2

Estou tentando comparar duas distribuições, porém quando vou aplicar o ks.test para as duas, só obtendo o valor do 'D' e o p-value coincidentemente dá o mesmo valor para as duas, '< 2.2e-16'. Tive a ideia de retirar os valores iguais a zero para ver o resultado, e o ks.test apresentou todos os valores adequadamente. Só que infelizmente, para essa análise, eu tenho que deixar também os valores iguais a zero.

Alguém já teve esse problema? Ou alguma ideia de como proceder? Eu preciso ter algum valor para p-value, para poder aceitar ou rejeitar a hipótese nula.


Meus dados são extensos, por isso não tinha colocado aqui. Segue abaixo:

d<-c(4.1,3.7,11.1,15.0,5.1,12.3,0.1,0.2,0.0,0.4,0.0,23.2,0.0,0.0,13.2,0.0,0.0,0.0,0.0,18.6,3.3,0.2,4.2,0.1,0.0,0.7,11.6,1.0,28.9,0.0,0.0,0.0,2.3,10.5,9.7,1.7,0.0,0.5,0.0,1.9,16.7,26.4,9.2,1.2,1.4,9.0,35.3,8.6,0.6,0.0,0.0,0.1,0.5,2.9,27.2,0.0,0.0,0.0,0.0,15.4,0.0,0.0,5.3,1.3,2.1,0.3,22.1,0.0,0.0,5.7,4.2,68.5,1.7,8.7,0.0,9.6,0.0,15.6,0.0,1.9,14.8,0.1,2.4,0.0,0.0,1.1,22.0,1.8,39.4,0.0,0.1,29.5,14.0,0.0,4.5,0.0,37.2,0.0,0.0,21.6,0.0,21.6,1.3,24.5,1.9,1.8,14.1,12.1,0.0,0.1,0.0,0.0,0.2,15.4,1.2,0.4,0.0,0.0,0.0,0.0,0.1,18.9,0.2,0.7,0.8,0.6,17.2,0.0,0.0,0.1,0.1,0.0,0.0,0.1,0.0,0.7,21.2,35.7,0.0,0.0,.8,1.7,10.4,0.0,4.9,0.0,0.9,0.6,6.2,2.2,0.0,0.7,7.6,0.1,1.8,29.4,5.4,0.0,0.0,0.0,0.1,34.4,0.6,11.2,0.0,0.6,1.7,0.3,0.0,8.4,2.6,0.2,27.6,2.6,0.4,0.0,18.5,0.0,25.5,0.9,0.0,0.0,0.2,0.1,0.1,0.0,1.1,0.0,0.0,0.0,0.0,0.1,0.3,0.0,0.0,1.1,0.0,0.9,0.8,1.2,2.6,0.0,6.6,0.0,0.8,15.1,2.6,2.1,4.0,2.2,0.0,15.5,15.0,0.1,1.9,12.8,31.6,0.0,0.0,0.0,25.9,0.0,0.0,1.3,0.0,0.3,0.0,0.0,0.1,0.0,0.1,10.9,1.3,0.0,0.0,1.8,4.4,0.0,2.1,20.2,0.0,12.5,0.1,0.0,0.7,0.0,4.0,46.8,27.1,0.0,0.0,0.0,16.9,0.0,23.7,29.8,0.0,0.0,5.5,0.0,23.8,0.0,0.1,4.4,0.1,43.2,15.4,9.5,0.9,0.0,1.2,7.0,15.9,0.0,9.9,3.5,12.0,0.0,0.5,0.0,0.1,1.1,2.6,0.1,0.0,0.0,0.0,0.0,1.4,18.4,4.5,5.2,4.1,4.3,0.0,3.5,0.0,0.0,0.2,0.0,0.0,2.2,0.0,0.7,0.0,0.0,0.0,14.5,3.1,0.0,0.0,0.1,5.7,0.5,0.1,0.2,0.0,0.0,6.8,0.0,0.2,18.3,0.0,0.2,0.0,0.0,2.5,40.9,4.4,0.0,0.0,0.8,1.0,4.5,0.1,0.0,0.0,0.0,0.0,0.0,0.3,0.4,11.9,0.0,0.0,0.6,12.2,0.0,0.0,0.3,9.3,9.3,1.6,6.1,0.0,19.0,0.0,0.0,0.0,1.4,0.0,0.1,0.0,8.2,5.3,0.0,0.0,3.4,0.0,0.0,0.0,24.1,0.2,15.7,0.0,0.0,12.1,4.1,5.8,13.2,1.0,64.2,0.0,0.5,10.6,0.0,7.0,4.3,0.0,0.0,16.7,29.8,49.3,57.8,4.3,1.2,0.0,0.0,0.0,0.0,6.8,10.6,3.7,2.2,0.0,0.1,5.1,0.0,0.0,1.0,4.3,0.0,43.5,5.6,0.0,7.7,0.0,0.0,18.7,0.3,0.2,0.4,0.0,0.0,23.0,0.0,0.0,0.2,9.5,0.0,5.1,6.4,0.0,28.0,0.0,0.0,3.2,0.0,0.5,1.2,2.3,42.3,0.0,0.0,1.8,0.0,0.2,5.8,30.8,3.1,2.7)

A linha de raciocínio foi a seguinte:

n<-length(d[!is.na(d)])
media<-mean(d)
desvio<-sd(d)
vetor<- as.vector(d[!is.na(d)])
variancia<-var(vetor)*(n-1)/n
alfa<-(media)^2/(variancia)
beta<-(variancia)/(media)

ks.test(vetor,"pgamma",shape=alfa, scale=beta)
D = 0.3792, p-value < 2.2e-16
alternative hypothesis: two-sided

Comparando com uma normal:

ks.test(vetor,"pnorm",mean=media, sd=desvio)

D = 0.3002, p-value < 2.2e-16
alternative hypothesis: two-sided

Testei pois queria comparar e ver com as duas distribuições, Gamma e Normal. Para que no fim conseguisse comparar os dois valores de p-value e ver qual melhor se encaixaria aos meus dados. Mas as duas seguem aparecendo p-value como: < 2.2e-16

3
  • bem vindo ao SOpt. Aproveite para fazer o Tour para melhor perceber como funciona o site. – João Martins 31/08/18 às 13:08
  • Iara, o Teste de Kolmogorov-Smirnov (ks.test) compara se uma amostra segue uma determinada distribuição de probabilidade contínua ou se duas amostras seguem a mesma distribuição contínua. É um teste não-paramétrico que, para podermos rejeitar ou não a hipótese nula, temos que comparar o valor da estatística D com os valores críticos de uma tabela que dependem do tamanho da amostra e do nível de significância (ambos não informado). Apesar de que sua dúvida não pareça ser sobre a linguagem R, se você nos fornecer um pedaço dos seus dados, talvez possamos te ajudar de uma melhor forma. – Rafael Cunha 31/08/18 às 13:55
  • Os resultados que obteve não são iguais, o que são é ambos menores que 2.2e-16. Para ver porque é que o R apresenta assim, veja a página de ajuda help(".Machine") e printe o valor de .Machine$double.eps. – Rui Barradas 31/08/18 às 16:15

2 Respostas 2

6

Provavelmente o que escrevi aqui não vai responder completamente a pergunta, mas o espaço de comentários é muito pequeno para o que tenho a dizer.

Não me parece correto levantar a hipótese de estes dados são normais. Veja o histograma:

inserir a descrição da imagem aqui

E é exatamente isto o que o teste de Kolmogorov-Smirnov está te dizendo. Ao testar as hipóteses

H_0: d é gama
H_1: d não é gama

e

H_0: d é normal
H_1: d não é normal

tu rejeita ambas as hipóteses nulas. Ou seja, teus dados não são gama com alfa e beta, nem normais com media e desvio. Portanto, nada de errado aqui.

O problema agora é descobrir qual é a distribuição dos teus dados. Note que a barra referente ao zero no histograma é muito alta. Ao perceber isso, rodei

table(d > 0)
FALSE  TRUE 
  171   280

que serve para contar quantos zeros e quantos não-zeros há no conjunto de dados. No caso, temos 171 zeros e 280 valores diferentes de zero. Isso tem cara de uma mistura de distribuições, onde uma distribuição é responsável pelas medidas positivas e outra apenas pelos zeros.

Outra ideia que podemos testar é encontrar alguma distribuição pros dados a partir do pacote fitdistrplus:

library(fitdistrplus)
fitdist(d, "gamma")
<simpleError in optim(par = vstart, fn = fnobj, fix.arg = fix.arg, 
  obs = data,     gr = gradient, ddistnam = ddistname, hessian = TRUE, 
  method = meth,     lower = lower, upper = upper, ...): function 
  cannot be evaluated at initial parameters>
Error in fitdist(d, "gamma") : 
  the function mle failed to estimate the parameters, 
            with the error code 100

Veja que nem mesmo este pacote consegue encontrar parâmetros adequados para uma gama se ajustar a estes dados.

Entretanto, podemos tentar uma exponencial:

fitdist(d, "exp")
Fitting of the distribution ' exp ' by maximum likelihood 
Parameters:
      estimate  Std. Error
rate 0.1867882 0.008795259

Agora sim a coisa ficou mais interessante. Ao menos a estimativa do parâmetro da exponencial convergiu. Entretanto, quando vamos plotar a densidade da exponencial em cima do histograma, o resultado não é tão legal:

inserir a descrição da imagem aqui

Isso é tão verdade que, ao rodar o Kolmogorov-Smirnov considerando uma exponencial, novamente rejeitamos H_0:

ks.test(d, "pexp", 0.1867882)

    One-sample Kolmogorov-Smirnov test

data:  d
D = 0.43562, p-value < 2.2e-16
alternative hypothesis: two-sided

Warning message:
In ks.test(d, "pexp", 0.1867882) :
  ties should not be present for the Kolmogorov-Smirnov test

Ou seja, estes dados também não possuem distribuição exponencial com parâmetro 0.1867882.

Portanto, tu tem duas opções aqui:

1) Vá tentando distribuições assimétricas à direita dentro com o pacote fitdistrplus. Se a estimação funcionar, rode o Kolmogorov-Smirnov pra confirmar se os dados tem, de fato, a distribuição encontrada.

2) Se perguntar porque tem tantos zeros no teu conjunto de dados. 171 de 451 (38%) das observações iguais a zero não é algo que se espera em geral. De onde estes dados vieram? É esperado que esta coleta tenha mesmo esta quantidade de zeros? O equipamento ou pessoa que coletou pode ter feito algo errado?

3) Trabalhar com mistura de distribuições, que aí é uma área um pouco mais complicada.

2
  • Muito obrigada Marcus Nunes. A parte estranha foi realmente isso, excluir as hipóteses para as duas distribuições. Mas realmente não tinha pensado no sentido de distribuições mistas. E sim, pensei no problema estar na quantidade de zeros da amostra, que faria com que o teste não ''funcionasse'', pelo menos para uma delas. Mas mais uma vez, muito obrigada! – iara 3/09/18 às 12:25
  • É muito bom saber que a minha resposta te ajudou de alguma forma. Por isso, considere votar e aceitar a resposta, de modo que, no futuro, outras pessoas que passarem pelo mesmo problema tenham uma referência para solucioná-lo. – Marcus Nunes 3/09/18 às 13:17
2

Em primeiro lugar creio que está a começar de forma errada. Não deve decidir à partida que vai comparar a distribuição dos dados com tais e tais distribuições paramétricas.

Deve começar por ver os dados. Comece pelas estatísticas descritivas básicas dadas pela função summary.

summary(d)
# Min. 1st Qu.  Median    Mean 3rd Qu.    Max. 
#0.000   0.000   0.500   5.354   5.350  68.500

Isto mostra uma distribuição assimétrica, veja que o mínimo e o primeiro quartil são iguais. Outro indício disto é a diferença entre a média e a mediana. Ainda outro indício é termos a média, uma estatística muito sensível a valores extremos (outliers), acima do 3º quartil.
Podemos também ver que não há valores NA, mas como parece estar preocupada com isso, tanto que até criou o vetor vetor a partir do vetor d removendo os eventuais missing values NA, aqui vai uma maneira de verificar se existem e quantos são.

sum(is.na(d))
#[1] 0

E para ver a distribuição há o sempre utilíssimo histograma.

hist(d, prob = TRUE)    # Ver os dados

Estes dados não são de certeza gaussianos.
Vamos então à distibuição gama. O seu cálculo dos parâmetros estava errado, o modo certo é este.

media <- mean(d)
variancia <- var(d)
alfa <- media^2/variancia
beta <- media*variancia

ks.test(d, "pgamma", shape = alfa, scale = beta)
#
#   One-sample Kolmogorov-Smirnov test
#
#data:  d
#D = 0.47659, p-value < 2.2e-16
#alternative hypothesis: two-sided
#
#Warning message:
#In ks.test(d, "pgamma", shape = alfa, scale = beta) :
#  ties should not be present for the Kolmogorov-Smirnov test

Quanto ao significado de dados repetidos e como isso afeta o teste de Kolmogorov-Smirnov, veja o Cross Validated e o manual da função ks.test:

The presence of ties always generates a warning, since continuous distributions do not generate them. If the ties arose from rounding the tests may be approximately valid, but even modest amounts of rounding can have a significant effect on the calculated statistic.

Em português (Google Translate + revisão minha)

A presença de valores repetidos gera sempre um aviso, já que distribuições contínuas não os permitem. Se os valores repetidos surgirem do arredondamento, os testes podem ser aproximadamente válidos, mas mesmo quantidades modestas de arredondamento podem ter um efeito significativo na estatística calculada.

É também possível e mais natural usar a função fitdistr do pacote base MASS para calcular os valores dos parâmetros. Como os dados têm muitos zeros e essa função não aceita ajustar uma gama quando os dados têm zeros, vou somar um valor muito pequeno a cada zero.

vetor <- d
inx <- vetor == 0
vetor[inx] <- vetor[inx] + .Machine$double.eps^0.5

params <- MASS::fitdistr(vetor, "gamma")

Agora o teste de Kolmogorov-Smirnov.

sh <- params$estimate["shape"]
ra <- params$estimate["rate"]

ks.test(vetor, "pgamma", shape = sh, rate = ra)
#
#   One-sample Kolmogorov-Smirnov test
#
#data:  vetor
#D = 0.26847, p-value < 2.2e-16
#alternative hypothesis: two-sided
#
#Warning message:
#In ks.test(vetor, "pgamma", shape = sh, rate = ra) :
#  ties should not be present for the Kolmogorov-Smirnov test

Finalmente, os gráficos com as curvas das densidades calculadas acima.

hist(vetor, prob = TRUE)
curve(dgamma(x, shape = alfa, scale = beta), 
      from = 0, to = 70, add = TRUE, col = "blue")
curve(dgamma(x, shape = sh, rate = ra), 
      from = 0, to = 70, add = TRUE, col = "red")

inserir a descrição da imagem aqui

Creio que deverá tentar encontrar modelos que se deem bem com tantos zeros, que assim deverá ser muito difícil encontrar uma distribuição paramétrica que se ajuste a estes dados. Apesar dos gráficos não estarem mal, ambos os testes rejeitaram a hipótese nula.

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  • Obrigada Rui Barradas. – iara 3/09/18 às 13:00

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