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Comecei a fazer um código para distribuir aleatoriamente pontos uniformemente em um círculo, porém, ao gerar um ponto localizado com um ângulo teta aleatório entre 0 e 2π e com uma distância do centro do círculo aleatória de 0 ao raio R, os pontos ficam amontoados mais próximos do centro.

Fiz com o seguinte código:

Pontos = R * rand(1,N) .* exp(j * 2 * pi * rand(1,N));

onde rand(1,N) é um vetor que se relaciona a N valores aleatórios de 0 a 1. No momento em que eu tiro a raiz quadrada da primeira operação rand(1,N), ao plotar os gráficos, os pontos ficam uniformemente distribuídos:

Pontos = R * sqrt(rand(1,N)) .* exp(j * 2 * pi * rand(1,N));

Como isso pode ser explicado?

  • Seu problema me parece mais matemático que qualquer outra coisa. Eu colocaria as tags matemática e random e colocaria uma imagem do seu gráfico com as duas distribuicões. Numa olhada nos resultados, eu percebo a diferenca e vejo a razão, afinal sqrt(0.2)~0.45, mas não consegui lembrar de um método eficiente de qualificar randomness. – Guto 10/10/17 às 19:07
  • Gente, a edição que eu fiz não foi correção do texto, foi apenas a adição que o Guto sugeriu, das tags, não entendi porque alguém colocou em correção o texto como se eu tivesse modificado e dificultado o entendimento se tá como tava antes, kkkkk – Hennan Lewis 26/10/17 às 5:47
  • Eu consgui perceber porque que no primeiro caso os pontos ficam mais concentrados no centro. Não sei entretanto explicar o porquê de ao tirar a raíz quadrada eles se espalharem melhor, mas eu acho que eles continuam não uniforme – Jefferson Quesado 8/02/18 às 12:45
  • Não percebi o porquê você multiplica pelo exponencial de um número no fator de j, assim como não vi você colocando o valor do ângulo teta;. – Jefferson Quesado 8/02/18 às 12:48
  • Eu sei que faz tempo já a pergunta mas como fazia tempo que eu não abria o SOF, resolvi explicar. Uma forma de escrever um ângulo é utilizando uma exponencial com expoente i2πX, sendo i o valor do conjunto dos imaginários tal que sqrt(i)=-1. No fim, basta a gente tirar o módulo do eixo imaginário e calculamos a tangente que temos magicamente um ângulo, é bem mais simples do que parece, e j é como o matlab representa o valor imaginário. – Hennan Lewis 6/12/18 às 0:31

1 Resposta 1

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Conforme apontado anteriormente, de fato sua questão é de matemática.

A origem do problema

O problema é que você está tomando uma distribuição uniforme de raios, i.e., a probabilidade de um ponto estar a uma distância qualquer r do centro não depende de r. A maneira intuitiva de ver que isso não produz uma distribuição uniforme na área do círculo é a seguinte: se a probabilidade de um ponto estar a uma distância r do centro é a mesma pra qualquer r, você espera encontrar em média o mesmo número de pontos a uma distância r do centro, para todo r.

Ademais, como a probabilidade independe do ângulo, os pontos a uma distância r devem se distribuir igualmente sobre uma circunferência de raio r. Acontece que para r grande as circunferências vão ficando maiores, e como você está distribuindo o mesmo número de pontos sobre elas, é de se esperar que os pontos fiquem mais espaçados uns dos outros!

Para que a distribuição fique uniforme em termos de área, você precisa colocar mais pontos sobre as circunferências maiores, ou em outras palavras, a probabilidade de se colocar um certo ponto a uma distância r deve crescer com r. Mas crescer como? Uma vez que o tamanho das circunferências cresce linearmente com o raio (=2πr), é de se esperar que essa probabilidade cresça também linearmente com r. Para ver isso de forma mais rigorosa precisamos de mais matemática.

Distribuição de raios

Ocorre que os elementos de área em coordenadas esféricas dependem do raio, ficando maiores para r maiores:

dA = r dr dθ,

e para que a distribuição seja de fato uniforme, você quer que a probabilidade de haver um ponto em um dado elemento de área seja constante para qualquer elemento. Essa probabilidade é, pela definição de densidade de probabilidade, P(r,θ) dA, ou seja, P(r,θ) r dr dθ.

Integrando isso para r entre 0 e R e θ entre 0 e 2π você tem a probabilidade total do ponto cair em algum lugar no círculo, que deve ser 1. Não é difícil ver que isso fixa

P(r,θ) = 1 / (πR²),

o que é óbvio: numa distribuição homogênea sobre uma determinada área total, a probabilidade associada a um elemento de área deve ser a razão entre a área do elemento e a área total. Veja que é exatamente isso que dá o produto P(r,θ) dA:

P(r,θ) dA = r dr dθ / (πR²).

Variável inomogênea

Pois bem, então agora você pode interpretar esse resultado de forma um pouco diferente. Em vez das variáveis r e θ, mudamos para duas variáveis aleatórias x (que varia entre 0 e R) e y (que varia entre 0 e 2π) que possuem agora uma densidade de probabilidade

P(x,y) = x / (πR²)

de modo que a integral disso pra x indo de 0 a R e y indo de 0 a 2π seja 1:

∫∫ P(x,y) dx dy = 1.

Veja que agora sua densidade de probabilidade P(x,y) de fato não depende de y mas é proporcional a x! Esse é o resultado que menciono no início: na verdade você está procurando uma variável aleatória x entre 0 e R mas cuja distribuição não é uniforme, sendo na verdade proporcional a x.

Para entender a raiz quadrada em rand(1,N) ainda precisamos avançar um pouco mais.

Uma pequena tecnicalidade: as variáveis x e y são independentes, pois podemos reescrever P(x,y) como um produto

P(x,y) = f(x)g(y).

É fácil ver que a escolha adequada é

g(y) = 1/2π

de modo que ∫g(y) dy = 1 para a integral entre 0 e 2π, e

f(x) = 2x/R²

tal que ∫f(x) dx = 1 para x entre 0 e R. Observe que f(x)g(y) de fato recupera P(x,y).

Como g(y) não depende de y, vemos que o ângulo é realmente distribuído homogeneamente (o que explica porque você pode usar 2*pi*rand(1,N) dentro da exponencial).

O desafio então agora é buscar uma variável x distribuída de acordo com a densidade de probabilidade f(x) acima.

Método da transformação

Um método para se fazer isso a partir de variáveis distribuídas uniformemente é o chamado método da transformação.

Para variáveis x distribuídas de 0 a R de acordo com uma distribuição f(x), a fração de números que caem entre 0 e x, que chamaremos de F(x), é dada por

F(x) = ∫f(x') dx',

com a integral realizada entre 0 e x.

Acontece que para números uniformemente distribuídos entre 0 e 1, a fração de números que caem entre 0 e G (para um dado G entre 0 e 1) é exatamente G. Veja: a fração de números entre 0 e 1/2 é 1/2, entre 0 e 1/3 é 1/3, e por aí vai.

Então a fração de números entre 0 e um dado F(x) para números distribuídos homogeneamente entre 0 e 1 é F(x), que é exatamente a fração de números entre 0 e x na distribuição f(x) definida entre 0 e R.

O que queremos portanto é mapear o intervalo entre 0 e F(x) de números r distribuídos homogeneamente no intervalo de 0 a x da nova distribuição. E isso é bem fácil de fazer: os extremos dos intervalos devem corresponder! Assim o número x da distribuição não-uniforme deve ser obtido quando o número

r = F(x)

for obtido na distribuição uniforme. Conclusão: dados os números r distribuídos uniformemente, basta inverter essa relação - encontrando a função inversa de F(x) - para obter o x. Vamos aplicar essa ideia à nossa f(x) acima.

Temos f(x) = 2x/R², de modo que, lembrando que a integral é realizada entre 0 e x,

F(x) = ∫f(x') dx' = ∫2x'/R² dx' = x²/R².

Inverter essa relação é fácil:

r = F(x) => r = x²/R² => x = R √r

o que (finalmente!) mostra que uma variável x distribuída entre 0 e R com densidade de probabilidade f(x) = 2x/R² pode ser obtida simplesmente multiplicando-se R pela raiz quadrada de uma variável r homogeneamente distribuída entre 0 e 1. Isso é exatamente o que você está fazendo com

R * sqrt(rand(1,N))

na sua segunda linha de código. Essa sua solução 'empírica' portanto realmente fornece exatamente números homogeneamente distribuídos sobre um círculo de raio R.

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