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Bom, eu ainda não compreendo a lógica de se utilizar ε-transições na NFA, qual o real significado? Pular de estado sem efetuar uma leitura?

Por exemplo, dada a regex:

a*
  1. NFA:

    inserir a descrição da imagem aqui

  2. DFA:

    inserir a descrição da imagem aqui

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A resposta do Anthony está perfeita, mas eu já estava escrevendo então vou postar porque pode ser de ajuda complementar.

Os dois autômatos (1) e (2) são equivalentes. A diferença bem explicada pelo Anthony é que as transições Epsilon (ou Lambda) permitem a mudança de estados sem consumir caracteres, funcionando quase como se o autômato mudasse de estado "sozinho" (o "não determinístico" no nome vem justamente do fato de que as mudanças podem ocorrer arbitráriamente, e não apenas para um único estado bem definido para cada símbolo, como nos AFD).

Assim:

  1. a expressão regular a* deve aceitar apenas uma entrada vazia (nenhum símbolo) ou uma entrada com um ou mais símbolos a (por exemplo, a, aa, aaa, ...).

  2. no caso do AFD (2), ambos os estados são de aceitação. Então, se o autômato receber uma entrada vazia, ele encerra aceitando-a porque estará no estado 0 (que é o inicial); senão, ao ler o primeiro símbolo a, muda para o estado 1, de onde não sai mais enquanto ler símbolos a da entrada, eventualmente terminando e aceitando-a ao acaber de ler tudo.

  3. no caso do AFN-ε (1), apenas o estado 3 é de aceitação - sendo que o estado 0 é o inicial. Se a entrada for vazia, pode-se entender que eventualmente (em um momento arbitrário) o estado do autômato será alterado de 0 para 3 porque há uma transição-epsilon ligando esses dois estados. E nesse caso, ele aceitará a entrada vazia. Porém, o autômato pode também mudar para o estado 1 de forma arbitrária, de onde precisará ler ao menos um símbolo a para seguir para o estado 2 (nessa transição particular, de forma determinística), de onde pode voltar ao estado 1 ou seguir para o estado 3 também de forma não determinística. Assim, ele só aceitará a entrada quando ela for vazia, sendo que ele passou diretamente do estado 0 para o estado 3; ou quando a entrada não for vazia, sendo que ele passou do estado 0 para o estado 1, do estado 1 para o estado 2 ao menos uma vez (podendo circular entre os estados 2, 1 e 2 novamente para cada novo símbolo lido), e finalmente do estado 2 ao estado 3.

Note que esses autômatos são apenas modelos conceituais de máquinas computacionais processadoras de uma entrada simbólica, e a ideia de usar um AFN-ε é porque certos problemas são mais facilmente descritos (usando menos estados também) dessa forma. Mas como sempre é possível converter um AFN-ε em um AFD (há provas matemáticas desse fato), qualquer propriedade testada em um é válida para o outro.

Note também que os seus exemplos assumem que o alfabeto Σ contém apenas o símbolo a. Se a entrada pudesse também ter o símbolo b (por exemplo, aaaabbab), o próprio AFD não estaria correto por não ter transição(ões) para o símbolo b.

  • Dá para comparar um AFD com uma macro-função? – ptkato 19/07/14 às 5:23
  • @Patrick O que você quer dizer exatamente com "macro-função"? Um programa em qualquer linguagem? – Luiz Vieira 19/07/14 às 12:37
  • 1
    Muito obrigado, Luiz Vieira, sua resposta é mais esclarecedora. – Victor C. Martins 19/07/14 às 15:14
  • @LuizVieira, sim. – ptkato 19/07/14 às 16:59
  • 2
    @Patrick Autômatos são máquinas abstratas que resolvem problems computacionais, então a resposta é sim. Mas os AFDs e o AFNs têm limitações importantes relacionadas à capacidade de memória (eles só têm os estados). Há outras opções mais poderosas, como os autômatos com pilha (que podem "empilhar" símbolos lidos pra relembrá-los depois) e as Máquinas de Turin que podem fazer "saltos" pra frente ou pra trás na fila/fita de entrada. Esse último provê uma definição matemática formal de um algorítmo, sendo bem mais próximo de uma função real. – Luiz Vieira 19/07/14 às 17:56
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Exatamente. Transições Epsilon permitem a mudança de estado sem consumir caracteres da cadeia de entrada. Essa característica aliada a possibilidade de mudar para mais do que um estado ao mesmo tempo caracterizam autômatos finitos não determinísticos (na verdade uma variação dos AFNDs conforme artigo da Wikipedia).

  • Muito obrigado, Anthony, problema resolvido. – Victor C. Martins 19/07/14 às 1:54

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