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perguntei sobre injeção de dependência. Ele é muito usada. Na minha opinião é até abusada.

Mas vi que no lugar dela pode-se usar factories ou locators. O que seriam eles, quais as vantagens e desvantagens de usar cada um?

  • atualizei minha resposta para mencionar o dagger, que tem um comportamento diferente do que o que citei como normal para injeção de dependência – Jefferson Quesado 13/05/17 às 5:05
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Injeção de dependência e service locator (estou assumindo que com locator você quis dizer Service Locator) são maneiras de se realizar a inversão de dependência. Factories, por sua vez, se preocupam em instanciar objetos sem que seu chamador se preocupe com seus detalhes de instanciamento (http://www.oodesign.com/factory-pattern.html).

Dependências e inversão de controle

Ao usar inversão de dependência, se você souber qual o objeto chamado em bootstrap time (mais nesse tópico em parágrafos mais a frente), então você não precisa se preocupar em delongar até o último momento para usar a dependência. Nesses casos, a injeção de dependência vai tornar seu trabalho muito fácil. Um exemplo de onde se pode usar uma injeção de dependência é em usos especiais de multitons ou mesmo singletons, que se conhece a priori/estaticamente qual a necessidade.

Teve um projeto grande que eu trabalhei de unificação de código. Na empresa, existiam dois produtos que deveriam fazer a mesma coisa, um webapp em GWT (com iBatis gerenciando acesso ao banco) e uma aplicação mobile em TotalCross. Devido à incompatibilidades entre os recursos de banco TotalCross e JDBC, e também que existem API Java que o iBatis usava que não existem no TotalCross, não havia como compartilhar código que fazia o resgate de informações nem o que fazia a persistência. Então, a solução foi ter uma interface cujas implementações acessariam o banco e deixar o ambiente que subia a aplicação inserir a classe apropriada. No webapp, o Spring tomou conta disso usando as interfaces @Component e @Autowired. No TotalCross, era mais rápido fazer a injeção na mão usando uma classe para realizar o bootstrap da aplicação.

Sobre o ciclo de vida da aplicação, eu mencionei o bootstrap time. Normalmente não é o termo mais comum, mas eu precisei diferenciar o tempo em que a aplicação está se preparando para subir do tempo em que ela realmente está ativamente rodando. Essa separação temporal se encontra muito, por exemplo, quando você está trabalhando na Unity, em que você prepara a cena usando o MonoBehaviour.start para tratar de algumas conformações do ambiente que precisa ter antes de começar o jogo, porém que não é possível informar no tempo de construção do objeto/é mais prático resolver programaticamente do que no editor de cena; eu gosto de imaginar que o bootstrap time é análogo à montagem de um jogo de tabuleiro, como a distribuição de territórios e objetivos no War.

Ambientes de uma aplicação

De modo geral, toda aplicação tem os seguintes ambientes:

  1. compile time, em que o compilador consegue decidir com o que se está trabalhando; se você consegue prender o valor de uma variável em compile time, então significa que você como programador deve colocar os valores de modo imperativo;
  2. static code time, no caso do Java, processamento de anotação acontece nesse ponto; de certo ponto de vista, é como uma continuação do compile time;
  3. bootstrap time, esse é o tempo entre apertar o botão run e a aplicação estar de fato rodando, o tempo de setup; injeção de dependência do Spring via XML se encaixa aqui (também creio que a injeção via @Autowired também); normalmente é uma parte do run time, mas neste caso em específico creio que seja notório destacá-lo;
  4. run time, o ambiente em que o código está realmente funcionando e a aplicação no ar; qualquer coisa que exclusivamente só pode ser decidida aqui é completamente dinâmica, vindo de fontes alheias ao código.

Um exemplo de service locator bem utilizado é no SQuirreL, onde o programa não sabe (nem tem como saber) a priori em que SGBD vai se conectar, dependendo do serviço de conexões cadastradas no JDBC para conseguir realizar o contato com sucesso.

Injeção de dependência pode ocorrer também na criação de objetos (como no caso do Spring tendo a dependência no construtor). Essa injeção pode ocorrer sob demanda, não necessariamente a priori. Neste caso, a injeção funciona como se estivesse no bootstrap do componente, antes dele estar em seu run time propriamente dito.

Factories

Factories são objetos que criam objetos, então a inversão de dependência aqui ocorre em outro nível. Por exemplo, para criar conexões de socket para passar adiante para a classe que lida com conexões HTTP, de modo que quem fala HTTP não precise se preocupar em falar _socket_ês, precisa apenas que passem um construtor de sockets que faça isso. Vide SocketFactory do Java, que faz exatamente isso.

O padrão de injeção de dependência pode ser usado de maneira a usar/precisar de factories.

Quais as vantagens e desvantagens de cada um deles?

De modo geral, eu sempre prefiro onde possível usar injeção de dependência, porque com ela eu deixo o fluxo do programa mais previsível. Sem falar que ela é fácil de aplicar tendo um framework que faça isso. Eu sempre ponho previsibilidade e facilidade como primeiras escolhas.

Locators são para quando você consegue consultar de um registro comum o que você precisa naquele momento. Eu acho particularmente feio, mas funcional. Também permite hotswaps para uma melhor performance ou estabilidade. Por exemplo, se tiver uma thread em paralelo checando se foi colocada uma biblioteca de processamento de imagem mais nova e trocando o retorno para a requisição de leitor de JPG para o mais novo desejado.

Factories normalmente são usadas para uma delayed creation do objeto, para ele de fato ser criado no ponto em que ele será usado.


UPDATE: DAGGER

Recentemente, em uma requisição de um cliente no trabalho, tive acesso ao injetor de dependência dagger.

Eis aqui algumas fontes sobre o assunto:

Basicamente, o dagger escreve o trabalho do bootstrap time em código Java, transformando as operações desse para o momento de static code time. A ideia do dagger é remover o peso extra devido ao modo de se gerar a injeção de dependência no Spring ou no Guice, transformando o trabalho que normalmente é feito por introspecção (o que normalmente é impossível em compile time) para uma análise que é feita em código estático (ou seja: durante a compilação).

Supostamente, o dagger tem como resultado final o mesmo que a injeção de dependência feita à mão, porém ele gerencia isso para você de uma maneira muito boa.

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