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Eu estava pesquisando na internet como fazer números pseudo-aleatórios em c++ e todos exemplos que eu achei era com a função srand, mas em alguns lugares o pessoal falava que srand é do c, e o c++ já tem uma biblioteca melhor para criar números aleatórios, eu pesquisei na internet mas em português eu não achei nada sobre isso, então eu fui em uma documentação do c++ e achei esse trecho de código

int gerar_aleatorio(){
    random_device r;
    default_random_engine e1(r());
    uniform_int_distribution<int> uniform_dist(1, 100);
    return uniform_dist(e1);
}

ele deu certo, mas eu não entendi o que ele está fazendo em cada linha, dei uma pesquisada mas não acho nada em pt, gostaria de entender o que está sendo feito em cada linha.

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Desde , a biblioteca para geração e distribuição de números aleatórios <random> foi introduzida para resolver esse grande buraco que existia em anteriormente, como você já notou. A cppreference tem uma versão traduzida (boa parte automaticamente) para Português, basta apenas colocar pt. no lugar de en. no link: <random> em Português. Está um pouco desatualizado, mas deve ajudar. A página em Inglês é completa, entretanto.

Enfim, vamos para a dissecação do código agora:

std::random_device r;
std::default_random_engine e1(r());
std::uniform_int_distribution<int> uniform_dist(1, 100);
return uniform_dist(e1);

A primeira linha constrói um std::random_device, um gerador de números aleatórios não-determinístico1 (isto é, seria uma verdadeiro gerador de números aleatórios, e não pseudoaleatório). Esse é um dos vários geradores que existem na biblioteca padrão. O uso básico desse gerador é chamar o operador de chamada de função operator() para gerar o próximo número aleatório e avançar o estado do gerador:

std::random_device rd;
auto N = rd(); // N contém o número aleatório gerado por rd()

No caso do std::random_device, a fonte de entropia não vem de uma semente. Em algumas implementações, como a libc++ e a libstdc++, a fonte de entropia por padrão é a /dev/urandom em sistemas Unix-like, em vez de uma semente. Outros geradores (de números pseudoaleatórios) na biblioteca padrão aceitam uma semente como fonte de entropia, que pode ser o caso do std::default_random_engine.

std::default_random_engine pode não ser igual entre implementações, já que seu motor é deixado como implementation-defined (ou seja, a critério da implementação). Os únicos requirimentos recomendados são que a seleção desse motor forneça, pelo menos, um comportamento aceitável para uso relativamente casual, inexperiente e/ou leve. O motor std::linear_congruential_engine é normalmente usado com alguns parâmetros específicos para definir o std::default_random_engine.

Voltando ao código:

std::default_random_engine e1(r());

Essa linha constrói um motor de números pseudoaleatórios (definido pela implementação), com uma semente, cujo número é gerado por r(), como fonte de entropia. Isto é, o motor r foi utilizado apenas para gerar a semente de um outro motor e1. Como esse código foi tirado de dentro de uma função, esse tipo de tática não é boa, uma vez que sempre ao chamar a função gerar_aleatorio(), dois motores serão construídos, um deles semeados e apenas a primeira geração de número é realizada. O mais correto seria utilizar um único motor construído para o programa inteiro e usar algum distribuidor (como o std::uniform_int_distribution nesse caso) pra gerar os números aleatórios. Outra solução é fazer o e1 ser thread_local, pois assim sua inicialização é feita apenas uma vez para cada thread.

Indo para a próxima linha no código, temos:

std::uniform_int_distribution<int> uniform_dist(1, 100);

Essa distribuição é uma de várias outras na biblioteca padrão. Distribuidores de números aleatórios pós-processam o número gerado por um motor de números aleatórios, de modo que o resultado seja distribuído de acordo com uma dada função de densidade probabilística estatística. Em outras palavras, o resultado de um distribuidor segue um padrão estatístico. Em específico, o distribuidor std::uniform_int_distribution produz um número que siga uma distribuição uniforme (ou seja, cada número no intervalo terá quase a mesma quantidade de vezes gerado estatisticamente). Esse intervalo é dado ao construí-lo através dos parâmetros do construtor (no caso do seu código, esse intervalo é [1, 100] inclusivo).

Finalmente, a última linha:

return uniform_dist(e1);

O distribuidor do uniform_dist tem um operator() parecido com o de um motor: cada chamada gera o próximo número aleatório e atualiza/avança o estado do motor/distribuidor. A diferença é que, no caso do distribuidor, ele recebe como parâmetro um motor de números aleatórios. Como dito antes, isso é necessário, pois um distribuidor apenas aplica uma função de densidade no número aleatório gerado por um motor. Quem realmente gera o número aleatório é o motor, já o distribuidor apenas faz uso dessa saída. O resultado de uniform_dist(e1) avança o estado do motor e1 e do distribuidor uniform_dist e gera um número pseudoaleatório uniformemente distribuído dentro do intervalo [1, 100].


1 Uma implementação pode definir o gerador std::random_device em termos de um gerador de números pseudoaleatórios caso não houver uma fonte não-determinística.

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    Excelente resposta. Lembrando que <random> foi introduzido no C++11. Para versões jurásicas do C++ uma alternativa confiável é a biblioteca Boost.Random (desconfio que <random> foi fortemente baseado no Boost). – Anthony Accioly 14/03/18 às 14:46
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    Cara muito obrigado mesmo! deu pra entender linha por linha, só uma dúvida, tem algum motor que é mais aconselhável usar? – zaque 14/03/18 às 21:52
  • @zaque para uso casual, std::default_random_engine é suficiente. Dê uma lida nas descrições de cada motor na cppreference caso sentir que tenha um caso específico e que um motor apropriado seja necessário. – Mário Feroldi 15/03/18 às 3:20

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