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Olá, preciso fazer a seguinte questão: https://olimpiada.ic.unicamp.br/pratique/p2/2017/f3/arranhaceu/

Eis o enunciado:

Um arranha-céu residencial possui N andares, numerados de 1 a N. O síndico do arranha-céu está tendo muito trabalho com uma nova regra do corpo de bombeiros. Ele não sabe o porquê, mas os bombeiros apontam um andar k e exigem que o síndico informe o total de pessoas que moram no arranha-céu do andar 1 até o andar k, inclusive. Talvez seja alguma medida de segurança dos bombeiros! O problema é que o prédio tem muitos andares e toda hora tem gente se mudando, passando a morar no arranha-céu, ou indo embora. O síndico precisa cuidar de dois eventos:

  • Mudança: alterar o número de pessoas que moram num determinado andar;
  • Bombeiro: informar o total de pessoas que moram do andar 1 até um determinado andar, inclusive.

Dados o número de pessoas que moram em cada andar do arranha-céu inicialmente, e uma sequência de eventos (do tipo Mudança ou Bombeiro), seu programa deve imprimir, para cada evento do tipo Bombeiro, o total de pessoas exigido, no momento do evento!

Entrada
A primeira linha da entrada contém dois inteiros N e Q, representando, respectivamente, o número de andares e o número de eventos. A segunda linha contém N inteiros Ai, 1 ≤ i ≤ N, indicando o número de pessoas que moram no i-ésimo andar inicialmente. Cada uma das Q linhas seguintes representa um evento e tem uma de duas formas:

  • "0 K P", Mudança, alterar o número de pessoas que moram no K-ésimo andar para P pessoas;
  • "1 K", Bombeiro, informar o total de pessoas que moram do andar 1 até o andar K, inclusive.

Saída
Para cada evento do tipo Bombeiro, seu programa deve imprimir uma linha contendo um inteiro representando o total de pessoas correspondente aquele evento.

Restrições
1 ≤ N ≤ 105 e 1 ≤ Q ≤ N
Há pelo menos um evento do tipo Bombeiro.
1 ≤ K ≤ N
0 ≤ Ai ≤ 1000 e 0 ≤ P ≤ 1000

Informações sobre a pontuação

  • Em um conjunto de casos de teste somando 20 pontos, N ≤ 20000

Exemplos

Entrada:

8 4
30 2 0 42 10 11 11 9
1 5
0 4 12
1 5
1 1

Saída:

84
54
30

Entrada:

1 1
0
1 1

Saída:

0

O código que fiz é esse:

#include <stdio.h>

int main(){

    int n, q, k, p, contEventos, evento, totalPessoas, i, pessoas[100000];

    scanf("%d %d", &n, &q);

    for(i = 0; i < n; i++){
        scanf("%d", &pessoas[i]);
    }

    for(contEventos = 0; contEventos < q; contEventos++){

        scanf("%d", &evento);
        scanf("%d", &k);

        if(evento == 0){

            scanf("%d", &p);
            pessoas[k - 1] = p;

        }else if(evento == 1){

            totalPessoas = 0;

            for(i = 0; i < k; i++){
                totalPessoas += pessoas[i];
            }

            printf("%d\n", totalPessoas);

        }
    }

    return 0;
}

Pelos casos de teste que eles disponibilizam funciona bem. Porém na hora de submeter a solução, nos outros testes meu código excede o tempo máximo de execução de 1000ms. O que posso fazer pra diminuir este tempo de execução?

Correção do meu código:

Compilação correta

Fase de testes -- Tempo Limite para cada execução: 1000 ms
Teste 1: ........ (20 pontos)
Teste 2: TTTT (0 pontos)
Teste 3: TT (0 pontos)
Teste 4: TT (0 pontos)
Teste 5: TTTT (0 pontos)

Total: 20 pontos (de 100 possíveis)

Legenda:
.: resultado correto
X: resultado incorreto
E: erro em tempo de execução
M: Referência a memória inválida
S: programa não gerou saída
T: tempo limite excedido
V: violação de recursos

0

1 Resposta 1

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O seu problema

O problema é o seguinte: Imagine um prédio com 100.000 andares e que os bombeiros pedem insistentemente milhares de vezes para saber quantas pessoas têm até o último andar. Isso vai fazer o seu programa consumir um tempão calculando e recalculando o totalPessoas. Cada consulta percorreria n andares e são q consultas no total, logo o tempo nesse caso vai ser proporcional a O(nq).

Outras soluções que não funcionam

Você poderia pensar em uma abordagem de recalcular tudo só quando alguém se mudar e guardar o resultado numa variável. Mas daí, deve haver algum teste onde ocorrem milhares de mudanças e o seu programa vai de novo estourar o tempo com O(nq).

Você pode pensar em fazer um array auxiliar que mostre o acumulado de pessoas até cada um dos andares, para consultá-lo quando os bombeiros chegarem. Mas nesse caso, você teria que reconstruir a tabela quando houverem mudanças a partir do andar onde ocorreu a mudança, e deve haver algum teste onde ocorrem milhares de mudanças no primeiro andar, e o resultado é novamente O(nq).

Divisão e conquista

Talvez uma abordagem de dividir e conquistar seja a solução. Se você manter uma contagem do número de pessoas na metade inferior do prédio em uma variável (vamos chamar de x), a consulta dos bombeiros na metade superior ficará bem mais rápida, pois você não precisará recontar a metade inferior, basta usar o valor x). Da mesma forma, se houver alguma mudança na metade inferior do prédio, você só precisará recalcular o valor x da metade inferior do prédio, sem se preocupar com os valores da metade superior.

Usando-se essa ideia recursivamente, subdivide-se cada bloco de andares pela metade até chegar a um ponto onde se tem um bloco de apenas um andar. Então junta-se os blocos de 2-em-2 somando-se o número de pessoas em cada andar. Depois, junta-se esses blocos maiores de 2-em-2 também formando blocos ainda maiores até você ter um bloco que representa o prédio inteiro.

Para um prédio de 12 andares, o resultado é o que está abaixo:

Prédio de 12 andares

Andares que não existem por estarem depois do último são considerados como zeros. Por exemplo, o 193 da quarta coluna deveria agrupar 8 andares ao invés de 4, mas o prédio acaba antes disso e portanto o que tem depois são apenas zeros.

Como descobrir quantas pessoas têm até algum andar?

Ok, mas como podemos saber quantas pessoas têm nos 9 primeiros andares, por exemplo?

A resposta é que os 8 primeiros andares têm 134 pessoas e o 9º tem 77. Logo a resposta é 134 + 77 = 211 pessoas.

E se quisermos os 7 primeiros andares?

A resposta é que os 4 primeiros tem 88, o 5º e o 6º juntos têm 9 e o 7º tem 24. Logo a resposta é 88 + 9 + 24 = 121 pessoas.

E se em um prédio maior que esse, quisermos até o 42º andar?

Nesse caso pega-se o número de pessoas dos 32 primeiros andares, mais o número de pessoas dos 8 andares do 31º ao 40º e então o número de pessoas do 41º junto com o 42º.

Mas como saber quais desses blocos de tamanhos diferentes escolher?

É só olhar para o número escrito em binário. Por exemplo:

  • 9 é 1001, ou seja, 8 + 1. Então pega-se um bloco correspondente a 8 andares seguido de um bloco de 1 andar.

  • 7 é 111, ou seja, 4 + 2 + 1. Então pega-se um bloco correspondente a 4 andares seguido de mais um de 2 andares e então um de 1 andar.

  • 42 é 101010, ou seja, 32 + 8 + 2. Então pega-se um bloco de 32 andares, um de 8 e um de 2.

Na imagem do prédio, o próprio prédio azul corresponde aos blocos de tamanho 1, a fila amarela à sua direita os de tamanho 2, depois os de tamanho 4, 8, 16 e assim por diante. Dessa forma, é possível saber de quais colunas os blocos devem ser escolhidos.

Note que nunca dois blocos da mesma coluna são acessados nesta operação.

Como mudar a quantidade de moradores de um andar?

Essa é fácil, altera-se o bloco correspondente ao andar e todos os blocos à direita dele. Os demais blocos não precisam ser recalculados.

Complexidade da solução.

Quantas blocos (cada um numa coluna diferente) cada operação de mudança ou de contagem pelos bombeiros é acessado?

  • Num prédio de 1 andar, 1 bloco.

  • Num prédio de 2 andares, 2 blocos.

  • Num prédio de 3 a 4 andares, 3 blocos.

  • Num prédio de 5 a 8 andares, 4 blocos.

  • Num prédio de 9 a 16 andares, 5 blocos.

  • Num prédio de 17 a 32 andares, 6 blocos.

  • ...

  • Num prédio de 32.769 a 65.536 andares, 17 blocos.

  • Num prédio de 65.537 a 131.072 andares, 18 blocos.

Isso começou a ficar legal. Nesse caso, qualquer operação que exija a recontagem das pessoas (seja a mudança ou seja os bombeiros) vai acabar consumindo tempo proporcional a 1 + log2 n. Portanto a complexidade total é O(q log2 n). Considerando que n é 100.000, e que 1 + log2 n é próximo a 18, isso claramente é bem melhor que qualquer solução O(nq).

Organizando a solução

Agora precisamos ver como organizamos isso na memória. Podemos usar uma matriz com 18 x 100.000, afinal de contas, 18 é o máximo de colunas de blocos que temos e 100.000 é o máximo de andares. Declaramos então pessoas[CAMADAS][MAX_N], onde CAMADAS é 18 e MAX_N é 100.000.

Os blocos são organizados sequencialmente em cada fileira da matriz assim:

matriz

Com essa lógica, o bloco i da coluna t é pai dos blocos 2 * i e 2 * i + 1 da coluna t - 1. Isso é importante para construir esses blocos depois que o prédio for montado:

pessoas[t][i] = pessoas[t - 1][2 * i] + pessoas[t - 1][2 * i + 1];

Pelo lado contrário, o bloco k da coluna t é filho do bloco k / 2 da coluna t + 1 (e portanto k / 2 é pai de k). Note que essa divisão é inteira.

Assim sendo, o irmão do bloco i em uma coluna t qualquer é o bloco i ^ 1 nessa mesma coluna. Esse ^ 1 serve para inverter o último bit de um número, transformando um número par num ímpar e um ímpar num par.

Ao atualizar o valor do andar k (na verdade k - 1, pois como você já percebeu, esse - 1 serve para começar a contar do 0), o bloco pai vai receber a soma dos valores dos filhos. Logo, a expressão para atualizar um bloco pai na coluna t a partir do valor alterado no filho k é:

pessoas[t][k / 2] = pessoas[t - 1][k] + pessoas[t - 1][k ^ 1];

Para os bombeiros verificarem o número de pessoas até determinado andar k, para cada camada t, olha-se os blocos k dessa camada. Para atualizar o k na hora de pular da camada t para a camada t + 1, basta fazer k /= 2;. No entanto, só são considerados os blocos que correspondem aos bits 1 tal como já explanado, o que pode ser verificado com k & 1, considerando-se que o k está mudando nessa iteração. Ou seja:

for (t = 0; t < CAMADAS && k > 0; t++) {
    if (k & 1) totalPessoas += pessoas[t][k - 1];
    k /= 2;
}

Código resultante

No final, o resultado é isso:

#include <stdio.h>

#define MAX_N 100000
#define CAMADAS 18

int main() {

    int n, q, k, p, t, contEventos, evento, totalPessoas, i, pessoas[CAMADAS][MAX_N];

    scanf("%d %d", &n, &q);

    for (i = 0; i < n; i++) {
        scanf("%d", &pessoas[0][i]);
    }
    for (; i < MAX_N; i++) {
        pessoas[0][i] = 0;
    }
    for (t = 1; t < CAMADAS; t++) {
        for (i = 0; i < MAX_N / 2; i++) {
            pessoas[t][i] = pessoas[t - 1][2 * i] + pessoas[t - 1][2 * i + 1];
        }
        for (; i < MAX_N; i++) {
            pessoas[t][i] = 0;
        }
    }

    for (contEventos = 0; contEventos < q; contEventos++) {
        scanf("%d", &evento);
        scanf("%d", &k);

        if (evento == 0) {
            scanf("%d", &p);
            k--;
            pessoas[0][k] = p;
            for (t = 1; t < CAMADAS; t++) {
                pessoas[t][k / 2] = pessoas[t - 1][k] + pessoas[t - 1][k ^ 1];
                k /= 2;
            }
        } else if (evento == 1) {
            totalPessoas = 0;

            for (t = 0; t < CAMADAS && k > 0; t++) {
                if (k & 1) totalPessoas += pessoas[t][k - 1];
                k /= 2;
            }

            printf("%d\n", totalPessoas);
        }

        // Para mostrar a tabela.
        /*for (int y = 0; y < CAMADAS; y++) {
            printf("\n|");
            for (int z = 0; z < n; z++) {
                printf("%d ", pessoas[y][z]);
            }
            printf("|\n");
        }*/
    }

    return 0;
}

Os laços que têm pessoas[0][i] = 0; e pessoas[t][i] = 0; servem para limpar as posições não utilizadas da tabela para evitar que sujeira/lixo pré-existente na memória atrapalhem o cálculo.

Note que a tabela desperdiça uma boa quantidade de memória, pois grande parte das posições dela ficam sempre vazias mesmo para um prédio de 100.000 andares cheio de gente em todos os andares. A tabela tem 1.800.000 posições, e até é possível reduzir-se o tamanho dela com algumas operações matemáticas para 199.985 posições, que é o tamanho mínimo dela. No entanto o código para fazer isso ficaria bem mais complexo e mais difícil de entender e o ganho de desempenho seria desprezível.

Veja aqui funcionando no ideone.

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  • Achei excelente essa sua abordagem ao problema, que ainda não me tinha ocorrido. E suspeito que era a solução que o autor do problema esperava. – Isac 23/07/18 às 14:02
  • Sua resposta foi muito melhor do que eu esperava, parabéns. Porém eu achei um tanto confusa a resolução. Vc usou operadores de bit que eu nem sabia sobre. Analisando com um pouco mais de tempo tenho certeza que vou conseguir entender, mas o ponto é, visto que essa questão foi dada pra alunos do ensino médio, será que não tem uma solução "menos" complexa? – Antony Leme 23/07/18 às 16:12
  • @AntonyLeme Para alunos do ensino médio é de se esperar soluções mais simplistas como a que você tinha, sem ter limitação de tempo. Agora, exigir o comportamento ótimo disso a partir de alunos do ensino médio é loucura, insanidade, maluquice, crueldade. Há coisas aqui que dependem de conhecimento que só é adquirido lá pelo 5º ou 6º semestre de um curso superior de ciência da computação, e que boa parte dos alunos estuda só pra passar na prova e depois esquece. – Victor Stafusa 23/07/18 às 16:19
  • @VictorStafusa entendi. Como se trata de uma olimpíada, imagino que seja da intenção deles cobrar essas coisas a mais. Sua resolução me atentou pra algumas coisas que vou tentar entender melhor, pra talvez ganhar uns pontos a mais em alguma questão. Talvez não seja tão preocupante, já que teoricamente meus concorrentes têm o mesmo nível de conhecimento que eu. De qualquer forma, obrigado. – Antony Leme 23/07/18 às 17:06
  • 1
    @VictorStafusa, problemas da OBI tem complexidade o suficiente para serem intercambiados facilmente com os da maratona ACM-ICPC. Então, sim, quem faz essas questões de OBI está pensando em gente que tenha pelo menos uns 4 anos de programação e treino para programação competitiva. Ou seja: pessoas que treinam desde o 6 ano do ensino fundamental – Jefferson Quesado 23/07/18 às 20:58

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