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Notei que todo executável que eu gero eu preciso por um ./ para o executar, tanto no Linux quanto no MacOS (sistemas Unix/Unix-like). Por exemplo, para compilar um arquivo C com o GCC e executá-lo logo em seguida, faço os seguintes comandos:

$ gcc fonte.c
$ ./a.out

Isso também se aplica quando eu crio um shell script:

$ vim script.sh
$ chmod u+x script.sh
$ ./script.sh

Em compensação, quando faço no Windows, não preciso por o ./ na frente. Por exemplo, se eu criar um bat, na pasta exemplo, basta chamar o cmd e executar o script diretamente:

$ cd exemplo
$ script.bat

Até mesmo quando eu uso o MingW (como o git bash fornecido pelo SourceTree), que é um ambiente mais "unixado" dentro do Windows, eu também não preciso do ./. Pegando o mesmo exemplo da geração do shell script no Linux, no git bash seria assim:

$ vim script.sh
$ script.sh

Dúvidas

  1. Por que nos sistemas mais Unix eu preciso por esse ./ para executar meus executáveis no diretório de trabalho atual?
  2. Por que no Windows eu não ponho o ./? (Nem o equivalente .\ na notação de separador de diretórios Windows?)
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Você precisa porque o diretório atual não está no PATH. O Linux/Unix sempre procura na variável de ambiente $PATH. Já o Windows tem um comportamento: se não estiver no PATH, procura no diretório corrente, por isso você não precisa colocar o diretório antes do executável.

O Windows faz a busca de uma maneira diferente. Após separar o comando dos argumentos e resolver as variáveis de ambiente, seguem-se os seguintes passos:

  1. caso não for passado um diretório, procura se é um comando interno do shell. Caso encontre algum, executa o comando. Caso contrário, vai para 2;
  2. caso for passado um diretório, será executado o executável do diretório. Caso contrário, retornará erro ao usuário;
  3. caso não for passado um diretório, será executado o comando do diretório corrente;
  4. por fim, será procurado no %PATH%.

fonte: Technet Windows NT- Command Search Sequence

Se isso te incomoda no Linux/Unix, basta adicionar PATH=$PATH:. no arquivo que inicializa suas variáveis de ambiente. E nunca mais precisará de ./ para rodar executáveis.

Vou deixar o comentário do arquivo /etc/profile.d/z-dot-in-non-root-path.sh do Slackware Current, porque tem uma explicação interessante para isso.

#!/bin/sh
# Traditionally Slackware has included '.' at the end of the non-root
# $PATH, and kept this behavior long after it had been dropped elsewhere
# due to the relatively low attack risk by having it at (or near) the
# end of the $PATH.  But times have changed, and having this as a default
# violates POLA (principle of least astonishment) just like removing it
# back in the early 90s would have.  So, by default this script is not
# enabled.  If you'd like '.' back at the end of your $PATH for non-root
# users systemwide, make this script executable.  A better choice is
# probably to leave it off and let individual users decide to add it
# in their local profile scripts if they want it.  Even better is just
# to start programs in '.' with ./program, like most of us have been
# doing for years.

# For non-root users, add the current directory to the search path:
if [ ! "`id -u`" = "0" ]; then
 PATH="$PATH:."
fi

Em resumo, essa prática viola o POLA na visão dos desenvolvedores do Slackware.

  • 1
    Como o @lazyFox diz num comentário em outra resposta, na verdade o Windows verifica primeiro no diretório atual, e depois tenta os diretórios na variável %PATH%, em ordem, caso não encontre um executável no diretório corrente. – Wtrmute 30/06/17 às 22:07
  • Obrigado @Wtrmute. – lemoce 1/07/17 às 3:41
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Em primeiro lugar esse "./" é colocado atrás do nome do seu executável para garantir que você está a executar o mesmo dentro do directório actual.

Em segundo lugar trata-se de um método de segurança para impedir de executar algum programa/script prejudicial que se tenha alojado no directório actual. Se não existisse a necessidade de colocar "./" seria possível colocar scripts maliciosos dentro de um directório com as seguintes designações "ls" "nano" "vim" "ps" entre outros, e quando fosse a executar "ps" por exemplo poderia estar a executar um comando completamente diferente do qual não saberia o seu output.

Penso que basicamente é isto, mas fico a aguardar mais respostas.

  • Tá no caminho :) Sobre o segundo ponto da pergunta, tem alguma coisa a falar? Ou a MS deixou uma falha sem querer e está mantendo por retrocompatibilidade? XD – Jefferson Quesado 30/06/17 às 10:51
  • 2
    Penso que o windows faz a "pesquisa" no directório actual e só depois vai verificar a variável do sistema "PATH". Mas como nunca gostei do shell do windows, nunca me interessei muito, mas estou curioso para saber se existe algum motivo específico. – lazyFox 30/06/17 às 11:10
  • 1
    É por compatibilidade com o DOS, que nos tempos do disco flexível não tinha variável %PATH% — sem discos rígidos, não faz sentido estabelecer uma lista de diretórios para procurar executáveis. A semântica foi sendo herdada de versão para versão até chegarmos aqui. – Wtrmute 1/07/17 às 4:24
  • Interessante essa visao voltada para segurança – gfleck 10/10/17 às 14:31

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