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Vamos supor que tenho uma tabela que armazena informação sobre 200 tabelas,

local rand = math.random;

--[=[
  - Uma tabela que armazena uma informação
  - sobre tabelas específicas
  - (Cada campo contém uma chave que referencia uma tabela,
  - e um valor sendo um número randômico de 0 à 50, por exemplo:
  - tables[ {} ] = rand(0, 50))
  ]=]
tables = {};


-- Armazena um número randômico para uma tabela
local function init(t)
    tables[t] = rand(0, 50);
end

for i = 1, 2e2 do
    init {};
end

Parece okay, mas a tabela referenciada por tables, no final, recebe 200 campos que, juntos, referenciam 200 tabelas que precisavam ser coletadas pelo coletor de lixo do Lua.

Q: 200 campos? Cada um referencia uma tabela?
R: Veja o loop e a chamada init {}. Uma tabela está sendo declarada e referenciada no primeiro argumento da função referenciada em init. Essa função define um campo em tables, sendo sua chave a tabela do primeiro argumento da chamada, e seu valor sendo um número randômico. Ou seja, a chave do campo definido referencia uma tabela.

Q: Por que as 200 tabelas declaradas precisavam ser coletadas e por que não poderiam ser coletadas?
R: Porque elas não serão reconhecidas pelo meu programa. As 200 tabelas desse caso não tem nada a ver com o programa. Imagine se elas fossem tabelas instanciadas por uma classe. Essa classe poderia ter uma tabela que guarda dados privados para suas instâncias. Para isso, cada campo dessa tabela contém uma chave que referencia a instância (respectivamente uma tabela), e o valor de cada campo equivale aos dados de suas instâncias. Mas e se essa tabela de dados privados está impedindo que instâncias (respectivamente tabelas) dessa classe sejam coletados pelo lixo do Lua? Por exemplo, um caso onde a tabela de dados privados é a única que está referenciando uma certa tabela e ainda guardando seus dados. A intenção é que essas únicas tabelas referenciadas dentro da tabela de dados privados sejam coletadas como lixo.

Enquanto a tabela referenciada por tables não for coletada como lixo pelo Lua, 200 tabelas não utilizadas não serão coletadas também. Nesse código de exemplo o programa vai terminar de executar e a tabela será provavelmente coletada como lixo pelo Lua, porém esse não é esse o objetivo, como dito, é um exemplo, a situação real não seria desse jeito. Na situação real, o programa vai continuar executando (e assíncronamente) até que seja parado por alguma ocasião.

Existe alguma maneira de fazer as únicas tabelas referenciadas pelos campos da tabela tables serem coletados como lixo pelo Lua nesse caso? Também queria saber se isso é possível apenas em versões do Lua, maiores que 4.0.

marcada como duplicata por Maniero 18/01/17 às 0:34

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Na versão 5.0 (exceto nas versões abaixo, creio eu) ou acima há uma maneira, tornando a tabela tables em uma weak table. Na verdade a tabela não vai ser uma weak table, vai haver uma opção para tornar as referências dos campos fracas. Isso vai fazer com que o coletor de lixo do Lua ignore a presença de cada referência, nas chaves e valores, apenas nas chaves ou apenas nos valores, dependendo do valor dessa opção.

De acordo com a seção 2.9.2 do manual de ref. do Lua 5.0, quando uma tabela tem weak keys (ou chaves fracas), as chaves de seus campos podem ser coletadas como lixo. Quando a chave ou o valor de um campo é coletado(a), esse mesmo campo é removido da tabela (o espaço da chave e o valor), e isso faz sentido já que o valor da chave/valor do campo vai ser provavelmente nil, ou tipicamente nada... Da seção 2.9.2:

In any case, if either the key or the value is collected, the whole pair is removed from the table.

Que traduzindo para o português seria:

Em qualquer caso, se a chave ou valor for coletado, o par inteiro é removido da tabela.

Quando uma tabela tem weak values (ou valores fracos), então os valores de seus campos também podem ser coletados como lixo. A mesma tabela pode ter ambos(as) chaves fracas e valores fracos.

Essa opção que nos permite obter weak keys ou weak values pode ser definida no campo __mode da metatable de uma tabela, e a tabela será afetada pela opção. A opção deveria ser uma string, que contendo o byte 107 ("k"), ativa o modo de chaves fracas, e que contendo o byte 118 ("v") ativa o modo de valores fracos.

No código de exemplo, o campo __mode pode ser algo como 'k', já que torna possível as tabelas referenciadas nos campos de tables de serem coletadas pelo lixo do Lua. Contendo 'v' torna também possível de coletar os valores...

setmetatable(tables, {
    __mode = 'kv'
});

Lembrando que os objetos (ou tabelas) desnecessários(as) podem ser coletados(as) apenas depois, de acordo com dois números usados para controlar o círculo do coletor de lixo: seção 2.9. Ou, a não ser que um desses números threshold seja atualizado para executar o coletor de lixo na mesma hora. Se isso fosse feito, seria bom desfazer caso não fosse um teste, porém acho que não é possível saber o número threshold atual, mas é possível escolher um bom número como o de antes. Seção 5.1 do manual (collectgarbage é documentado no topo).

 collectgarbage();

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