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A intercepção de um método é uma técnica que pode ser usada para executar um excerto de código antes de executar uma acção principal. Ou seja, duma forma muito simplificada este também seria um exemplo de intercepção:

public void A(){ 
    Console.Writeline("Estou a interceptar B!");
    B(); 
}
private void B(){
    Console.Writeline("Eu sou a acção principal B");
}

A diferença é que normalmente, quando a técnica de intercepção é usada o método A não tem conhecimento do método B. Na verdade o método A pode ser eventualmente ser usado para interceptar qualquer método existente de uma ou mais classes.

Esta técnica pode ser usada por exemplo para fazer logging de entrada do método, metendo no log informação do nome e dos parâmetros do método que vai ser chamado.

Eu já usei bibliotecas como Castle Windsor que facilitam o uso de interceptadores. Mas o que quero perguntar aqui é: Como é que eles funcionam? Ou seja como é que é possível eles chamarem a função A antes da B se ela não conhece B. Um exemplo de como um interceptador básico poderia ser feito, sem recorrer a nenhuma biblioteca seria bem vindo.

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+50

Você menciona o Castle Windsor, que é para injeção de dependência, mas o teor da sua pergunta está relacionada mesmo é ao Castle DynamicProxy, que como o nome sugere é para a criação de proxies dinâmicos.

O código que você escreveu também não poderia ser chamado de "intercepção" nem mesmo "simplificada", uma vez que o consumidor está a consumir diretamente A e a rigor nem sabe que B será invocado.

Intercepção seria o consumir invocar B e o código de A ser invocado de maneira transparente, sem que B tenha sido programado pra isso e sem que o próprio consumidor tenha conhecimento disso.

Como funciona o proxy dinâmico (dynamic proxy)

Basicamente, o Castle DynamicProxy cria uma classe que herda da classe para a qual ele vai servir de proxy e sobrescreve os membros desta classe.

O consumidor da classe original não cria uma instância dela diretamente; ao invés disso ele pede a instância ao Castle, e o Castle entrega uma instância da classe herdada que ele criou automaticamente, mais ou menos assim (pseudo código):

ClasseA objeto = Castle.CrieInstancia<ClasseA>(ClasseInterceptadora);

Então a variável objeto contém uma instância não de ClasseA mas sim de algo tipo "ClasseA$Proxy12349876", que é a herança de ClasseA criada automaticamente pelo Castle.

Agora, para cada método invocado em objeto, a instância de "ClasseA$Proxy12349876" vai tratar de invocar, antes e depois, o código que você escreveu na ClasseInterceptadora.

Importante observar que como o Castle vai criar uma herança da sua classe, só será possível substituir os membros virtuais dela.

Utilidade de um proxy dinâmico (um exemplo)

Quando você usa o NHibernate, você declara entidades (grosseiramente falando, classes que representarão registros do banco de dados).

Um entidade pode referenciar outra, mais ou menos assim (pseudo código):

class Funcionario {
    long id;
    string nome;
    Departamento departamento;
}

class Departamento {
    long id;
    string nome;
    string centroDeCusto;
}

Quando você recuperar um funcionário do banco de dados, o NHibernate não vai te entregar uma instância de Funcionário, mas sim uma instância de uma classe que ele criou herdando de Funcionário. Esta herança que o NHibernate cria usando o Castle vai atuar como um proxy para a classe Funcionário.

Então, se o carregamento da entidade relacionada estiver configurado como lazy load, quando você fizer isso:

Funcionario funcionario = db.getFuncionarioDoMes();
long idDepartamento = funcionario.departamento.id;

funcionario conterá um proxy, o qual entregará também um proxy em funcionario.departamento. Então, a instância de proxy existente em funcionario.departamento conterá apenas o id em memória, e vai te entregar sem precisar buscar no banco de dados todas as informações do departamento. Agora, se você fizer isso:

string nomeDepartamento = funcionario.departamento.nome;

então a instância de proxy existente em funcionario.departamento fará uma consulta no banco de dados, buscando todas as informações do departamento para disponibilizá-la pra você.

Neste exemplo, foi interessante o uso de um proxy para que você não precisasse codificar na sua entidade toda esta complexidade tecnológica.

Como fazer um proxy (um "interceptador") sem recorrer a uma biblioteca

O proxy criado pelo Castle para interceptar o consumo de funcionario.departamento no exemplo acima é um design pattern.

Este design pattern pode ser implementado facilmente em C# sem precisar recorrer a nenhuma biblioteca externa. Veja este exemplo retirado da Wikipedia:

interface ICar
{
    void DriveCar();
}

// Real Object
public class Car : ICar
{
    public void DriveCar()
    {
        Console.WriteLine("O carro foi dirigido!");
    }
}

//Proxy Object
public class ProxyCar : ICar
{
    private Driver driver;
    private ICar realCar;

    public ProxyCar(Driver driver)
    {
        this.driver = driver;
        this.realCar = new Car();
    }

    public void DriveCar()
    {
        if (driver.Age < 18)
            Console.WriteLine("Desculpe, o motorista é muito jovem para dirigir.");
        else
            this.realCar.DriveCar();
     }
}

public class Driver
{
    private int Age { get; set; }

    public Driver(int age)
    {
        this.Age = age;
    }
}

// Como usar o proxy
private void btnProxy_Click(object sender, EventArgs e)
{
    ICar car = new ProxyCar(new Driver(16));
    car.DriveCar();

    car = new ProxyCar(new Driver(25));
    car.DriveCar();
}

E existem diversas outras maneiras de se implementar um proxy.

O que o Castle faz de especial, e isso o C# não tem nada nativo que faça de maneira tão completa e simplificada, é criar o proxy dinamicamente sem que a classe interceptada pelo proxy e nem o consumidor precisem ter ciência de que há um proxy ali (não há necessidade de que a classe interceptada implemente uma certa interface, por exemplo, e nem é necessário escrever um proxy exclusivo para cada classe que vá ser interceptada).

A única coisa que você precisa fazer em função do proxy do Castle é garantir que os métodos que vão ser interceptados pelo proxy sejam virtuais.

  • Acredito que usar o CodeDOM para criar os proxys dinamicamente é uma alternativa interessante :) – Only a Curious Mind 17/05/17 às 16:22

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