-1

Ao contrário de muitos casos em c++, o Python aparentemente não é tão inteligente para otimizar operações redundantes, mesmo entre constantes.

Eu fiz um benchmark simples para testar math.cos dentro e fora de um loop.

Neste primeiro caso, eu faço Python calcular cos(3) 10 milhões de vezes:

from datetime import *
from math import *

ini = datetime.now()
for a in range(10000000):
    x = cos(0) 
fim = datetime.now()
print(fim - ini)

O resultado é 0:00:01.360958.

Agora, apenas substituindo x = cos(0) por x = 1 (ou apenas colocando cos(0) em uma variável fora do loop), o tempo fica 3 vezes mais rápido: 0:00:00.429995

Ora, se a operação cos(0) sempre gera uma constante (1), por que o Python não otimiza a execução com um cache, evitando assim a repetição da mesma operação cos constantemente?

Uma das filosofias do Python é facilitar a vida do programador. Mas neste caso o que está acontecendo é exatamente o oposto.

  • 4
    Na verdade, o Python sempre busca ser simples para o desenvolvedor resolver o problema, a performance nunca foi o foco. Se você precisa de algo mais rápido, cogite mudar a linguagem. Perceba que mesmo chamando uma função com retorno constante o tempo de execução será praticamente o mesmo. É o tempo que o Python leva para resolver 10.000.000 de chamadas. Não tem relação direta com o cálculo do cosseno. – Woss 26/09/18 às 18:45
  • 3
    Para deixar claro, embora eu tenha comentado que a pergunta partiu de uma premissa errada, julgo ser uma pergunta perfeitamente dentro dos padrões do site e muito bem-vinda, pois essa provavelmente é a dúvida de várias outras pessoas. Com isso, não concordo com os votos negativos. – Woss 26/09/18 às 22:12

3 Respostas 3

6

"Tornar a vida do programador mais fácil" não é exatamente uma coisa objetiva. Apesar disso, é o que a linguagem faz sim - mas "tornar a vida do programador mais fácil" não é sempre e em todos os casos "rodar todo o código existente da forma mais otimizada possível".

Inclusive, é sabido, e dito em quase todo material introdutório de Python que na verdade, ao usar Python, você está sim fazendo um trade de performance por facilidade de escrever o código.

E essa diferença de performance está ligada ao mesmo motivo principal dele não tentar curto-circuitar a chamada ao cos: Python é uma linguagem dinâmica - o que significa que as coisas são definidas em tempo de execução.

Esse exemplo que você passou não fica tão ruim. Na máquina virtual Python ele executa os opcodes 10_000_000 para o trecho do for, e mais a chamada a cos e retorno do valor explicitamente. Só que isso isso cabe no cache L1 do processador - se o cos fosse uma função que, mesmo determinística, usasse mais memória do que cabe no L1, esse tempo seria muito, muito pior.

O principal motivo é que ao fazer a chamada a cos, a linguagem não tem como saber que a função cos na passada 1 milhão e 2 do laço é a mesma que estava lá na passada 1 milhão e 1.

Perceba que é possível que seu código seja assim:

from datetime import *
from math import *
import random

ini = datetime.now()
for a in range(10000000):
    x = cos(0) 
    if random.randint(0, 1_000_000) == 0:
          cos = sin

E pronto, em algum ponto, a função chamada passa a ser outra - como é tudo checado em tempo de execução, a linguagem simplesmente vai sempre chamar a função correta na linha x = cos(0). Código desse tipo não é comum, mas mesmo assim, é da premissa da linguagem que esse tipo de código tem que funcionar.

Já acompanhei muitas discussões por e-mail entre os desenvolvedores de Python, de casos de otimizações que não podem ser implementadas no cPython - a implementação de referência da linguagem - por conta de não poderem passar por cima de uma possível alteração nos objetos entre duas etapas da execução. E estou falando de otimizações bem menos ingênuas do que essa que você pressupôs que deveria existir, com a sua pergunta.

Voltando a essa otimização específica, em C, C++ (e outras linguagens estáticas) é possível mudar a função chamada por um nome, mas isso não é comum, e vai envolver uma sintaxe diferente - tipo, chamar a função no endereço apontado pelo ponteiro de função tal. Daí é bem mais simples otimizar - mas mesmo em C, acho que isso não seria otimizado por padrão - por que o compilador não pode simplesmente supor que a função chamada é determinística (isso é, sempre vai retornar o mesmo valor para o mesmo valor de entrada).

Alias, no caso do cos em C, a única forma que o compilador "sabe" que pode trocar cos(0) por uma constante, é por que isso está marcado explicitamente, em algum ponto - ou no compilador, ou eco-sistema da biblioteca do sistema que culmina no arquivo math.h. Em Python, cos, sin e outras funções do tipo não são usadas o bastante [*] para terem esse status especial, mas o compilador faz sim otimizações parecidas para expressões estáticas colocadas no código - se você, numa linha de Python escreve a = 2 ** 64 - o valor de 2 elevado a 64 é calculado em tempo de compilação, e essa linha vai carregar uma constante que é inserida no arquivo .pyc pré compilado. Meu teste aqui com C fez o mesmo para a saída da função cos.

Qualquer compilador que fizesse isso pra uma função arbitrária estaria tornando a linguagem inviável de ser usada na prática (vamos supor que seja o código para monitorar se a porta de um cofre está aberta, e chama a função do sensor - o cofre passa quase o tempo todo fechado, mas se quando ele for aberto o compilador tivesse assumido que ela o retorno da checagem seria "fechado", seria impossível ter esse programa)

Dito isso - o Python tem mecanismos para permitir que o programador possa explicitamente transformar uma função em algo com "cache" - e isso ele faz criando um novo objeto chamável, dinamicamente em tempo de execução, sem nenhuma regra especial - no caso, como apontado na resposta do Fernando Savio, a função functools.lru_cache pode ser usada para decorar uma função - e nesse caso o programador indica pra linguagem: "olha, pra essa função aqui, para os mesmos valores de entrada, pode usar sempre os mesmos valores de saída".

Agora, por fim, sim, se você quer esse tipo de otimização automática, e quer programar em Python, você ainda pode ter tudo - usando o Pypy - pypy é uma outra implementação de Python, que implementa otimização de compilação "just in time" (JIT) - aí sim, quando o runtime do pypy perceber que está num loop chamando a mesma função várias vezes, ele vai compilar todo o código dentro da função para código nativo, e isso vai ser executado muito mais rapidamente - e se em qualquer momento dentro do mesmo loop, a execução tomar um rumo diferente (tipo - o sensor detectou a porta do cofre aberta, ou o nome de variável cos agora aponta para outra função), ele reverte para execução normal. E o motivo disso não ser o "padrão" na implementação do Python é simplesmente que não foi feito - otimização nesse nível de complexidade custa muito caro (em termos de homens hora), e mesmo com empresas como o Google, RedHat, IBM e Intel patrocinando ou dispostas a patrocinar alguns milhões de dólares em otimização do Python padrão, ainda não foi feito por falta de pessoas que conheçam o suficiente o Python e possam interagir com a comunidade, para faze-lo. Mas sim, é possível que em vários anos, por conta de esforços desse tipo, tenhamos execução JIT também na implementação de referência.

[*] - então se você realmente for precisar da performance "full" da CPU para cálculos de sin e cos, e estiver programando em Python, a recomendação é que os seus números, com os quais você vai fazer as contas, estejam encapsulados em objetos especiais que fazem esse tipo de operação usando código nativo - por exemplo, a biblioteca NumPy, ou alguma biblioteca de OpenGL ou gráficos 3d, se o uso for para renderização de imagens, por exemplo. cos nativo em Python tem que "embrulhar" a resposta do código de máquina que calcula cos num objeto float - que tem todo o dinamismo que o Python precisa - essa operação é centenas de vezes mais custosa do que simplesmente armazenar na memória o numero de 8 bytes em ponto flutuante resultante da operação nativa.

6

Uma das filosofias do Python é facilitar a vida do programador

Está respondido. Isto é o oposto do que está preocupado. Talvez seja questão de interpretação do texto. Pelo menos eu não consigo imaginar como a falta de uma otimização seja um dificultador para o programador. Eu até entendo o desejo, mas isto não bate com a filosofia de Python. Cada um pode tentar interpretar o texto como quiser, mas a maioria das pessoas sabem que facilidade e otimização são coisas diferentes.

Quem quer performance, eficiência, abstração de custo zero, essas coisas é C++. C, Rust também, claro. Python nunca teve essas coisas como base para decidir nada do que fazer. Se a performance é o desejado escolha outra linguagem. Olha que facilidade.

Porém, você fez o teste no C++? E fez corretamente? testar é complicado. Eu não garanto que ele seja otimizado lá. É possível, e até provável, mas sem testar eu não garanto. E se é para otimizar mesmo isto deveria ser custo near zero porque todo o laço é inútil e basta fazer x = 1 e mais nada, mata todo o loop, ou nem isso porque depois a variável nem é usada. Na verdade este código nem faz sentido. Inclusive a forma de medir também não é das mais adequadas.

Mas no final é uma questão de ninguém ter decidido fazer a otimização. Talvez porque poderia deixar a compilação mais lenta, ou por outro motivo. Pode ser que alguém ainda o faça, pode ser que você abra um issue e alguém faça, pode ser que você queria fazer e entregar para review da comunidade e a melhoria seja aplicada.

2

As filosofias do Python são 19, e nenhuma delas diz que é para facilitar a vida do programador.

Uma delas diz:

Explícito é melhor do que implícito.

Dito isso, você como programador capaz de notar que o interpretador não faz cache dos últimos resultados de um cosseno, poderia utilizar o decorator lru_cache do módulo functools que serve justamente para isso, pois LRU significa Last Recent Used, que é justamente o que você quer que ele faça. Voltando novamente para o mantra:

Explícito é melhor do que implícito.

  • 1
    Na verdade, "facilitar a vida do programador" não tem nada a ver com o não-problema que foi colocado. – jsbueno 26/09/18 às 19:02
  • Desculpa @jsbueno não entendi tua colocação. – fernandosavio 26/09/18 às 19:10
  • é que "ser mais fácil pra programadores" é bastante subjetivo - mas não remete de forma nenhuma a 'adivinhar coisas pra ser o mais rápido possível'. Sua resposta está legal, mas trata essa colocação da pergunta como se fosse verdadeira. Por que, na verdade, as frases do zen of Python são meio anedóticas - é claro que uma das premissas da linguagem é tornar as coisas mais fáceis para programadores. Só que "inventar caches instantaneos só por que sim" não tem relação com isso. – jsbueno 26/09/18 às 19:34
  • Pois é, eu fiquei pensando também se não fui grosseiro... No fim não sei se a resposta acrescenta alguma coisa à comunidade fora falar de lru_cache. – fernandosavio 26/09/18 às 19:36
  • 1
    ela nao está cobrindo tudo oq ue tem que cobrir, mas ajuda sim - traz um dos argumentos de por que essa dúvida não é muito pertinente. Uma reposta completa e compreensiva a essa pergunta seria quase um livro - então, se cada um que tocar aqui colocar um ou dois argumentos, todo mundo contribuiu. – jsbueno 26/09/18 às 21:09

Sua resposta

Ao clicar em “Publique sua resposta”, você concorda com os termos de serviço, política de privacidade e política de Cookies

Esta não é a resposta que você está procurando? Pesquise outras perguntas com a tag ou faça sua própria pergunta.