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Muitas vezes, eu escrevo pequenas classes utilitárias para resolver algum problema menor no meu código. Por exemplo (vou utilizar Spring para DI):

@Service
class PessoaService {

    public PessoaResponse converter(Pessoa pessoa, Long valor1, Long valor2) {
        PessoaResponse pessoaResponse = new PessoaMapperUtil(pessoa).toResponse();
        Long resultado = valor1 + valor2;
        pessoaResponse.setResultado(resultado);
        return pessoaResponse;
    }

}

Meu PessoaMapperUtil é bem simples, ele apenas converte os dados da Pessoa para uma nova classe PessoaResponse, usando um mapper interno.

Contudo, digamos que o PessoaMapperUtil comece a ficar mais complexo porque o Pessoa começa a ficar maior, atrapalhando meus testes unitários do método converter, pois cada vez mais preciso incluir mais campos no Pessoa para que o PessoaMapperUtil funcione.

Ficando mais complexo, precisarei identificar o momento no qual vai valer a pena fazer o PessoaMapperUtil virar uma dependência e ser "mockável", ficando mais ou menos assim:

@Service
class PessoaService {

    private final PessoaMapperUtil mapper;

    @AutoWired
    PessoaService(PessoaMapperUtil mapper) { this.mapper = mapper; }

    public PessoaResponse converter(Pessoa pessoa, Long valor1, Long valor2) {
        PessoaResponse pessoaResponse = mapper.toResponse(pessoa);
        Long resultado = valor1 + valor2;
        pessoaResponse.setResultado(resultado);
        return pessoaResponse;
    }
}

Fazendo com que PessoaMapperUtil vire um componente (@Component), fica mais simples mocká-lo e a partir disto eu me preocuparia apenas com o restante do código.

Enfim, qual seria o sintoma no código no qual um utilitário deve virar uma dependência? Atualmente eu faço isto quando ele começa a atrapalhar os testes... É isto mesmo?

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    Pergunta relacionada (não é duplicata). – Victor Stafusa 20/02/18 às 1:58
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    Outra pergunta relacionada (também não é duplicata). – Victor Stafusa 20/02/18 às 2:00
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    É difícil responder isso sem saber ao certo o que há dentro de PessoaResponse e PessoaMapperUtil. No link do meu comentário anterior, eu falo um pouco sobre modelo anêmico, e acho que é o seu caso aqui. – Victor Stafusa 20/02/18 às 2:01
  • 1
    Qual o motivo do downvote? – Dherik 9/05/18 às 12:31
  • 2
    Eu votei positivo. Receber downvotes aleatórios sem justificativa é sempre muito chato, mas infelizmente não há o que fazer quando isso acontece. – Victor Stafusa 9/05/18 às 13:40
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A classe PessoaMapperUtil não representa um conceito de programação orientada a objetos!

Partindo de um modelo MVC, a classe Pessoa é a sua classe responsável por modelar as regras de negócio. Ou seja, está na camada Modelo.

A classe PessoaResponse seria algo que transporta dados do modelo para fora, em direção a camada de visão, e portanto é algo que está na camada do Controlador, juntamente com o PessoaService.

A classe PessoaMapperUtil tem como finalidade pegar algo da camada de modelo (Pessoa) e fabricar um objeto da camada controladora (PessoaResponse).

Como o modelo não deve conhecer o controlador (apenas o contrário é que vale), então a classe Pessoa não deve referenciar PessoaResponse ou PessoaMapperUtil. Até aqui tudo bem.

Entretanto, uma vez que PessoaResponsse e PessoaMapperUtil estão na mesma camada e no mesmo módulo/JAR/pacote/qualquer-coisa, então começamos a questionar se de fato deveriam ser separados.

Em geral, classes que tenham nomes terminando em Manager, Util, Handler, Helper não representam conceitos reais de programação orientada a objetos, sendo frequentemente:

  • Uma cassetada de métodos estáticos amontoados (não parece ser o seu caso).

  • Um objeto que tem vida curta e que é construído apenas para que um método seja chamado, separando alguma tarefa em duas etapas (a construção e a invocação do método em si) sem muitas razões para tal.

  • Alguma outra coisa com sérios problemas de coesão.

A sua classe PessoaMapperUtil parece ser o segundo caso. Você até instancia isso, mas é só para chamar o método toResponse() logo em seguida. Nesse caso, o melhor sseria dar um passo atrás e colocar um método estático:

public static PessoaResponse criar(Pessoa p) {
    // ...
}

Qual é o melhor lugar para se colocar esse método? Bem, ele é algo que está na camada do controlador e produz uma instância de PessoaResponse que já está nessa camada, logo isso deveria ser um método estático (ou um construtor) de PessoaResponse, e não uma classe a parte.

Voltando a classe PessoaService, vejamos o que ela faz:

public PessoaResponse converter(Pessoa pessoa, Long valor1, Long valor2) {
    // 1. Cria um objeto PessoaResponse.
    PessoaResponse pessoaResponse = new PessoaMapperUtil(pessoa).toResponse();
    Long resultado = valor1 + valor2;

    // 2. O objeto PessoaResponse foi criado incompleto!
    // Portanto, conserta ele chamando setters!
    pessoaResponse.setResultado(resultado);

    // 3. Agora sim, o PessoaResponse está completo e pode ser retornado.
    return pessoaResponse;
}

Ou seja, o PessoaMapperUtil(pessoa).toResponse() não cria o PessoaResponse pronto e esse tem que ser finalizado por fora. Ora, a responsabilidade de criar o PessoaResponse corretametente e completamente deveria estar na classe PessoaResponse (ou mesmo que fosse no PessoaMapperUtil), e portanto não deveria ser responsabilidade de PessoaService terminar esse serviço inacabado (veja mais sobre isso nessa outra resposta). A responsabilidade de PessoaService deveria ser apenas a de expor funcionalidades da aplicação ao Spring e nada mais que isso.

Ou seja, o ideal seria você ter isso na classe PessoaResponse:

public static PessoaResponse criar(Pessoa p, Long valor1, Long valor2) {
    Long resultado = valor1 + valor2;
    // ...
}

Com isso sua classe PessoaService fica assim:

@Service
class PessoaService {
    public PessoaResponse converter(Pessoa pessoa, Long valor1, Long valor2) {
        return PessoaResponse.criar(pessoa, valor1, valor2);
    }
}

Ok, mas e aí, como mockamos isso? Nesse caso caímos no que explanei nessa resposta aqui, não deveria fazer sentido mockar método estático. Nesse caso, se quisessemos mockar ele, a própria classe PessoaService testada não faria nenhum sentido. Ela não seria nada mais do que algo que retornaria de forma burra e cega, qualquer tranqueira que o mock lhe devolvesse sem olhar nada mais e nem fazer qualquer crítica ou verificação. Ou seja, ao mockar o método que ela chama, produziríamos um teste inócuo. O motivo é que o que tem que ser testado aqui é o método PessoaResponse.criar(Pessoa, Long, Long), para certificar-se que o PessoaResponse produzido está correto. A classe PessoaService se reduz a apenas uma forma muito verbosa de dizer ao Spring que o método criar(Pessoa, Long, Long) da classe PessoaResponse é uma funcionalidade exposta como serviço.

E para testar o método criar(Pessoa, Long, Long) da classe PessoaResponse? Simples, crie um objeto Pessoa (aqui pode ser um mock sem problemas), passe-o para esse método e faça um monte de assertXXXs no objeto retornado. Note que testar se o PessoaResponse retornado está certo, é muito mais fácil se ele for uma classe imutável - sem setters, com todos os campos final e sem quaisquer outras coisas que possam modificar uma instância após o construtor terminar de executar, ainda mais considerando que a finalidade para a qual a classe PessoaResponse existe é para transportar dados para outras partes da aplicação que devem estar desacopladas da origem dos mesmos. Adotar-se essa prática faz com que o problema de criar objetos incompletos seja sanado e impede que ele seja reintroduzido por descuido.

Assim sendo, para testar o método converter(Pessoa, Long, Long) da classe PessoaService é só fazer os mesmos testes que foram realizados com criar(Pessoa, Long, Long) da classe PessoaResponse, afinal de contas os dois devem ter exatamente o mesmo comportamento sem tirar e nem pôr nada.

Melhor ainda seria você conseguir convencer o Spring a usar o método criar(Pessoa, Long, Long) da classe PessoaResponse como serviço por meio de alguma anotação sem precisar da classe PessoaService, mas acho que isso daí já é algo que não dá para convencer o Spring a engolir (ao menos não facilmente). Com outros frameworks, pode ser que você consiga ou não.

Sei que isso pouco diz sobre o que acontece quando a complexidade da classe Pessoa começar a ficar grande demais, mas isso seria algo que ficaria na responsabilidade de PessoaResponse mapear. Entretanto, nesse caso, você teria que fornecer mais dados sobre a sua aplicação.

Bem, ainda há o caso de você realmente não querer de forma alguma colocar o método criar(Pessoa, Long, Long) na classe PessoaResponse (talvez porque as duas não devam se conhecer de forma nenhuma). Aí sim, nesse caso, você teria que colocar esse método numa classe a parte, mas isso tende a prejudicar a coesão e o encapsulamento de PessoaResponse.

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