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O que é Garbage Collector, como ele funciona?

Quando devemos nos preocupar com ele?

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Vou responder de forma geral e usar o GC do CLR como base. A segunda pergunta já foi respondida.

Gerenciamento de memória é algo muito difícil.

Há uma definição que só 3 coisas revolucionaram o desenvolvimento de software: a linguagem de alto nível, a modularização e o gerenciamento automático de memória.

Enquanto alocamos no stack tudo é fácil e o gerenciamento pode ser feito de forma automática pela linguagem. Mas existem inúmeras situações que o tempo de vida do objeto exige que ele fique no heap. Aí a aplicação é responsável por liberar a alocação.

É comum o programador esquecer ou errar em quando liberar essa memória, inclusive porque há situações que é até difícil controlar em código quando a liberação é possível. Por isso pode haver vazamento de memória ou liberar algo que ainda está em uso.

Existem diversas técnicas que podem automatizar a liberação de memória. Estritamente todas elas podem ser chamadas de coleta de lixo já que ela liberar a memória de algo que não precisa mais ser usada, portanto é aquilo virou lixo.

Algumas pessoas consideram que nem tudo que é liberado automaticamente é uma coleta. Alguns consideram apenas a coleta que é feita posteriormente ao objeto não ser mais necessário. É desta coleta que vamos falar. Não vou falar das coletas feitas por ponteiros inteligentes que gerenciam totalmente ou parcialmente o tempo de vida de forma única ou por contagem de referência. Eles são úteis, servem para muita coisa, possuem vantagens, mas não vem ao caso discutir aqui. Existem situações que eles não são adequados.

O garbage colletor que tudo mundo fala é um mecanismo complexo de gerenciamento de memória que é responsável pela alocação e liberação da memória. É ele que decide onde colocar os objetos no heap e ele decide também quando liberar a memória e de que forma.

O mecanismo usado é de verificação do estado da memória para identificar o que está em uso e o que não está mais. Desta forma, não se corre o risco de algo ficar para trás.

Isto é uma enorme simplificação para o programador porque ele pode fazer a bagunça que quiser e não precisa se preocupar com a memória (ou quase).

Isto é o que chamamos de memória gerenciada, base da filosofia do .NET. Você não pode corromper a memória e não tem vazamentos (sem tomar certos cuidados).

Claro que isto tem um custo, tem desvantagens.

Este modelo tem um certo desperdício de memória. Ele só libera a memória de tempos em tempos, geralmente ele não retorna toda ou nenhuma memória para o sistema operacional.

Ele roda de forma não-determinística, você não sabe quando ele vai rodar. Tem maneiras de ter algum controle em alguns mecanismos, mas geralmente é mal usado e não tem todo controle.

Por causa disto, liberação de recursos externos à aplicação podem ocorrer tardiamente se não tiver outro mecanismo para controlar isto.

Quase sempre ele gera pausas, algumas podem ser longas. Claro que depende da qualidade do mecanismo.

Tem outros detalhes mais específicos que o tornam indesejável em algumas situações. Vou melhorando.

Mas em ambiente de várias threads, onde tem exceções, objetos que circulam pela aplicação sem tempo de vida claramente definido, onde há abstrações que escondem certos efeitos de alocação, onde existem estruturas de dados com referência circular, é muito difícil funcionar sem esse gerenciamento.

A forma como ele aloca coloca os objetos próximos sempre reduzindo a fragmentação de memória que é um enorme problema no gerenciamento manual ou automatizado de forma direta. Com os objetos próximos garante-se a localidade de referência e o cache é usado de forma mais eficiente dando mais performance na maioria dos casos. Tentar fazer algo semelhante na mão dá mais trabalho que escrever um GC. Então é possível ter esses ganhos sem um GC, mas quase sempre é inviável.

Você trabalha com a memória como se ela fosse infinita.

A coleta se dá olhando o que chamamos de raízes (roots), então ele começa olhando nos registradores do processador, na área estática do código e na pilha da aplicação (podem ser pilhas se tiver outras threads). A partir daí ele vai construindo um grafo de objetos referenciados. Em cada objeto que ele encontra pode ter outras referência para outros objetos, e assim ele vai recursivamente entrando no heap. Isto é chamado de fase de mark.

Depois vem a fase de liberação de memória. Tem diversas técnicas de fazer isto, entre elas o sweep, que vai liberando mesmo todos os objetos que não foram marcados com ativos, tem o copy que copia para outra área o que ainda está ativo e mata o tudo o que existia e tem o compact, onde ele faz a cópia de forma especializada. É este que o .NET usa. Mais ainda ele usa um compactador geracional.

Com as gerações de memória as pausas podem ser reduzidas, a alocação pode se tornar muito eficiente, bem mais que feita com gerenciamento manual ou automatizado de memória, e permite ter estratégias diferentes de coleta para cada geração, produzindo o melhor resultado.

Um coletor de lixo perfeito poderia ser mais eficiente que o gerenciamento manual ou automatizado de forma simples em quase todos os casos. Claro que dá para adotar estratégias manuais para ser muito eficiente, mas na prática iria criar mecanismo até mais complexos que os chamados coletores traçadores (tracing garbage colllector).

O .NET resolve o problema do não-determinismo usando um padrão de disponibilidade (disposing). Isto permite que o recurso seja liberado antes do GC rodar sempre que o objeto não é mais necessário. Claro que se isto não ocorrer a liberação será feita pelo GC, o que fará a pausa ser maior e deixará o recurso vazado por ais tempo do que deveria. Um arquivo pode ficar aberto, por exemplo.

O .NET resolve o problema do overhead da cópia tendo uma área separada para grandes objetos, assim só os menores são copiados.

Mas as gerações causam um outro problema. Se o GC for chamado demais, ele tende a jogar para as gerações seguintes objetos que tem tempo de vida curta, o que está longe do ideal já que cada geração tende a ter mais pausa e tende a ter mais overhead. Por isso você não deveria chamá-lo manualmente.

Obviamente que a forma específica de funcionamento do GC é detalhe de implementação. O GC dá algumas garantias, fora isto o programador não pode se valer desses detalhes de implementação.

Uma das coisas legais do GC é que a alocação de memória se dá com performance igual ou semelhante ao que precisa no stack. No stack a locação apenas incrementa um ponteiro que costuma ficar no registrador, é muito rápido. Na geração 0 pode ser feito da mesma forma. Vai alocando em sequência só incrementando um ponteiro.

Em contraste com a alocação manual (a automatizada não deixa de ser uma alocação manual, só está mais abstraída tem um custo que não é trivial para alocar). Ele precisa achar onde alocar. Tem algoritmos eficientes pagando outro preço ou de desperdício de memória, que pode ser pior que o GC, ou custo de liberação de memória muito alto. Tem otimizações que podem ser feitas, mas dá muito trabalho. Fica bem pior se a memória sempre tiver que pedir para o sistema operacional a memória que vai alocar. Também piora muito se se tiver várias threads porque a a locação precisa precisar ser travada, dá um overhead do cão.

O GC do .NET tem uma área para cada processador existente, assim uma alocação nunca ocorre de forma concorrente e pode ser naturalmente atômica sem bloqueios (locks). É muito eficiente.

Geralmente, cada uma dessas áreas da Gen0 começa com 256KB. Mas isto pode ser ser adaptado conforme a execução vai identificando que pode ser mais eficiente com outro tamanho, reduzindo o tempo de pausa ou diminuindo o número de pausas de acordo com o padrão de lixo gerado.

Quando esta área enche, dispara uma coleta. Então é feita a fase de marcação e copia tudo o que sobreviveu nesta área para a geração 1. O Java tem uma estratégia de copiar para uma área auxiliar ainda na Gen0 antes dando uma tempo a mais nesta geração. Isto é importante porque o Java produz muito mais lixo.

Se tudo correr bem pouca coisa é copiada. É muito comum objetos terem vida muito curta.

Quando há a cópia, todas referências para ele precisam ser atualizadas para o novo endereço onde o objeto está.

Isto é um belo de um overhead e prejudica o cache já que tem que ficar acessando dados que efetivamente não estão sendo usados pela aplicação.

Na gen1...

Para o GC funcionar bem é necessário auxílio do compilador, é necessário ter estruturas com informações adicionais. Se não tivesse só poderia usar o que se chama de GC conservador, onde só libera memória se tiver certeza que aquilo é uma referência para um objeto e nem sempre ele sabe, então muita memória vaza. Na prática ele não pode ser usado.

Outras linguagens

O .NET costuma ser melhor que o Java atual porque incentiva o uso do stack mais que o heap, e está fazendo isto cada vez mais. Parece que há a intenção do JITter ou mesmo o compilador otimizar sozinho e colocar no stack algumas algumas coisas no stack quando identifica que o objeto é pequeno e tem tempo de vida garantido só no stack. O GC e o JITter do Java é mais esperto já que ele costuma abusar mais do heap.

Uma coisa que se fala do C++ é que ele não precisa de um coletor de lixo porque ele gera bem pouco lixo. Isto não é totalmente verdade porque é menos, mas não é tão pouco assim. Dá trabalho não gerar tanto lixo em muitos casos, existe um GC, ele só não é traceador, e muitas vezes não é eficiente.

Conclusão

Não se engane, não estou dizendo que o GC é melhor que outras formas, mas ele não é tão ruim quanto dizem. Tem casos que ele pode ser melhor, nos que ele é pior, a diferença não é tão absurda assim e quase sempre não faz diferença.

Para saber mais tem a nossa querida tag. Especialmente o GC para o C#.

Obviamente que cabem perguntas mais específicas sobre os vários tipos, técnicas, e especificidades sobre garbage collecting.

Esta será daquelas respostas longas, mas vou fazer aos poucos. Os links virão depois. Calma que ainda vou organizar o texto.

  • Excelente explicação – Caique Romero 16/11/17 às 13:05
  • "Esta será daquelas respostas longas, mas vou fazer aos poucos. Os links virão depois. Calma que ainda vou organizar o texto." - Acho que já não precisa mais desse aviso, né? – Victor Stafusa 15/12/17 às 6:34
  • @VictorStafusa esqueci disso, tá pela metade ainda, vou tentar finalizar hj ou no fds, obrigado :) – Maniero 15/12/17 às 9:56
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Nota de autoria
O conteúdo abaixo é majoritariamente composto por trechos de um artigo originalmente publicado pelo Macoratti em seu site. Reprodução autorizada pelo autor.

O coletor de lixo (Garbage Collector) do .NET Framework gerencia a alocação e liberação de memória para sua aplicação. Cada vez que você cria um novo objeto, o Common Language Runtime aloca memória para o objeto a partir do heap gerenciado. Enquanto os espaços de endereços estão disponíveis no heap gerenciado, o runtime continua a alocar espaço para novos objetos.

No entanto, a memória não é infinita. Eventualmente, o coletor de lixo deve executar uma coleta, a fim de liberar memória. O motor de otimização do coletor de lixo determina o melhor momento para realizar a coleta, com base nas alocações feitas.

Quando o coletor de lixo executa uma coleta, ele verifica se há objetos no heap gerenciado que não estão mais sendo usados pelo aplicativo e executa as operações necessárias para recuperar sua memória.

Assim, a coleta de lixo é um processo que libera automaticamente a memória de objetos que não mais estão em uso. A decisão de recorrer ao processo de destruição é feita por um programa especial conhecido como coletor de lixo (Garbage Collector). No entanto, quando um objeto perde o escopo no final do método Main(), o processo de destruição não é necessariamente invocado.

Assim, você não pode determinar quando o método destruidor será chamado. O coletor de lixo também identifica os objetos que não são mais referenciados no programa e libera a memória alocada para eles. Você não pode destruir um objeto explicitamente no código. Na verdade, isso é uma prerrogativa do coletor de lixo, que destrói os objetos para os programadores. O processo de coleta de lixo acontece automaticamente. Ele garante que:

  • Objetos são destruídos: Ele não especifica quando o objeto será destruído.
  • Apenas os objetos não utilizados são destruídos: um objeto nunca é destruído se ele mantém a referência de um outro objeto.

C# fornece métodos especiais que são usados​para liberar a instância de uma classe a partir da memória, são eles : Finalize() e Dispose().

Finalize()

O método destruidor Finalize() é um método especial que é chamado a partir de uma classe para qual ele pertence ou a partir de classes derivadas. Ele é chamado depois da última referência de um objeto ser liberada da memória.

Dispose()

O método Dispose() é chamado para liberar recursos, como a conexão com um banco de dados, tão logo o objeto usando o recurso não esta mais sendo usado. Diferente do método Finalize() o método Dispose() não é chamado automaticamente e você precisa chamá-lo explicitamente a partir de uma aplicação cliente quando um objeto não mais for necessário. A interface IDisposable contém o método Dispose() e por isso para chamar este método a classe precisa implementar esta interface.

Comparação:

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Fonte

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    E sim, a resposta tem erros, são detalhes, mas se for para responder com resposta do outros e tiver erro, pra que? Nada grave, é "enganoso". Eu sei que a culpa é da fonte original que foi um um pouco sloppy, mas você copiou e assume as consequências disto. Tem muita coisa na internet que explica algo sem que a pessoas entendam bem como funciona. Ou que ela até entende e não se preocupa em passar corretamente, ou ainda faz simplificações e não avisa sobre isto indicando que é apenas uma informação "a grosso modo" e não como realmente funciona. Induz as pessoas a erro. – Maniero 16/11/17 às 13:14
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    @Maniero Não tenho problema algum com votos negativos, tenho problema em divulgar e difundir respostas erradas. Achava o motivo anterior cruel, porque se li e compreendo oque está sendo dito, não faz real diferença entre copiar o conteudo e reescreve-lo (Que acho mais desonesto). Agora tenho serio problemas em ler coisas erradas ou mesmo divulga-las – Luiz Santos 16/11/17 às 13:21
  • Em relação à questão da cópia, incluí um aviso no topo que deixa bem claro, desde o início, que o conteúdo é baseado em um original de outro site. Como se trata de uma reprodução (mesmo que editada), dar o link para o original apenas como "fonte", no fim, não é adequado. Uma fonte é qualquer conteúdo que influencie a elaboração de um texto de sua autoria. Mas se você transcreve trechos de uma fonte, deve deixar bem claro que se trata de uma transcrição. Em trechos curtos, com aspas e links. Em trechos longos, com um aviso ou algum tipo de formatação específica. – bfavaretto 22/11/17 às 2:39
  • 1
    Sobre a qualidade técnica da resposta: eu não sou a melhor pessoa para avaliar, mas se a resposta tem erros o ideal é que eles sejam corrigidos ou pelo menos apontados aqui nos comentários. – bfavaretto 22/11/17 às 2:41
  • @bfavaretto você ta certo, ficou muito melhor como formulou. – Luiz Santos 28/11/17 às 11:39

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