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class Conta(object):
    def __init__(self, numero_conta, nome_titular='anonimo'):
        self.__nome_titular = nome_titular
        self.__numero_conta = numero_conta
        self.__saldo = 0.00

    def getNomeTitular(self):
        return self.__nome_titular

    def setNomeTitular(self, nome_titular):
        self.__nome_titular = nome_titular

O que eu gostaria de saber exatamente é quão protegido está meu código quando uso variaveis privadas e de quem estou privando minhas variáveis. Sei que privo uma variável para esta não seja modificada por outra classe, porém, minha dúvida em relação a usuários maliciosos, ou seja, estou me protegendo deles também?

  • Relacionado: Como proteger o código fonte? – Math 10/03/17 às 14:52
  • Não, principalmente no Python, pois não existe esse encapsulamento na linguagem, a única coisa que ele faz é renomear as propriedades iniciadas em __* para _Classname__*. Ou seja, ainda seria possível alterá-las de fora da classe com obj._Conta__saldo = 999999. Veja aqui. – Anderson Carlos Woss 10/03/17 às 14:52
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Este não é um mecanismo de segurança, muito menos um mecanismo que sirva para usuários. O mecanismo é apenas para facilitar um pouco a programação.

O que ele faz é exatamente o que foi descrito na pergunta, ele não deixa a variável privada ser acessada de outras partes do código que não seja esta mesma classe, nada mais que isso.

Na verdade é até pior, essa proteção ocorrer em condições normais, se forçar o acesso em um nível mais baixo não tem proteção alguma.

A única coisa que ocorrer é um código normal dar erro se tentar acessar essa variável de fora desta classe, como se ela não existisse, mas existe e tem como subverter isso. É como um sinal vermelho, se você quiser passar, você passa.

Python fornece bem pouca proteção para código. Se sua aplicação precisa disto para funcionar bem, ela está errada.

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No paradigma de orientação à objetos, existe o que é denominado encapsulamento de propriedades e métodos. É bastante comum encontrar materiais em que é dito que a função do encapsulamento é proteger os dados de um objeto, que de certa forma é verdade, porém não no sentido de manter inacessível quando externo à classe. O encapsulamento serve para você definir regras de negócio que se aplicam às suas propriedades quando feito a interface com o mundo externo.

É comum em linguagens de programação definir três níveis de encapsulamento: public, protected e private. Quando definido como public, nenhuma regra de negócio é exigida à propriedade, por isso permite-se que a mesma seja definida diretamente quando externo à classe. Quando definido protected, as regras de negócio se aplicarão apenas quando o valor vier do meio externo à classe, mas classes derivadas da mesma possuem liberdade para definir novos valores diretamente. Quando definido como private, apenas a própria classe tem liberdade de definir valores diretamente; de qualquer outra origem as regras de negócio se aplicarão.

As regras de negócio são aplicadas às propriedades através dos métodos getter/setter.

Para os exemplos abaixo, foi considerada uma linguagem de programação hipotética, de tipagem dinâmica. Os nomes da classe, métodos e propriedades foram gerados aleatoriamente e não possuem relação direta com a lógica apresentada.

Considerando a definição abaixo de uma classe com três propriedades, cada qual com seu nível de encapsulamento:

class Foo:

    private meeten
    protected festal
    public tamera

Sendo que as propriedades protected e private possuem obrigatoriamente regras de negócios, é definido os métodos getter/setter para cada:

class Foo:

    private meeten
    protected festal
    public tamera

    public getMeeten ():
        ...

    public setMeeten (value):
        ...

    public getFestal ():
        ...

    public setFestal (value):
        ...

Sendo os métodos supracitados responsáveis pela interface das propriedades com o meio externo, é de suma importância que os mesmos sejam definidos com encapsulamento public.

Considera-se agora algumas regras de negócio para a aplicação:

  • meeten deve ser do tipo string com no máximo 255 caracteres;
  • festal deve ser do tipo int com valor entre 0 e 255;

A implementação destas regras seria algo semelhante à:

    public setMeeten (value):

        if (type(value) != "string"):
            throws TypeError;
        else if (len(value) > 255):
            throws InvalidArgumentException;

        this.meeten = value

    public setFestal (value):

        if (type(value) != "int"):
            throws TypeError;
        else if not (0 <= value <= 255):
            throws InvalidArgumentException;

        this.festal = value

Com isso já é possível entender a proteção que o encapsulamento gera. Definidas as regras de negócio, pode-se considerar que a aplicação não funcionará quando as mesmas não forem válidas. Por exemplo, se a propriedade meeten for um valor inteiro. Utilizando a classe acima, tentando atribuir um inteiro à meeten:

inst = Foo()
inst.setMeeten(1)

Uma exceção do tipo TypeError seria disparada. Esta é a proteção que o encapsulamento define. Como a aplicação não funcionaria corretamente quando meeten for do tipo inteiro, ela obriga o valor passar pelo método setter onde são validadas as regras de negócio. Se inválidas, o fluxo de execução do programa é alterado pela exceção, impedindo a execução errônea da aplicação.

O mesmo acontece com a propriedade protected, porém, considera-se que em classes derivadas, a aplicação "saiba o que está fazendo", então é dada a liberdade à mesma de alterar diretamente o valor da propriedade. Por exemplo:

class Bar extend Foo:
    public cheetah ():
        this.festal = 10

É permitido à classe Bar acessar diretamente a propriedade this.festal, porém, perceba que se um valor for atribuído à propriedade que não validem as regras de negócio, por exemplo atribuir uma string à festal que deveria ser do tipo int:

this.festal = "anything"

Não será disparado nenhuma exceção e a aplicação poderá executar normalmente, provavelmente gerando um resultado inesperado. Nestes casos, é recomendado, mesmo que possua a liberdade de acessar a propriedade diretamente, fazer o uso do método setter de modo a centralizar todas as regras de negócio em apenas um lugar do código.

As propriedades do tipo public geralmente são assim definidas quando não existem regras de negócio, em que a aplicação funcionaria de forma esperada para qualquer tipo de entrada.

Óbviamente que detalhes desse funcionamento podem variar conforme a linguagem considerada. Por exemplo, em C++, se uma propriedade é definida como private ou protected e é tentado acessá-la diretamente no meio externo à classe, um erro será disparado. Já em Python esse encapsulamento não existe. No máximo, o Python remapeia as propriedades e métodos iniciados com __* para _Classname__*, assim uma propriedade chamada __foo na classe Bar seria remapeada para _Bar__foo, mas o acesso direto a este último é liberado, pondendo acessar do meio externo Bar._Bar__foo = 0 sem ocorrer erros. Isso ocorre porque no Python é considerado que o desenvolvedor tenha conhecimento do que está fazendo, então lhe é dada toda esta liberdade. Em C++ (e acredito que Java), já é um pouco mais rígido, obrigando o uso dos métodos getter/setter. No Python, iniciar o nome da propriedade com __ é basicamente para dizer ao devenvolvedor depois: "Ei, talvez não seja uma boa acessar isto diretamente. Faça isso apenas se realmente souber o que está fazendo.". Em C++ seria "Não faça isso!".

Resumindo, o encapsulamento apenas cria uma proteção para que sua aplicação funcione como deveria, definindo as "portas de entrada" da classe. De maneira alguma ela protege seu código de um usuário acessá-lo, se o mesmo possuir acesso ao seu servidor e códigos fonte. Para isso, você pode ler mais sobre em Como proteger o código fonte?, como citado nos comentários.

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