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Estava vendo um tópico sobre serialize no PHP.

Uma função bem interessante, mas em vista, muito pouco usada.


Sobre a função, gostaria de saber:

  • Um exemplo, de onde iria aplicar essa função em um cenário real?
  • Qual a vantagem de utilizar o serialize em relação a uma variável qualquer?
  • Por que fazer a serialização de um objeto?
  • Por que então usar dois passos a mais (serialize/unserialize) para algo que pode ser "tratado" direto?
  • 1
    Isso é necessário mais raramente, se você quiser persistir o objeto (em arquivo, memória ou banco de dados) e recuperar mais tarde. Ou seja, em casos em que não dá para "passar direto". – bfavaretto 2/08/18 às 15:19
  • @bfavaretto nem imaginava isso. Muito interessante. (apesar de como disse, em raras necessidades) 🤔 – rbz 2/08/18 às 15:22
  • 2
    Complementando e respondendo a última questão (Por que então usar dois passos a mais?). Existem objetos que utilizam recursos externos (resources). Que podem ser conexão com o banco de dados, stream, etc.. Esses recursos não podem ser persistidos e nem fechados/abertos automaticamente. O fato desses dois passos a mais, pode ser para fechar um recurso (durante serialize) e recriar o recurso (durante unserialize). – Gabriel Heming 2/08/18 às 16:59
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Gostaria de saber, um exemplo, onde iria aplicar essa função em um cenário real?

Jobs

Eu uso bastante para criar Jobs, particularmente uma implementação do Laravel. Funciona basicamente assim: Você serializa uma instância de uma classe que vai executar uma ação específica e salva ela no banco de dados. Aí você desserializa essa classe e chama um método específico dessa classe através da linha de comando.

Sessão

Além disso, o PHP nativamente usa o serialize para poder salvar os dados armazenados na variável $_SESSION, e unserialize quando você vai recuperar esses dados.

Veja o que o pequeno código abaixo faz:

session_save_path('tmp_sessions');
session_start();

$_SESSION['nome'] = 'Wallace';

Acima eu defini que as sessões serão salvas dentro da pasta tmp_sessions. Após executar o script, aparece um arquivo dentro da pasta tmp_sessions/sess_st3e3ksr5vjsj8h5rrm57u11l4, com o seguinte conteúdo:

nome|s:7:"Wallace";

Qual a vantagem de utilizar o serialize em relação a uma variável qualquer?

Acho que parte dessa pergunta foi respondida acima, mas é natural usar serialize em casos onde você precisa recuperar esses dados mais tarde, de maneira que o PHP conseguia recuperá-lo com o mesmo estado que ele foi criado.

Observações importantes

A serialização visa o armazenamento de dados em formatos que são interpretados pelo PHP para uma recuperação futura. Você deve ter em mente que há algumas restrições quanto a serialização de dados.

Uma delas é Closure e também Classes Anônimas. Obviamente esses dados não podem ser serializados nativamente por representarem uma estrutura temporária, o que dificultaria bastante a reconstrução desses objetos.

Nos casos onde você precisa implementar serialização em uma instância específica de um objeto, talvez seja necessário definir como o PHP vai se comportar quando mantar serializar este objeto, no caso, ou criando o método __wakeup e __sleep ou implementando a interface nativa Serializable, que tem os métodos serialize e unserialize. Esses métodos tem como objetivo "apontar" para o PHP o que será ou não serializado daquele objeto.

Vejamos o exemplo do JOB que citei anteriormente.

No caso abaixo, considere que estou querendo criar um "trabalhador" que vai enviar os e-mails para mim pela linha de comando, para eu não ter que fazer isso pelo http.

No HTTP:

interface Trabalho
{
    public function trabalhar();
}   


class EmailNotificacao implements Trabalho, Serializable
{

    public function __construct($id)
    {
        $this->id = $id;
    }

    public function trabalhar()
    {

        $usuario = Usuario::find($this->id);

        Email::texto('Enviando email para o usuário', $usuario->email);
    }


    public function serialize()
    {
        return serialize(['id' => $this->id]);
    }

    public function unserialize($data)
    {
        $properties = unserialize($data);

        $this->id = $properties['id'];
    }
}



$id = 1;

BancoDeDados::inserir('trabalhos', serialize(new EmailNotificacao($id)));

No caso acima, isso me permite inserir a instância de uma classe serializada no banco, porque a serialização sempre retorna uma string, o que pode ser facilmente incluído numa coluna do tipo TEXT.

Agora, um script que está no seu cronjob rodando e têm acesso as mesmas definições de classe da sua aplicação http poderá recuperar os dados através da desserialização.

Veja:

// no script do cronjob


$trabalho = BancoDeDados::obterPrimeiro('trabalhos');

$trabalho_instancia = unserialize($trabalho['dado_serializado']);


if ($trabalho_instancia instanceof Trabalho)
{

    $trabalho_instancia->trabalhar();
    BancoDeDados::deletar($trabalho_instancia->id);
}

Veja um pequeno exemplo da costumização do comportamento de serializable no Ideone

Por que então usar dois passos a mais (serialize/unserialize) para algo que pode ser "tratado" direto?

É porque você está pensando na aplicação numa única execução. Nesses casos, realmente não tem sentido serializar os dados - a não ser que seja algo bem específico.

Como eu disse, o objetivo da serialização é criar uma string contendo uma representação de uma estrutura de dados do PHP.

Isso pode ser muito útil para você salvar um objeto em um local específico para recuperá-lo posteriormente, como é feito no caso da sessão.

Se não fosse a serialização, como você poderia salvar arrays, strings ou até mesmo instâncias de determinados objetos na sessão da sua aplicação?

Repare que no caso das sessões você além de obter o valor armazenado anteriormente, você obtém ele no mesmo tipo. Se você salvar um int, você sempre terá o mesmo int na nova chamada da página.

Para você entender melhor, a sessão funciona basicamente assim:

Crie o script serialize.php e em seguida crie um arquivo session.txt na mesma pasta, vazio.

Agora adicione isso ao seu script:

$file = 'session.txt';

// desserializa o conteúdo do arquivo

$_session = unserialize(file_get_contents($file));

// Se for false, é que o arquivo está vazio

if ($_session === false) {
    // então definimos que queremos que a variável seja um array
    $_session = [];
}

// mostra os dados da sessão

var_dump($_session);

$_session['nome'] = 'wallace';

if (! isset($_session['quantidade_execucao']))
{
    $_session['quantidade_execucao'] = 0;
}


// adiciona uma contagem para cada vez que o script é executado
$_session['quantidade_execucao']++;


// salvas os dados serializados no arquivo

file_put_contents($file, serialize($_session));

Basicamente, é assim que a sessão funciona, e não seria manter os estados das variáveis, como no exemplo acima, se não houvesse a serialização.

Mas por que não usar JSON, que é tão popular?

O JSON tem como objetivo a comunicação entre linguagens ou aplicações diferentes. Já o serialize do PHP serve unica e exclusivamente para o PHP.

Além do mais, o json_encode do PHP, quando se trata de objetos, é uma via de mão única, pois o mesmo apenas é capaz de determinar como será que os dados de um objeto (em se tratando de uma classe específica) será serializado para JSON, porém não existe a opção de se fazer o contrário.

Ou seja, o json_decode nunca poderia reconstruir um objeto do tipo ArrayObject, por exemplo. Porém o serialize é capaz de lidar com isso perfeitamente.

**Observação: se você tentar desserializar um serial que contenha uma classe inexistente no esopo, o PHP retornará um erro, dizendo que não pode desserializar __php_incomplete_class.

Sempre é necessário, ao trabalhar com serialização de classes, que ela esteja incluída tanto onde se serializa quanto onde se desserializada.

serialize não faz a mágica de salvar o código fonte da sua classe nele, ele apenas armazena as informações necessárias para reconstruir uma instância. Para isso, é necessário que a classe exista!

Veja essa pergunta que fiz sobre o assunto:

  • Wallace, desculpa a ignorância, mas é um assunto bem "novo" e distinto esse negócio! rs... Eu "sinteticamente" entendi, mas "analiticamente", não tenho certeza! 😅. Ele irá "guardar" meu objeto/instância em seu estado atual? Todas as propriedades do objeto, algo mais? Sempre é salvo em $_SESSION? Se encerrar a conexão, irei perder? – rbz 14/08/18 às 17:29
  • Complementando a ultima frase, recupera-lo sem perder os formatos dos valores salvos, incluindo objetos de classes. O que poderia ser uma grande vantagem (desde que a classe esteja já declarada previamente nas requisições seguintes). – Guilherme Nascimento 14/08/18 às 17:29
  • @rbz calma aí, jovem. Eu vou criando a resposta as prestações mesmo, kkkkk – Wallace Maxters 14/08/18 às 17:29
  • @WallaceMaxters Estou percebendo isso! rs Mas se eu for lembrando de algo sobre o contexto vou descrevendo, assim consigo te passar melhor onde estou com meu entendimento! rs ✌️ – rbz 14/08/18 às 17:31
  • @rbz tá aí. Leia principalmente o último exemplo, fazendo testes com ele. Vai perceber como a sessão funciona. – Wallace Maxters 14/08/18 às 18:11

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