos começar definir algumas coisas mais específicas que ajudam cumprir estes três requisitos destacados acima:

  • As unidades de código devem ser curtas e ter apenas uma responsabilidade.
  • As partes "públicas" (a API) devem ser claras (óbvias, sem surpresas) e concisas (faz o mínimo necessário).
  • As estruturas de dados e algoritmos devem funcionar como o esperado.
  • O código deve ser facilmente verificável.
  • Códigos devem ser organizados e expressivos (concisamente indica a sua intenção)

Além disto provavelmente está indo além da definição básica e começa entrar no campo subjetivo.

Eu até usei uma fonte bem recente para escrever esta resposta. Nem vou citá-la porque o meu texto está suficientemente diferente e o original induz à ditadura do mono paradigma que tão bem o AP renegou. Paradigmas não são mágicos, não resolvem problemas. São ferramentas que podem ser mais ou menos adequados.

O primeiro capítulo do livro está disponível como artigo. Conforme o livro vai se aprofundando ele vai sugerindo certas coisas que são discutíveis. O livro não é ruim, todo mundo deveria lê-lo, porém quem não está suficientemente preparado acaba comprando indiscriminadamente algumas técnicas, no mínimo, duvidosas.

Na pergunta que foi citada pelo AP eu faço uma análise rápida do livro e outro que trata de assunto semelhante.


Só um adendo para não passar a falsa impressão que 100% do código escrito deva ser limpo. Claro que isto seria ideal mas há certos domínios em conjunto com certos requisitos que conflita com o conceito de código limpo. Pode ser raro, não ser aplicável em determinados tipos de projeto, mas existem situações assim. Como em tudo, você deve saber quando perseguir um ideal e quando ser pragmático e resolver o problema da forma mais adequada.

  • Sobre seu adendo, só gostaria de sugerir que, a forma mais adequada é sempre a mais limpa. O melhor é sempre escrever código limpo (mesmo que seja subjetivo, faça o seu melhor). Nem sempre essa possibilidade existirá, mas pensar que você pode se dar o luxo de decidir quando ou não fazê-lo pode fomentar a qualidade horrível do que temos visto por aí. Na primeira dificuldade o desenvolvedor vai abandonar suas práticas e voltar para o hack-n-slash. – BrenoSarkis 11/11/14 às 12:34
  • Um exemplo de onde não se pôde ter código limpo foi na implementação do OpenSSL. Conseguiram identificar qual era a chave privada de acordo com ondas de baixas frequências na hora de transportar variáveis entre registradores, então o código precisou ficar propositadamente sujo para dar um arenque vermelho de modo que o atacante não consiga descobrir qual é a chave primária – Jefferson Quesado 10/10/17 às 16:55

Existem vários fatores que definem um código limpo, alguns que considero importantes:

  • Cada função/método tenha uma única responsabilidade bem definida, realizando uma única ação.

  • A utilização de nomes de variáveis, classes e funções descritivos, sem ambiguidade.

  • Indentação do código.

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