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Uma vez um programador viu meus códigos e elogiou por eu fazer uso do Try, confesso que não fiquei empolgado pelo elogio por achar que o uso do Try não é um modo simples de resolver exceções, vejo o uso de Trys indiscriminadamente até mesmo substituindo um if que poderia verificar as consistências do dados antes de qualquer execução, por exemplo:

try
  ...
  a := 1;
  b := 0;
  res := a / b;
except
  ...
  ShowMessage('Valor invalido'); // Nesse exemplo vamos ter que ficar caçando se o valor invalido é de a ou b
end;

Quando deveria ser:

  a := 1;
  b := 0;
  if (b <= 0) then
  begin
    ShowMessage('Valor invalido');
  end
  else
  begin
    res := a / b;
  end;

Usando o try para capturar exceções ou destruir um objeto da memória (com finally) eu concordo plenamente a final muitas vezes não pensamos em todas possibilidades dentro de uma rotina, mas o uso do try de forma impensada pode trazer grandes dores de cabeça assim como o with opção do Delphi que eu me abstenho sempre que posso, não importa em ter que digitar mais.

Estou muito longe de ser doutor em programação digo que faço o que posso, graças a Deus tenho conseguido resolver os problemas me propostos, mas as vezes surgem alguns porquês na cabeça e precisamos levantar a questão diante dos amigos programadores para tornar a necessidade de uma função mais clara em nossa mente.

Gostaria de saber a posição dos colegas quanto ao uso do Try.

  • Qual o motivo de não usar o with? Não sei se o Delphi fez de um jeito que causa problemas. – Maniero 19/04/18 às 16:10
  • Debuga um bloco com with e um sem, você vai ver a diferença. O problema está quando vai debugar, você não consegue ver os valores diretamente sem entrar no Evaluate / Modify, é uma boa opção pra economizar digitação, mas o debug se torna um fardo principalmente se tiver aninhados de with, se dois componentes tiver as mesmas propriedades dentro e o with tiver assim "with obj1, obj2 do" ixi, estou falando de mim ok, muitos gostam da praticidade que ele traz. Pra mim o with tem quase a mesma utilidade do "goto" muito usado antigamente (e o delphi tem goto e ninguém mais usa, que eu saiba, rs) – Marcelo 19/04/18 às 16:33
  • Não uso o Delphi, então não tem como :) Mas pelo que está dizendo é mal feito, aí concordo. O with deveria ser só syntax sugar, e só valido com identificadores de objetos já existentes com limitações em alguns tipos de métodos marcados devidamente para este fim. – Maniero 19/04/18 às 16:41
  • Pois é o with no delphi tem sua utilidade, mas como é uma função livre ele é usado em tudo quanto é lugar por alguns programadores, por exemplo, na criação de um objeto poderia economizar alguma digitação, mas manipular as propriedades desses objetos com with, nossa vira um caos. – Marcelo 19/04/18 às 17:59
  • Acredito que o Try server para isolar um bloco de código onde algo "impreviso" pode ocorrer, como uma conexão com recurso externo. O que pode ser tratado, melhor tratar sem necessitar disparar um exception – Ricardo Pontual 20/04/18 às 16:39
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De fato, dentro da minha observação, uns 90 a 99% dos programadores acham que o try resolve problemas, quando muitas vezes vezes o que ocorre é o oposto.

Tem linguagens que tem uma cultura de uso de exceções, outras usam só quando é realmente útil. Não sei como é no Delphi, e costumo recomendar seguir a cultura da linguagem, na maioria das vezes. Mas também não pode fazer algo muito errado.

Ninguém vai morrer por usar exceções em excesso (talvez em uma aplicação médica :) ), mas o ideal é evitar exceções.

Quando usar

Há casos que o código fica muito mais complicado. Exceção é um goto que você não sabe para onde vai.

Divisão por zero

O exemplo da pergunta é um erro de programação e não deve usar exceção. Use um if antes da operação para garantir que o divisor não é 0, portanto a segunda opção costuma ser melhor.

Não sei no Delphi a qualidade de implementação de exceções. Seria bom fazer um teste (do jeito adequado) qual é mais rápido quando não existe a falha, quando tem pouco e muito também.

Qual a chance do divisor ser 0? Se a resposta é "nunca deveria" ou "quase nunca", a exceção pode ser mais interessante, se tiver uma implementação moderna que trabalha com uma tabela auxiliar de pontos de captura e não uma pilha onde há captura.

Se sabe que terão alguns casos que é 0 mesmo, então tem boa chance que as execuções que dão erro sejam tão lentas, e o lançamento de exceção baseado em tabela de captura é absurdamente lento, é provável que a performance fique pior.

Se há alguma chance do divisor mudar durante o processamento (multithreading) também é melhor deixar o erro ocorrer para evitar a race condition.

Eu só usaria a captura da exceção neste caso se realmente a performance for claramente muito boa em quase todos os casos de uso.

Performance

Em pilha de captura tem custo mesmo que não lance a exceção, ao ponto que um if deve custar mais barato, até porque o if permite otimizações, o try as inibe. Mas o custo de lançamento é bem baixo, porém, maior que indicar o erro de outra forma.

Teste a performance como um todo, porque o fato de inibir otimizações pode trazer degradações reais não perceptíveis em um teste muito específico.

muitas vezes não pensamos em todas possibilidades dentro de uma rotina.

Este é o problema, programar é o oposto disto. Provavelmente a dica que recebeu tem a ver com isto: "põe try-except e fique tranquilo que qualquer erro que você cometer dá pra disfarçar", o que inclusive esconde informações relevantes para ajudar resolver o problema.

Quando a pessoa captura "para ficar tranquilo" provavelmente captura uma exceção mais geral, ou seja, não sabe nem o que fazer com aquilo. Muitas vezes executam algo que não faz o menor sentido porque ela capturou tudo, mas tratou com algo específico.

Veja mais.

O que são Exceptions?

  • Pois é o try pode "mascarar" um erro e custar bem caro ao processador. – Marcelo 19/04/18 às 18:05

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