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Estou trabalhando em um sistema relativamente grande (considera-se inviável o esforço de reescrita) PHP que implementa de certa forma o padrão arquitetural MVC e que possui (sob um um ponto de vista mais elevado) diversos "bad smells". Acha se de tudo: de acoplamentos desnecessários, ausência de design patterns pra resolver problemas recorrentes e uso incorreto de herança e polimorfismo até mau uso de memória e impossibilidade de escalabilidade (através da criação de novas instâncias).

Foi me dado o desafio de limpar essa bagunça (penso eu que através de refatoração sobre refatoração), mas não sei exatamente por onde começar. Acredito que enumerar os problemas seria o primeiro passo a se tomar, e então surgem as perguntas: como posso listar os problemas do software para posterior análise? Existem ferramentas automatizadas que possam detectar problemas de forma discreta, ou agrupá-los?

Ressalto que não é viável a reescrita por conta do tempo investido, de regras de negócio obscuras e documentação inexistente.

Boa sorte pra mim.

fechada como principalmente baseada em opiniões por Daniel Omine, Bacco, Victor Stafusa, Lucas Costa, Guilherme Nascimento 1/02/17 às 20:59

Várias perguntas boas geram algum grau de opinião com base na experiência de especialistas, mas as respostas a esta pergunta tenderão a ser quase que completamente baseadas em opiniões e não em fatos, referências ou experiência específica. Conheça as regras na central de ajuda e edite a pergunta para que fique adequada.

  • 1
    Não acho que exista uma resposta "certa" no seu caso. IMHO o problema de não escalar deveria ser prioridade, porém não vejo como resolver esse tipo de problema apenas com refatoração. – Pagotti 27/01/17 às 10:41
  • @Pagotti certamente o problema da escalabilidade precisará de algo mais complexo, concordo. Quanto ao resto, você conhece alguma ferramenta automatizada que possa me dar um resumo sobre o uso de más práticas no código fonte? Não acho que seja prático enumerar tudo um a um. – Calebe Oliveira 27/01/17 às 11:08
  • Não conheço mas as indicadas pelo Gabriel parecem ajudar nesse sentido. – Pagotti 27/01/17 às 15:59
  • 1
    @GabrielHeming está com certeza me levando a mal e confundindo tudo o que eu disse. Eu nunca li tal livro e só porque está em um livro não quer dizer que seja o mais usado. Só coloquei o link para para quem conhece como "Code smell" saber do que se trata "bad smell", não precisa fazer uma tempestade em copo um copo de água. – Guilherme Nascimento 2/02/17 às 11:29
  • 2
    O mais bizarro de tudo é que o fechamento por "baseada em opinião" é puramente baseado em opinião, não havendo por exemplo um barema pra que se possa mensurar o quão baseada em opinião uma pergunta é; também há a suscetibilidade ao "comportamento de manada", onde votos quase aleatórios são induzidos e computados pela plataforma. – Calebe Oliveira 3/02/17 às 3:14
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TL ; DR

Como enumerar bad smells em um software?

  • Mapeamento e relacionamento (em diagramas);
  • TDD (o que não for encontrado por mapeamento, surge nos Testes, vide Liskov Substitution Principle);
  • Compreensão do mapeamento com a necessidade do negócio (bad smells de negócio);
  • Ferramentas auxiliares.

Explicação

Somente através de refatoração sobre refatoração não será o suficiente para "limpar" o sistema. Você até pode limpar uma unidade, mas ficará somente nisso.

Sua situação é bem delicada e de resolução lenta. Além disso, você pode encontrar/utilizar diversas abordagens. A que eu vou apresentar, seria mais uma mescla entre "conservadora" e "ágil", para evitar que a situação, na qual o sistema já se encontra, se repita.

Como você não irá reescrever o sistema inteiramente, deve ir em partes. A abordagem abaixo pode ser utilizada para ambos os cenários, apenas precisa encontrar e definir os limites da refatoração.

Primeiramente, mapear o componente que deseja refatorar:

  • casos de uso;
  • classes;
  • storage;
  • sequência;
  • estados.

Com o mapeamento acima, você identificará como realmente é o ecossistema que deverá ser refatorado.

Após, faça a refatoração conceitual. Veja o estado que o sistema/componente se encontra, para onde e como, você deve levá-lo. Utilize os casos de uso do sistema para entender qual seria a integração/interação ideal entre os componentes.

Normalmente, nesses casos, o diagrama de casos de uso é a sua base de apoio para não perder o objetivo do sistema, junto com sequência e estados. Pois, se o sistema foi desenvolvido pensando no negócio, eles terão pouca, ou quase nenhuma, alteração. O que eu acredito que não é o seu caso.

Outro caso que deve ser ressaltado, é sobre o nível de refatoração. Se você refatorar apenas uma classe, sequência e estados são desnecessários. Entretanto, um conjunto de classes possui uma integração que não pode ser quebrada, e é por ai que encontrá a abordagem mais adequada.

Após o entendimento, vem a parte dramática. Escreva testes, muitos, intercalando em testes de unidade e de alto nível. Você precisará manter a integridade do sistema enquanto refatora o sistema. TDD será muito importante nessa etapa. Como diria Robert "UncleBob" Martin: "TDD é a documentação/manual do seu código"

Algumas ferramentas que podem lhe apoiar a nível de código:

  • PHP Mess Detector (lhe informará sobre problemas de codificação, deixará seu código limpo e funcional);
  • PHP Code Sniffer (manterá o seu sistema dentro dos padrões PSRs);
  • PHP Unit (simplesmente TDD);
  • BlackFire.io (realiza testes de performance do sistema, também mapeia todos as interações entre classes, poderá encontrar gargalos e interações ineficientes).
  • Astah Community (todos os diagramas acima mencionados podem ser escritos nele)
  • MySQL WorkBench (se o sistema for em MySQL, a engenharia reversa dessa ferramenta é realmente interessante).

Após o entendimento "superficial" de como realizar as modificações (modificações de baixo nível sempre surgem durante o processo de refatoração), utilize as Técnicas e princípios, abaixo, para guiar o desenvolvimento:

Essas seriam as abordagens e ferramentas que eu utilizaria para refatorar um sistema já existente. Nada diferente do que eu faço no desenvolvimento de um sistema do zero.

Alguns links úteis:

Adendo: não quero entrar em detalhes sobre se UML, Scrum ou qualquer outra metodologia é melhor. Apenas lhe informar sobre situações que podem ser previstas com um ou outro diagrama. Se não gostar de uma abordagem, utilize outra similar, pegue o que conhece de sua metodologia e aplique o que lhe trará confiança.

  • Como o sistema está muito acoplado com o banco de dados, com o servidor Apache e o sistema operacional, creio que também terei que criar uma VM ou containers do docker para replicar o ambiente todo. – Calebe Oliveira 27/01/17 às 13:02
  • Sim. Isole o seu ambiente. Tente trabalhar com correções progressivas e atualizações complementares, para que você possa atualizar uma parte do sistema (seja pequena ou grande) sem comprometer o funcionamento dele. Entender sobre integração contínua ajudaria (isso foge do meu conhecimento, meu foco é OO mesmo). – Gabriel Heming 27/01/17 às 13:05
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Dividir para Conquistar

Antes de tudo, é apenas uma opinião, um conjunto de dicas genéricas, talvez até o óbvio. Como regra geral, quando mais tarde você mexer no código, menos retrabalho terá.

Acho que nesse caso vale lembrar o Knuth:

A otimização prematura é a raiz de todo mal. Programadores se preocupam demais com a eficiência de código em lugares errados e na hora errada.

Nas atividades é sempre bom criar diagramas, mesmo que sejam no papel. Desenhos te dão uma visão mais clara do que uma lista de problemas.

  • Componentes. Procure desenhar o sistema de fora para dentro para saber quais são os módulos e componentes atuais e quais deveriam ser os módulos reais.
  • Dependências. Identifique quais são as dependências entre as partes e as dependências que não deveriam existir. Existem dependências de outros componentes de terceiros, etc.
  • Comunicação. Algo importante é como cada parte se comunica com a outra. O acoplamento de algumas partes pode ser desnecessário mas também pode não interferir na eficiência do todo. Com isso você pode escolher o que desacoplar e o que não.
  • Gargalos. Com as três primeiras você pode identificar as partes que vão impedir que você atenda aos novos requisitos (escalabilidade, por exemplo) e identificar o que você tem que resolver primeiro e o que pode ficar pro final.

A parte da refatoração em que você vai melhorar a manutenção futura do código ou vai facilitar o entendimento, vem depois que você tiver essa visão mais abrangente e puder dividir e priorizar o trabalho.

Boa sorte pra ti. =)

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