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1 - Na documentação do Spring é descrito o uso de @Transactional do Spring nas classes de regra de negócio(ProdutosService por exemplo) tem algum motivo especial para se usar essa anotação nessas classes ao invés de utilizar nas DAO's?

2 - O funcionamento da anotação @Transactional e a mesma do uso do padrão Open Session in View? Senão, em quais situações é mais interessante usar um ao invés do outro?

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A anotação @Transactional demarca transações (você pode iniciar transações aninhadas, propagar transações para outras camadas, etc). A transação é uma unidade de trabalho isolada que leva o banco de dados de um estado consistente a outro estado consistente. Pense em termos de transações de negócio mesmo.

A recomendação por não demarcar a camada de DAO e sim a camada de negócios é devido a própria natureza e granularidade de operações de cada camada. Operações da camada DAO geralmente possuem granularidade fina (insira algo, atualize algo, consulte algo, etc). Já a camada de negócio é de granularidade mais grossa, e pode agrupar várias operações da camada DAO (bem como de outras camadas; e.g., filas JMS).

Bean de Negócio
  @Autowired BeanDAO1
  @Autowired BeanDAO2

  @Transactional  
  meu método de negócio() {
     consulta algo do DAO1
     faz um processamento
     insere algo no DAO2
     faz um update no DAO1
  }

Veja que métodos de negócio são bons candidatos para "unidades de trabalho" transacionais. A ideia é que a unidade de trabalho que leva o banco de um estado consistente a outro estado consistente execute várias operações. Você quer que uma de duas coisas ocorra:

  1. O método de negócios seja executado com sucesso e um commit de tudo seja feito
  2. Uma exceção qualquer ocorra, nesse caso um rollback deverá ser feito para o estado anterior (como se nenhuma das operações tivesse ocorrido).

Agora imagine que você anotou o método de inserção do DAO2 com @Transactional(propagation=Propagation.REQUIRES_NEW) (algo que fazia sentido em determinado pedaço da sua aplicação). Caso faça isso o seu método de negócio não vai mais fazer rollback do que foi inserido no DAO2 (já que o insert acontece em sua própria transação). Imagine agora que o update no DAO1 falhou e disparou uma exceção; com isso será feito um rollback desse update, porém o valor inserido pelo DAO2 no passo anterior será mantido, potencialmente deixando seu banco de dados em um estado inconsistente. Dessa maneira é boa prática fazer com que a camada de DAO seja uma mera "consumidora" de transações, e não uma agente ativa de demarcações.


Open Session in view substitui a demarcação transacional?

Não. Ok, fui um tanto quanto categórico aqui; porém a verdade é que se todas as transações da sua aplicação possuem o mesmo escopo da requisição (transaction-per-request) esse é um forte indicativo que há algo errado.

O propósito do padrão Open Session in View (OSiV) é facilitar a vida do programador, permitindo que entidades sejam carregadas de maneira preguiçosa (lazy) em tempo de renderização da view (evitando LazyInitializationException e similares).

<!-- Poderia disparar uma exceção se a sessão estivesse fechada -->  
#{minhaEntidade.listaDeOutrasEntidadesLazy}  

Eu já tive várias discussões sobre o padrão OSiV, pessoalmente considero-o um anti-padrão, ou ao menos uma má prática. Enquanto existem vários defensores do padrão, eu não estou sozinho na lista de dissidentes. OSiV é certamente útil e poupa tempo do programador evitando que ele tenha que se preocupar em checar se os objetos esperados foram corretamente carregados. Por outro lado abusar desse tipo de técnica também estimula a proliferação de vários problemas. Descaso com a demarcação transacional é um deles, assim como problemas do tipo N + 1consultas.

Digamos por exemplo que o seu provedor JPA tenha que fazer uma consulta para recuperar cada uma das entidades de uma lista lazy, isso gerará vários selects desnecessários; algo que poderia ter sido facilmente resolvido com um JOIN FETCH potencialmente passará indetectado para produção devido ao uso de OSiV. No melhor caso OSiV age como uma rede de segurança e esconde o problema, no pior caso ele cria um problema ainda maior.

Do ponto de vista arquitetural sessões longas transversais acabam amarrando as camadas: exceções da camadada de dados potencialmente afetam a view, podendo acontecer em tempo de renderização. Do ponto de vista de performance sessões de longa duração acabam consumindo mais recursos. Do ponto de vista de confiabilidade o padrão acaba abrindo espaço para falhas inesperadas, etc, etc, etc.

De qualquer maneira, como o assunto é polêmico, deixo claro que essa é apenas a minha opinião.

Agora sobre o controle transacional não há muito o que ser discutido; seus métodos de negócio devem ter transações bem demarcadas conforme as regras da sua aplicação. Se eventualmente você quiser utilizar OSiV para carregar algo na view ok, mas nessa etapa todas as transações de negócio já devem ter sido commitadas. Ou seja, uma coisa são as transações de negócio com operações de escrita potencialmente destrutivas e outra completamente diferente é a sessão que fica aberta na view para fins de carregamento tardio de objetos de determinada consulta.

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    Olá Klayton, fico feliz em ajudar. Sobre a demarcação de transações, é isso memso. Em outras palavras, ela define os limites das unidades de trabalho. Você pode propagar a transação atual para os métodos que estão sendo chamados, criar uma transação a parte para determinado método, etc (a ideia é que a transação "envolve o método"). – Anthony Accioly 26/07/14 às 0:35
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    Sobre o OSiV, não quis dizer que ele é a causa de problemas N + 1 (a causa de problemas N + 1 é má programação como você bem detectou). Meu ponto aqui é que o OSiV "favorece o desleixo", se o programador não ficar atento aos logs pode acabar deixando um problema fácil de resolver escapar para produção. Um colega uma vez me disse que OSiV é a "rede de segurança de programadores inexperientes", eu já penso diferente, prefiro que os programadores gastem um pouco de tempo tratando LazyInitializationException e similares do que deixando escapar esse tipo de problema. – Anthony Accioly 26/07/14 às 0:36
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    Sobre problemas durante a inicialização de variáveis lazy durante a renderização, eles acontecem sim. Imagine um timeout ou um valor que foi removido do banco externamente (fora do contexto de persistência). O problema apontado é que nessa altura do campeonato o código já não está mais sobre seu controle, ou seja, você não pode simplesmente dar um catch a nível de controller e mandar o usuário para uma tela de erro (pois o controller já fez sua parte e está fora da jogada). O problema não é tão exótico assim (já vi acontecer). – Anthony Accioly 26/07/14 às 0:37
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    Finalmente, EJBs, Proxys ou AOP do Spring, etc não te livram de demarcação transacional. As anotações são o que fazem tudo funcionar. Entre controle transacional declarativo (anotações do Spring ou EJB) vs controle explícito, pessoalmente prefiro a demarcação transacional devido a sua simplicidade. – Anthony Accioly 26/07/14 às 0:38
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    Quero deixar claro porém que não estou dizendo para você abandonar o OSiV (o artigo menciona inclusive o Gavin King, não estou desdizendo o que ele disse :)); apenas não tenho OSiV como uma das minhas práticas favoritas... Passei muito tempo dando manutenção em sistemas que faziam péssimo uso do JPA / JTA / Spring, com demarcação transacional inexistente, consultas horrendas e todo tipo de gambiarra. Por exemplo: telas que disparam centenas de consultas para o banco devido a problemas de N + 1. Hoje, quando posso, uso o bom e velho JdbcTemplate (simples é melhor ;)). – Anthony Accioly 26/07/14 às 0:39

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