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no codigo a seguir em Python...

string = "abcd"
for i in string:
    print(i)
---------------
output:
a
b
c
d

e em JavaScript

string = "abcd"
for(i in string)
    console.log(i)
---------------
output:
0
1
2
3

O que faz os retornos serem diferentes? É possível fazer o tipo de retorno do Python em JS e vice-versa?

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Python tem um for que desde o começo da linguagem, na década de 90 foi uma construção para percorrer uma sequência. Um bloco que em outras linguagens de programação, ou em termos genéricos, chamamos de for each ou for in. Em particular ele é bem diferente de um while, e sempre vai percorrer uma sequência - seja a sequência de caracteres de uma string, uma sequência de números numa lista ou num array, e assim por diante.

A linguagem é notadamente consistente com isso, dentro de sua filosofia de prover o máximo de valor para fazer certo as pequenas coisas de forma que o desenvolvedor possa se preocupar com o seu algoritmo, e não ficar brigando com a linguagem. Nos casos, que são minoria ,(embora não raros) em que o for precisa ou de uma sequência numérica ou do índice dos elementos de uma sequência, pode-se usar as funcionalidades range e enumerate da linguagem.

Para criar o retorno numérico em Python, em geral usamos o método enumerate - já que mesmo com o índice em mãos, vamos em geral precisar do conteúdo da sequência naquele índice:

for i, letra in enumerate("abcd"):
    print (i, letra)

---
(0, 'a')
(1, 'b')
(2, 'c')
(3, 'd')

Se você fizer questão de ter só os números, é só usar range até o comprimento da sequência:

for i in range(len("abcd")):
    print(i)

(embora em geral encontrar for i in range(len(...)): seja mais um indicativo de que o desenvolvedor está acostumado com outra linguagem e aprendendo Python do que sinal de um bom código - pelo simples motivo de que você quase sempre vai querer o conteúdo da sequência, e apenas na minoria das vezes o índice - mas quase nunca só os índices - basta tentar pensar em um exemplo de problema real que precise só dos índices para verificar isso)

Já Javascript, assim como outras linguagens derivadas da linguagem C (Java, PHP, C#, C++, Objective C, Perl) tem na verdade um for que é quase o mesmo que um while, com a única diferença que a expressão para inicialização e a condição de final ficam agrupados. (compare for (i=0; i < 10; i++) {...} com i = 0; while (i < 10) {...; i++} .

Em algum ponto na história do Javascript, criaram o for in (não consegui achar quando - ele já estava presente na primeira especificação EcmaScript de 1997. Antes disso, Javascript era o que cada browser colocava como Javascript) - mas em vez de percorrer os elementos de uma sequência, optaram por devolver uma sequência numérica para com um número para cada chave existente no objeto - uma escolha feita talvez por que não tinha como manter a consistência, já que Javascript não tem propriamente sequências internamente como as listas de Python - tanto objetos, como sequências como mappings são coisas mais ou menos intercambiáveis em Javascript, meio "molengas":

> a = [0,1,2]
< [0, 1, 2]
> a["chave"] = "valor";
< "valor"
> a
< [0, 1, 2, chave: "valor"]

Para manter a consistência, o for in do Javascritp também retornas os índices quando o elemento é uma string. O jeito óbvio de percorrer os valores associados a cada índice é fazer uma atribuição nas primeiras linhas do for:

for (i in palavra="abcd") {var letra=palavra[i]; console.log(letra);}

Só que aí entra em jogo uma outra idiossincrasia do Javascript - de novo por conta do histórico da linguagem, ela não tem uma separação entre "instâncias" e "classes" como em linguagens orientadas a objeto tradicionais, trabalhando com a noção de protótipos, em que "tudo é um objeto com poderes iguais, e qualquer objeto pode ser o protótipo de outro funcionando como uma 'classe' ". (Na prática, você pode rodar a internet inteira e não achar nenhum texto que consiga mostrar qualquer vantagem dessa "orientação a objetos por protótipos", em vez do uso bem definido de classes e instâncias (o máximo que mesmo os maiores fãs da ideia conseguem chegar é que "não é tão ruim assim"). Ok, bom, o problema disso é que num objeto javascript, não há automaticamente uma distinção entre atributos que seriam do "protótipo" de um objeto e os atributos do próprio objeto - como acontecem em Python que tem classes e instâncias distintos. Então, se você executar a linha acima para tentar imprimir letra a letra, vai ter:

for (i in palavra="abcd") {var letra=palavra[i]; console.log(letra);}

>  a
>  b
>  c
>  d
>  ƒ (){var e=this.toString();if(!arguments.length)return e;var t=typeof arguments[0],n="string"==t||"number"==t?Array.prototype.slice.call(arguments):arguments[0];for(var i in n)e=e.replace(new RegExp("\…
>  ƒ (e,t){var n=this.toString();return e&&n.length>e&&(n=n.substr(0,e)+t),n}
>  ƒ (e){var t=this.lastIndexOf(e);return 0>t?[this]:[this.substr(0,t),this.substr(t)]}
>  ƒ (e){return this.indexOf(e)>-1}

Ou seja: depois do índice da última letra aparecem os atributos do protótipo da string.

Há como contornar isso chamando-se o método .isOwnProperty de cada chave do for in:

for (i in palavra="abcd") {var letra=palavra[i]; if (!palavra.hasOwnProperty(i)) {continue;}  console.log(letra);}
>  a
>  b
>  c
>  d

Resposta:

Na pratica, a forma como as coisas funcionam no Python são muito práticas, o que fez com que desenvolvimentos posteriores no javascript ou em bibliotecas tentassem melhorar a funcionalidade de um for each. Então, em algum ponto foi introduzido o for (elemento of object) (for of), que consegue extrair os elementos de uma sequência ou objeto, e tratar strings como sequências:

for (letra of "abcd") {console.log(letra)}
> 1 a
> 1 b
> 1 c
> 1 d

Continuando

... mas o for of não funciona para objetos gerais - apenas arrays e strings (e talvez algum outro tipo de objeto):

for (element of {"a": "A", "b": "B"}) console.log(element);
> Uncaught TypeError: {(intermediate value)(intermediate value)} is not iterable at <anonymous>:1:17

Na busca histórica de uma solução, antes do for of existem outras abordagens: para objetos do tipo Array, há um método forEach que percorre os seus elementos. Mas como isso não é parte da sintaxe da linguagem, e sim, um método como outro qualquer, em vez de abrir um bloco com os comandos a serem executados, você passa uma função que será chamada para cada elemento da sequência. Como Javascript permite funções arbitrárias inline, isso é quase que só uma questão de colocar as marcações sintáticas (function (parametro) {...} ) em vez de só um bloco { ...} - mas tem efeitos colaterais, como o nome this é resignificado, há um outro escopo de variáveis, e etc...:

a.forEach(function (letra){ console.log(letra);})

>  a
>  b
>  c
>  d

Claro, que há ainda o inconveniente disso funcionar para Arrays, mas não funcionar para strings, enquanto que em Python as duas coisas (pensando em listas, no lugar de arrays), tem a mesma interface de "sequências".

Então, por "demanda popular", um dos pacotes terceirizados mais populares de Javascript, o jQuery, implementou a função "each" que faz o mesmo que o "forEach" do Array para qualquer objeto. Como a chance é grande que sua página já inclua o jQuery em alguma forma, você pode usar esse método para iterar sobre as chaves de objetos genéricos, como acontece com os dicionários em Python:

$.each({"a": "A", "b": "B"}, function (letra) {console.log(letra)} )
> a
> b

O jQuery, mantendo a tradição do Javascript, não pode fazer isso ser consistente para todas as finalidades óbvias, então apesar de seu .each funcionar para quase qualquer objeto, não funciona para strings. Para strings você deve mesmo usar a resposta acima, ou achar ainda outro módulo que faça isso.

  • a resposta não poderia ser melhor, esclareceu minhas duvidas! muito obrigado! – Jefter Rocha 21/01/18 às 13:16

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